19 de maio de 2019

Ir ao encontro dos cidadãos

 1- Já foi entregue na Assembleia Legislativa dos Açores o estudo por ela encomendado à Universidade dos Açores, para avaliar as causas que contribuem para a crescente abstenção dos eleitores Açoreanos nos sucessivos actos eleitorais verificados na Região. 
2- De acordo com as conclusões do estudo, 88,8% dos inquiridos elegeram o Governo como responsável dessa abstenção, enquanto 88,2% apontam o dedo aos deputados, e 85,5%, entende que os responsáveis são os partidos políticos. 
3- Isto é mais de 85% dos inquiridos atribuem as responsabilidades ao poder político e aos partidos que o suportam.
4- Noutra vertente, 68,3%, aponta as pessoas como responsáveis pela falta de participação nas eleições, enquanto 58,8% acha que as dificuldades do dia-a-dia são um motivo que afasta os eleitores da sua participação cívica.
5- Curioso é ver que, quando o estudo individualiza as responsabilidades das pessoas e dos partidos políticos na abstenção, a “falta de interesse” dos cidadãos atinge 59,9%, secundada pela “falta de cidadania”, com 12,8%, e na cauda fica a “falta de educação”, com apenas 2,5%.
6- O estudo, no fundo, confirma as causas que têm sido apontadas em diversas ocasiões, esperando-se agora que elas sejam tidas como um sério aviso para os dirigentes políticos e para os partidos políticos.
7- Não há mais tempo a perder. É preciso reformular a lei eleitoral e dar mais espaço aos cidadãos para participarem na vida comunitária. Ouvi-los e torná-los co-responsáveis pelas políticas locais e regionais. 
8- A sociedade mudou e as pessoas passaram a ter opinião. O que precisam é do contraditório, que lhes permita reconhecer as razões dos outros ou melhor fundamentar as suas.
9- Para isso, os partidos têm de deixar de ser “castelos” blindados, cegos, surdos e mudos à sociedade, e sem qualidade nos soldados que nele militam até aos generais que os comandam.
10- Os partidos precisam de recrutar os melhores para serem os eleitos, e nesses melhores têm de estar os que têm mais ligação aos eleitores que precisam de saber quem os representa e a quem podem pedir contas.
11- O divórcio entre os eleitores e os eleitos é matéria que devia ser debatida nesta campanha eleitoral para o Parlamento Europeu e, infelizmente, não acontece porque a política está envenenada pela fulanizarão e pela falta de ideias para a Europa. 
12- Bem sei que não é fácil conjugar os interesses diversos dos 28 membros da União Europeia, mas a sua subsistência exige uma grande viragem e, sobretudo, uma nova política.  
13- A União Europeia mantém o modelo de quando era apenas uma comunidade económica, e continua manietada pelos grandes grupos económicos internacionais que multiplicaram o seu poder com a globalização.
14- A União Europeia está mergulhada numa teia de contradições. 
15- Defende o combate às alterações climáticas, onde se incluiu o combate à poluição, mas cede aos interesses do maior grupo poluidor do planeta em plásticos, que é a Coca-Cola e tem um poderoso lóbi junto da EU que vigia, dia e noite, os seus interesses e dita as suas regras.
16- Outros grandes interesses condicionam as decisões europeias, com destaque para herbicidas e fosfatos considerados danosos para a saúde, mas que continuam a ser livremente comercializados na União Europeia.
17- O poder dos lóbis financeiros e económicos é quem manda na União Europeia e esses lóbis defendem os seu negócios e os seus privilégios que não são coincidentes com os interesses dos cidadãos.
18- A União Europeia continua a pensar nos mercados e na economia e finge que se interessa com os cidadãos, mas não tem políticas sociais com substância que respondam às suas necessidades. Daí o afastamento entre eleitos e eleitores e a fraca participação nas eleições Europeias.
19- A União tem de colocar em primeiro lugar os cidadãos e procurar reformas políticas na sua organização capazes de respeitar a diversidade advinda dos Estados que a compõe e dos interesses das comunidades que representam.
20-    Se a União Europeia continuar a ser governado pelos lóbis que actuam paralelamente aos Estados que a formam, o seu futuro será uma incerteza maior do que a actual.
                             

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Categorias: Editorial

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