“Dia histórico” para o sector na Região, considerou João Ponte

Agricultores dos Açores com acesso a seguros de colheitas para protegerem as culturas de fenómenos naturais adversos

Trata-se de um processo que exigiu muita determinação e empenho do Governo Regional para se tornar realidade. “Este processo de implementação de seguros de colheitas nos Açores é um bom exemplo, que confirma uma citação antiga que refere que a única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível. E é também uma boa prova do empenho, da determinação e da persistência do Governo Regional dos Açores em disponibilizar medidas, que ajude o sector agrícola a desenvolver-se”.
O governante destacou mesmo tratar-se de “um dia histórico para a agricultura nos Açores. Passados 5 anos do início do PRORURAL+ os seguros de colheita chegam aos Açores”, referiu João Ponte.
O Secretário Regional da Agricultura e Florestas realçou que aquilo que competia ao Governo Regional e à Crédito Agrícola Seguros (do Grupo Caixa de Crédito Agrícola) “está feito e bem feito”, sendo que agora o desafio está do lado dos agricultores e das organizações de produtores. “O desafio está do lado dos produtores em olharem para este novo serviço que é prestado à agricultura, não como mais um custo para a sua exploração, mas como protecção ao seu rendimento. É também um desafio para as associações de produtores, que se podem organizar e promover os seguros colectivos, que é também uma possibilidade”.
Na sessão de apresentação do sistema de seguros de colheitas que decorreu no Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, João Ponte considerou esta uma “boa medida para os agricultores, porque reduz, desde logo, a exposição aos fenómenos naturais adversos e cabe apenas ao agricultor 30% do custo do prémio de seguro, já que o restante é segurado pelo PRORURAL + e assegura a indemnização aos agricultores cuja actividade seja afectada e destrua mais de 20% da sua produção”. No continente e Madeira são 30%.
“O Governo dos Açores considera que é uma boa apólice, que já foi testada na intempérie que afectou a produção de banana na Madeira em 2018”, acrescentando que “com a implementação do sistema seguros de colheitas nos Açores promove-se a gestão de riscos na agricultura, permite compensar e minimizar as perdas provocadas por fenómenos climáticos e adversos, e protege o rendimento da actividade agrícola. 
Criamos assim, uma boa resposta às alterações climáticas que significam um maior risco associado à agricultura aqui na Região”.
Jorge Rita confiante

Competindo-lhe como anfitrião receber apenas as pessoas, Jorge Rita, Presidente da Direcção da Associação Agrícola de São Miguel, foi breve nas suas palavras, mas não deixou de considerar que o sistema de seguros de colheita “é uma lacuna que existia” e como tal desejou que “seja aquilo que se pretende para melhorar, dar mais confiança e segurança àquilo que são as nossas produções regionais, de uma forma transversal em toda a agricultura, que padece da falta de seguros”.

Lino Afonso: “Quem semeia segurança, 
colhe protecção”

Coube a Lino Afonso, Director da Crédito Agrícola Seguros explanar que “quem semeia segurança, colhe protecção”, até porque “os fenómenos meteorológicos acontecem e são difíceis de prever, o melhor é contar com o seguro que protege as suas colheitas e os seus rendimentos agrícolas”.
“Portugal tem seguros de colheitas desde 1996, mas depois de uma boa fase inicial houve uma paragem porque só faziam seguros, os agricultores que tinham muito risco e aqueles que tinham menos risco acabavam por não o fazer, o que levou que, por outro lado, que o Estado também se atrasasse com pagamentos, porque era um seguro suportado apenas pelo Orçamento de Estado.
A este propósito, em determinada altura, em 2012, a dívida às seguradoras era perto de 80 milhões de euros. Isto levou, a que houvesse de facto uma pressão por parte da associação de seguradoras e que tomassem uma posição, havendo aí o ponto de viragem, útil e interessante para o país”.
De referir que apenas três seguradoras operam neste mercado em Portugal, nomeadamente a Seguradoras Unidas, a Fidelidade e a Crédito Agrícola Seguros.
A este propósito, Lino Afonso destacou que a diferença está no facto da Crédito Agrícola ter aprendido com “nuestros hermanos”, nesta matéria e que por ano o Governo espanhol injecta 170 milhões de Euros nas seguradoras.
Para além do Seguro de Colheitas, onde a Região abarcou quase tudo em termos de colheitas, inclusive a banana, foi anunciado ainda o Seguro Vitícola de Colheitas da Caixa Agrícola para a Região. O seguro pode ser feito a qualquer momento, e assegura as uvas de vinhos, sendo a uva de mesa insere-se no Seguro de Colheitas. 
Acresce referir ainda que a sessão de apresentação e esclarecimentos sobre os seguros de colheitas também decorreu na ilha Terceira, para permitir a mais agricultores e organizações de produtores esclarecer dúvidas e perceberem melhor os benefícios de fazer um seguro de colheita.  
 

Print

Categorias: Regional

Tags:

x
Revista Pub açorianissima