26 de maio de 2019

Linha d’água

Que tipo de guerra paira no ar?

As causas da tensão que hoje se sente, com potencialidade para crescer, entre as “potencias mundiais” e que as colocam numa nervosa relação conflituosa são: migrações, fontes de rendimento e regiões estratégicas. A Rússia deu o primeiro passo: anexou a Crimeia e mantem a Ucrânia no radar. A China não desiste de recuperar Taiwan nem do controlo absoluto sobre o denominado “mar do sul da china”. Os Estados Unidos mantêm a Venezuela no seu radar e Cuba longe de si, mas não da vista.
Como fonte de rendimento a tecnologia supera, já, e em muito, na origem de vários conflitos mundiaia, a campeã de outrora: “matérias primas”. 
As duas principais economias mundiais – Estados Unidos e China -entraram numa rota de colisão. Andam a competir em todos os domínios económicos, até na exploração da Lua e olham gulosamente para o mar do sul da China. 
Trump foi eleito para os Estados Unidos por uma vaga de “nacional populismo” que se desenvolveu em alguns Estados americanos não para lançar a terceira guerra mundial, mas para reforçar o poder económico dos Estados Unidos no Mundo, segundo um modelo de gestão onde contassem mais os resultados do que os princípios e o individualismo do que a cooperação. Realidade que Obama não apreciava. 
O slogan “America, great again” foi apropriado ao objetivo e com uma tremenda eficácia. A diplomacia “soft” foi substituída pela diplomacia “hard”. Quer dizer, a persuasão deu lugar à ameaça: “fúria e fogo”. As instituições internacionais foram desprezadas. São consideradas por Trump como espaços de conversa fiada e de gastos desnecessários. Os tratados internacionais celebrados anteriormente por Obama são reavaliados como sendo altamente prejudiciais para os Estados Unidos e “rasgados”.  Isolada a América vale mais do que integrada e poupa nos gastos, é o novo princípio.
Os Estados Unidos contrariam o seu insucesso em qualquer negociação com boicotes económicos e com a elevação das taxas aduaneiras sobre os países negociadores. Trump gere os Estados Unidos como se de uma empresa se trate: o governo é um conselho de administração, todos os demais serviços, mesmo a justiça, exercem funções de assessoria. E os países que com eles se relacionam são concorrentes a varrer. 
O volume de negócios com a China ascende a cerca de 2 biliões de dólares por dia. Trump quer reduzir rapidamente o volume e sobrecarregar as importações de origem chinesa com elevados impostos aduaneiros, para defender a sua balança comercial e garantir o escoamento da sua produção de bens e serviços. 
No caso da China, também houve mudanças significativas na liderança do Estado. Xi Jinping assumiu totalmente o controlo do partido comunista e para toda a vida. O presidente vitalício, nas reuniões internacionais enaltece a globalização e o comércio livre. Não pratica uma política expansionista, mas declara que a China deseja estar em toda a parte, mas não só… pensa substituir a primazia económica e tecnológica dos Estados Unidos em todo os domínios.
Em consonância, há poucos dias, os Estados Unidos “proibiram as empresas norte americanas de realizarem negócios com a tecnológica chinesa Huawei”, por alegadas razões de segurança. Logo de seguida e ao seu estilo, Trump suspendeu a mediada por 90 dias. A Huawei que usa software da Google, e que já declarou cumprir a ordem de Trump, exclui assim os telefones da Huawei do sistema operacional “Android”. A verdade é que a comercialização dos telemóveis da Huawe icresce em vendas 50%, enquanto os equipamentos da Apple caem 30%. Igualmente, por alegadas razões de segurança, o Governo dos Estados Unidos quer impedir a empresa chinesa de videovigilância, Hikvision, de exercer a atividade no seu território. 
Está instalada uma nova categoria ou tipo de guerra? Por enquanto, meramente administrativa e ainda sujeita a comentários jocosos por parte dos chineses. Até quando? O mar do sul da China esconde um enorme vulcão adormecido. O caso Irão é uma manobra de diversão, para já.

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Categorias: Opinião

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