25 de maio de 2019

Directo ao Assunto

Portugal dividido por entre um chorrilho de opiniões e análises políticas mais diversas...

Propositadamente usei no título do texto de mais esta coluna semanal “DIRECTO ao ASSUNTO” a palavra “chorrilho”, lembrando a todos os leitores que, a mesmo, se trata de um substantivo colectivo que define uma quantidade de, mas conotado com algo disparatado, nefasto e/ou absurdo. E se não tivesse colocado o termo em questão e, por exemplo, tivesse usado “conjunto de situações”, o sentido da frase não ficaria tão intenso quanto desejaria, e isso para que o leitor perceba que os disparates são realmente algo mais que ingénuas asneiras! Mas, tudo isto, para referir que a conjuntura ou situação da Nação continua a variar consoante quem lhe faz o diagnóstico. Por exemplo, o PS e o Governo vêem um Portugal em fulgurante recuperação, enquanto que o PSD e CDS reconhecem um país em processo de implosão, entretanto o PCP e o BE parecem confundidos, depende de cada pensamento e discurso, mas parecem confessadamente mais pessimistas do que há um ano atrás. Portanto, como bem pode ser observado, as opiniões dos protagonistas políticos podem variar como a atmosfera varia por entre a bonança, as tempestades e os furacões!
Neste contexto, sendo impossível deixar passar distraidamente o que se passa com a presidência da república, lembro que há pouco mais de dois anos, Marcelo Rebelo de Sousa, portanto o Chefe do Estado, assumia que jamais seria um factor de instabilidade no panorama político português. Estulta promessa! Assim, no chamado País real, depois da tragédia de Pedrogão Grande e nos Concelhos limítrofes, os fogos voltaram a matar dezenas de cidadãos na região Centro. E as consequências? Realmente poucas. A máxima, até ao momento, terá sido a demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, precipitada por uma mensagem arrasadora do Presidente da República. Em seguida, mais alguns meios para a Autoridade Nacional de Proteção Civil e muita reflexão sobre o interior e a floresta. Enquanto isso, Marcelo Rebelo de Sousa apenas diz que “há que ser tudo averiguado”... Entretanto, a Tancos, lembrando aqui o “estranho acontecimento” do roubo do armazém, regressou todo o material militar que subitamente tinha desaparecido. E, o mais interessante, é que até apareceu pelo meio uma caixa de petardos que nunca estivera naqueles paióis. Por entre as mesmíssimas palavras do presidente da república, “há que investigar”, os vários coronéis que temporariamente tinham sido exonerados, até (pasme-se) passaram a merecer uma proposta de promoção. O que necessitam perguntar os portugueses (a meu ver): a que estado (ESTADO) chegámos em Portugal? Realmente, à ambivalência como sempre tem sido!
Em suma, a velhinha Nação Portuguesa está num estado absolutamente lamentável. Mas, para chegar a esta conclusão, terá obrigatoriamente o português (singular e plural) que olhar seriamente para além da superfície mascarada das coisas e conseguir libertar-se da inalterável propaganda com que é bombardeado, pois não será possível de outra forma poder concluir coisa alguma autêntica. E já agora no término de mais esta intervenção, não posso deixar de lembrar a tal austeridade anunciada no passado, pois realmente noto-a por cá e em força e reflecte-se, nomeadamente, na falta de capacidade de resposta dos serviços públicos, na miséria que se vive diariamente no Serviço Nacional de Saúde, na degradação dos meios de intervenção das forças e serviços de segurança, na escassez de meios destinados à protecção civil, na confusão em que se transformou a situação dos professores, etc., etc. Digam lá, pois, se estamos ou não num estado deplorável?

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Categorias: Opinião

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