Isabel Melo desenvolve a actividade com a sua turma de Desenho

Antero de Quental transforma Ponta Delgada num laboratório às Sextas-feiras


Isabel Melo é a professora de Desenho da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada, que leva os alunos para uma aula no exterior às Sextas-feiras. A professora revela que esta prática já decorreu há vários anos, tendo há cerca de três semana sido recuperada. 
“Habitualmente, em diversas situações, eu ou as minhas colegas saímos com os alunos para o exterior. Contudo, desta vez foi com o propósito de divulgar o curso de artes da nossa escola. O recomeço aconteceu com esta turma, já fomos duas Sextas-feiras e vamos agora até ao final do ano”, afirma.
Anteriormente todas as turmas gostavam muito desta actividade e com esta não é excepção. “Na primeira sessão, quando chegámos ao nosso destino, parecia que eles já estavam perfeitamente enquadrados. Além disso, os turistas vêem falar e brincar com eles e é óptimo.”
Nestas aulas de uma hora e meia a docente adianta que têm por hábito ir sempre para o centro da cidade. “Tenho-lhes dado total liberdade naquilo que querem desenhar, tanto podem focar-se num esquiço arquitectónico, como numa representação de formas mais orgânicas, como uma flor e uma árvore; ou então fazem todo o contexto e integram a parte orgânica da cidade, as plantas e toda a zona envolvente dos verdes, com a arquitectura em segundo plano ou vice-versa”, explica.
Se antes eles iam apenas com o bloco debaixo do braço para desenhar, agora levam todo o material necessário, incluindo os cavaletes. Tal situação chama, naturalmente, a atenção de todos os que por eles passam. 
“Aprender na rua e na sala de aula são situações diferentes, mas a rua é um ambiente de aprendizagem tal como a sala de aula. Os projectos naturalmente que são mais apelativos para os alunos, quer em sala de aula ou fora dela. Quando há algo em concreto, sem ser uma mera abstracção de exercício de aula, aí o empenho deles é total”, revela orgulhosa.
Na opinião desta professora, estas saídas deveriam “ser uma prática recorrente em todas as áreas, não só na minha, quase como se a rua fosse um laboratório”. 
Tendo em conta que hoje em dia os alunos têm bastantes mais fontes de distração, a professora garante que é mais difícil chamar a atenção dos mesmos. “Até acho que sou uma sortuda, porque tenho uns alunos excelentes, mas concordo que hoje em dia é mais difícil. Há outros apelos que não existiam antes, como a internet e o telemóvel; se bem que o telemóvel para mim é um excelente recurso de trabalho e eles usam para pesquisar e para fotografar, por exemplo.”
Concluindo, Isabel Melo tem a noção de “que esta prática é benéfica para os alunos, assim como para os professores é mais gratificante. Todas as partes envolvidas ficam a ganhar, assim como a comunidade que gosta de os ver a trabalhar no meio da cidade”, salienta.

A rua e a sala de aula são situações diferentes, 
mas na rua há mais motivação entre os alunos

É com entusiasmo que estes alunos esperam por mais uma Sexta-feira enquanto a professora admite, orgulhosa, que eles se envolvem com muita facilidade assim que chegam ao destino para mais uma aula no exterior. 
Alguns alunos já começam a utilizar as técnicas que aprendem na rua para os trabalhos a apresentar e os resultados são interessantes. 
Ao contrário do que se possa pensar, para esta turma a rua é um meio de aprendizagem muito interessante e diversificado no que à criatividade diz respeito. 
Com esta iniciativa, a Escola Secundária Antero de Quental é levada à rua pela mão desta professora e destes alunos, numa forma de divulgar mais e melhor o seu curso de artes. 
Para estes alunos montar um verdadeiro ateliê na rua é espantoso, até porque dá visibilidade aos seus trabalhos e porque as pessoas interagem de sobremaneira com os mesmos. 
O que estes estudantes mais destacam é o interesse que os turistas demonstram pelos seus desenhos, aproximando-se e conversando sobre os mesmos. 
Numa perspectiva crítica, estes estudantes revelam que é necessário dar mais atenção aos turistas na nossa cidade, assim como à limpeza das ruas e à preservação dos imóveis da baixa de Ponta Delgada. 
Muitos destacaram o desenho como um gosto que marca presença nas suas vidas desde cedo, desenvolvendo agora uma prática diária na escola que demonstra este prazer. 
Nem todos quiseram falar para a nossa reportagem, mas o que eles desejam é unânime: que mais professores desenvolvam actividades deste género para que mais alunos tenham a oportunidade de aprender fora das paredes das salas de aula. 

 

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