26 de maio de 2019

No Domingo do Senhor a ilha em Prece, Aclama Jesus Cristo, Ontem, Hoje e Sempre

A liturgia do domingo do Senhor Santo Cristo, bem cedo, mobiliza os cristãos fiéis para o encontro e grande momento da celebração eucarísticado anúncio da Ascensão de Jesus Cristo, para livremente ser aclamado, porque Ele, reina para sempre.
Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O senhor libertou o seu povo. Aleluia, citação da antífona de entrada da celebração do 6º Domingo da Ascensão do Senhor, porque um só Senhor, Jesus Cristo, conduz a multidão dos povos para o Pai.cf. Isaías 48,20
Cristo ontem, hoje e sempre, é tema e palavra, de quem ilumina a sua crença numa caminhada do trajecto da fé, que na véspera, e ao cair da noite, quando lentamente o sol se apaga nos campos, nos montes e mares, deixa-nos a promessa de renascer novo dia para aclamar e louvar a divina providência, que regula as sombras como a luz dos tempos vários. 
Nesta celebração festiva da Ascensão do Senhor, aclamar Jesus Cristo, é cantar, louvar e anunciar o Homem Novo, porque Ele, é igreja e somos o seu povo. Na sua ascensão, Jesus ergueu-se no firmamento como sol vencedor da noite escura e que virá de novo no final dos tempos para julgar a humana criatura. 
De glória e majestade é o seu trono, esplendorosamente ornamentado, porque Ele, é o sol e a luz que à nossa frente avança como peregrino. 
Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra, citação do salmo 66 (67), 2-3.5.6.8(R.4), é um agradecimento de fé urgente que brota do coração peregrino, que trilhou caminhos no escuro da noite, para também, pedir a Deus, que se compadeça de nós, nos dê a sua bênção, e chegue o seu louvor aos confins da terra, e que sobre nós, resplandeça a luz do seu rosto.
O peregrino, neste solene domingo festivo de contínua acção de graças, contempla o olhar de Cristo, Filho de Deus Pai, com o desejo de ser fiel até ao fim, porque quem crê em Deus, vê que todos nós somos pequenos diante d´Ele, mas que somos também, dignos do seu olhar.
Mãos ao alto e olhos de pranto silencioso, fitam a imagem do Senhor Santo Cristo em seu altar, porque na sua simplicidade, o cristão peregrino, reza a terra florida, e reza o mar numa ascética de mãos erguidas depondo no altar as suas dores e sofrimentos, porque o momento de doação comum, torna suave a ascensão da fé divina.
A ilha em prece, ergue-se a Deus extasiada, e ascende um perfume espiritual nas gerações que rezam no fervor da mesma prece, em que o rogo do presente se enaltece com maior força da fé do passado, infindamente.
A ilha, tece um variado florido da profunda seiva que alimenta a sementeira da vida de cada um de nós, que despertos e tímidos, colocamos no olhar sofredor, o pranto que se anuvia a quantos por promessa e com fervor, de sábado ao domingo do Senhor.
Ao cair da tarde, a crença da fé faz descer à urbe, a multidão, que depois de alimentada pela proclamação da palavra de Deus e eucaristia, alimenta o corpo com os frutos da terra e trabalho do homem, para de novo se aliar em romaria aos que vêm de lugares distantes, e cheios de fé tão pura e clara, como o dia. 
O cortejo da fé humana, organiza-se em procissão solene num colorido de opas vermelhas, que sem preconceitos religiosos, desfilam em alas, e no silêncio interiorizado, invocam a promessa da sua oração, resultado de mágoas, e de momentos aflitivos.
Ainda, e na declinação do dia, a fé pretende renovar o mistério da alvorada para recordar em cada aurora, a primeira luz do tempo.
No longo caminhar, o cortejo da procissão do Senhor, é um círio que se acende em espiritual clarão, e a chama, quase inflama a cinza da dor já curada.
O repicar dos sinos na torre da Esperança, todo o campo em redor, acorre, e de vestes novas como que purificadas de dignidade, juntam-se como um rio de gente que desagua num lago que acolhe os gentios peregrinos, e anunciam o levantar do guião para a marcha do percurso embalado ao passo métrico das filarmónicas quando irrompem o vibrante Hino do Senhor.
O andor do Senhor à saída do seu Santuário, é contemplado e aplaudido com júbilo pela multidão, tal como aconteceu em Domingo de Ramos, em que Cristo fez a sua entrada triunfal em Jerusalém.
