Obras prosseguem no Convento da Esperança

Santuário do Senhor Santo Cristo terá plano de prevenção de emergências até ao final do ano

Até ao final deste ano, o Governo Regional espera, através da Direcção Regional das Obras Públicas e Comunicações, elaborar um plano de prevenção em caso de emergências para o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, de maneira a estabelecer um plano de acção perante “situações que possam pôr em perigo as pessoas e os bens que se encontram guardados neste espaço”, traçado em conjunto com elementos do Santuário, do Serviço Regional de Protecção Civil e da Direcção Regional da Cultura.
De acordo com Ana Cunha, que ontem se reuniu com o reitor do santuário que se prepara para receber no final deste mês aquela que é a maior festa religiosa dos Açores, será também estabelecido um plano de intervenção destinado a eliminar os perigos que possam advir para os bens salvaguardados no convento, bem como “um plano de evacuação em caso de ocorrência de um incêndio, de um sismo ou de outro tipo de calamidade”.
Neste sentido, para a Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas, a concretização destes planos de prevenção diz respeito “a uma das formas em que se pode materializar o apoio das obras públicas com o Santuário do Senhor Santo Cristo, através da afectação dos seus técnicos e das suas competências”, aliado ainda um apoio financeiro na ordem dos 100 mil euros “que se irá materializar nos próximos dias”.
Este apoio destinou-se à reparação do telhado do santuário que se encontrava infestado de térmitas, considerando que esta foi “uma intervenção absolutamente necessária e prioritária em relação a tudo o resto”, correspondendo a “sensivelmente 50%” do valor previsto para a reparação do telhado que, de acordo com o cónego Adriano Borges, estaria avaliada em 232 mil euros.
Segundo o reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo, este plano de prevenção não existia até ao momento no edifício histórico que apresenta “algumas limitações porque na altura em que foi construído ninguém pensou como é que se poderia apagar um incêndio aqui”.
Segundo o cónego, é importante que este seja um plano concertado entre as diferentes entidades envolvidas, de maneira a que todos saibam como agir no caso de uma destas ocorrências tomar lugar no santuário: “Temos aqui bens de grande valor e por isso é necessário que numa circunstância destas tanto a Protecção Civil como os bombeiros saibam como intervir, (…) e também os que trabalham cá dentro têm que ter noção deste plano para que sejam capazes de se salvaguardarem a si próprios e para que cada um tenha funções específicas”, adiantou.
Assim sendo, prevê-se que “no caso de um incêndio devam haver pessoas destacadas para abrir portas ou, até, para deslocar a figura do Senhor Santo Cristo e todos os bens que aqui temos ou, pelo menos, aqueles que são mais importantes” e, por isso, “(…) é muito boa esta colaboração com a secretaria porque nos irá dar os meios humanos e técnicos para que esse plano seja feito”.
No entanto, prossegue, há dois problemas que considera importantes, como o facto de este ser um edifício histórico e o tempo que irá demorar até que todas as medidas de prevenção possam, de facto, ser aplicadas: “Sendo património a Direcção Regional da Cultura tem que dar o aval para qualquer coisa que aqui seja feita (…), e este plano só se concretizará efectivamente quando as obras estiverem em curso ou já concluídas”.
Apesar de considerar que é “praticamente impossível” um incêndio chegar até ao tesouro do santuário e destrui-lo por completo, “com a imagem do Santo Cristo já não é bem assim porque a figura está em exposição pública e, havendo um incêndio, temos que ter soluções para tirar a imagem rapidamente dali”.

Antigo dormitório poderá vir a dar repouso 
aos doentes de outras ilhas
Para alcançar os cerca de oito milhões de euros que estão previstos para as diversas fases das obras ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o Cónego Adriano Borges adianta que o convento será dividido em duas partes, sendo que uma delas dirá respeito ao percurso museológico previsto e outra à reabilitação dos espaços que antes serviam de dormitório para as jovens estudantes que durante o século XX residiam no convento.
No entanto, como esta ala deixou de ser utilizada, o reitor do santuário adianta que se pretende agora “fazer entre 32 a 34 quartos, embora não saibamos quando, para recebermos as pessoas que vêm de outras ilhas para São Miguel com o objectivo de fazerem tratamentos médicos tais como a quimioterapia ou a radioterapia”, sendo este um projecto orçado em cerca de quatro milhões de euros, adiantou.
Assim, e tendo em conta que, nestes casos, as pessoas viajam acompanhadas, Adriano Borges salientou que estes deverão ser “quartos duplos que, embora não sejam construídos de raiz terão todas as comodidades da actualidade”, deixando ainda espaço para uma sala onde as pessoas possam tratar da sua roupa ou preparar as suas refeições.
O objectivo é, para além de reabilitar uma parte do património regional, apresentar também um contributo para com a sociedade, prevendo-se também a existência de “um misto de voluntários e técnicos que acompanharão essas pessoas durante o dia”, permitindo assim que saiam “do ambiente de doença” e que consigam explorar a ilha ou realizar actividades sem sair do convento.
Tendo em conta o valor avultado previsto para esta parte da obra, o cónego salienta que apesar de “sair muito mais barato construir um espaço destes de raiz, tanto para o Governo ou para qualquer entidade que quisesse alojar mais de 60 pessoas”, há que ter em conta que o Convento da Esperança “é um espaço onde não podemos fazer o que queremos e que o património também precisa de ser reabilitado”.
Actualmente, para além da recuperação do Coro Alto, espaço este que deverá estar aberto ao público durante as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres até ao Verão, tendo em conta que depois deverá encerrar para se finalizar a sua remodelação, está também a ser construído um armazém onde serão guardados todos os elementos decorativos das festas e que, actualmente, se encontram dispostos pelos vários pequenos salões do santuário.
Porém, explica que é, de momento, impossível prever quando se darão por concluídas as obras, uma vez que para além de haver a necessidade de serem desenvolvidas de forma faseada, para que se garanta o funcionamento do convento, há ainda incertezas relacionadas com a quantidade de verbas que será atribuída ao santuário tanto pelo Governo Regional, como pela União Europeia ,no próximo Quadro Comunitário de Apoio.


 

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