As ruas da cidade, juncadas de ramos, são com esmerada fé, ornamentadas de verdes e matizados de floridas cores da paixão, para acolherem a passagem peregrina da sua imagem, levada em seu esplendoroso trono, em cortejo de festa, seguida de mantilhas e negros véus em orante romagem, onde o pensamento lembra a fúria dos vulcões e o sacudir dos terramotos, momentos especiais de perigos vários, que só a fé, moldou no Senhor Santo Cristo dos Milagres, a grandeza da devoção no embalo de promessas, para extinguir tempestades de dor e aflição.
Senhor, quando passar o Vosso andor esplendorosamente enfeitado com as mais belas flores, elaboradas com grande amor e fé por mãos artificiosas, as nossas frontes se curvem pelo amor das gerações passadas e presentes, e derramai sobre nós o Teu olhar piedoso.
Hoje, como ontem e sempre, Senhor, a ilha é Vossa, suplicamos-Te, protege-a em plena graça.
Hoje, como ontem e sempre, lavada a cinza dos vulcões, que tornou firme a terra sob os pés peregrinos, e a promessa da fé, persiste no cumprimento fiel, que em tempo quaresmal, são percorridos caminhos e trilhos, de bordão na mão e xaile aos ombros, onde de longe e de perto, visitam templos e ermidas em suplicante oração monótona em penitência dos pecados sociais cometidos.
Desde os sofrimentos mais íntimos às aflições mais partilhadas, as promessas acumulam-se e são cumpridas no decorrer do tempo das festividades, seja na discrição de uma vela que se acende ou, na simples forma de reconciliação pública, que de joelhos em sacrifício penitencial, e olhos lacrimados, rezam a gratidão em frente daimagem do Cristo sofredor.
Hoje, como ontem, somos um fustigado povo fiel e herdeiro da convivência com o medo dos cataclismos e com a angústia das tempestades, e o orante peregrino e devoto, invoca no seu íntimo ao findar do dia, de que noite em noite, a voz do vento, vem lembrar a voz de aviso e de perdão a todo o homem, que ao trair a vida que Deus dá em cada dia, naufraga na mentira.
Não deixeis Senhor, de estar tão atento às nossas lágrimas e sempre proto a socorrer-nos, porque a segurança do além para o quotidiano, é preocupação recorrente do povo ilhéu, que procura também renovar as forças na paixão de Vos servir.
Senhor Santo Cristo, não é só no cumprimento de promessas que se revela a religiosidade deste teu povo ilhéu que vive entre a serra e o mar, porque na simples fé, também recorre à protecção do alto, retendo no simbolismo do ritual, a memória de uma realidade outrora vivida, e agora, apenas significada.
Senhor, crias os dias de claridade e beleza, e quando cai a tarde, aproxima-se o crepúsculo, e o sol, ao longe declina o aproximar da noite, onde alarga o seu véu de sombra.
Senhor, hoje, como ontem e sempre, dissestes, que Estás connosco, enquanto o tempo é tempo, e ninguém Te espere encontrar o fim dos dias.
Abre nossos olhos da fé e da esperança, para buscar Teu rosto e a tua imagem em quem padece. Abre nossos olhos nos dias de fraqueza e desespero, e de mãos ao alto, gritemos para Ti as nossas angústias. 
Abre nossos olhos, e busquemos-Te na vida sempre oculto no íntimo do mundo, para apagar em nós as manchas do pecado, pois não queremos faltar ao teu banquete para comer do teu pão e beber do teu cálice divino, como sinal de amor até ao fim.
Cheios de esperança e de fé, caminhamos no esplendor da luz do verbo que nos trouxe, porque em nossas almas, anda sempre uma prece que trazemos de longe e reza em nós.
A ilha, é uma prece sem fim, promessa de divina voz que enche os olhos de pranto, e move à piedade um incenso de fé que se eleva e nunca acaba.
A ilha, em festa da Ascensão do Senhor, seja vibrante na sua alegre manifestação de fé e devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, e com vozes claras e harmoniosas, a multidão peregrina entoe com firmeza e crença, a antífona aclamativa à paráfrase do salmo 95:
Por todas as gentes, louvado Ele seja! Da Sua palavra, nós somos a igreja!
Nas terras imensas, em todas as ilhas, anunciaremos as suas maravilhas!
Entrai no seu templo, cantai a Sua glória, trazei-Lhe oferendas por sua vitória!
Por Sua vitória conta a falsidade: É paz, é amor, é luz, é verdade!
Toda a terra exulte, alegrem-se os céus, porque justiça e amor, nos chegam de Deus.
Proclamai, proclamai, entre as nações, a glória do Senhor, e anunciai a todos os povos as suas maravilhas. O Senhor é grande, e digno de todo o louvor, Amen.

Ponta Delgada,16 de Maio de 2019,

José Manuel Graça Gaipo

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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