26 de maio de 2019

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Recados com amor...

Meus queridos! Hoje, como se sabe, é dia do Senhor, altura em que costumo antecipar as promessas que carregam algumas personalidades cá do burgo… que irão integrar logo à tarde a procissão do Santo Cristo, percorrendo as ruas onde se situam os antigos mosteiros de Ponta Delgada… Sendo dia de festa do Senhor Santo Cristo, não posso escrever seja o que for… que possa parecer “propaganda política”, porque a Comissão Nacional de Eleições está com mão pesada para qualquer prevaricador… Apesar de ser dia de festa, não vou faltar ao meu dever de ir colocar o meu voto para as eleições europeias que, pela segunda vez consecutiva calham no Domingo das festas maiores de São Miguel. Mas, há sempre um tempinho para votar, porque apesar do que dizem, temos de pensar que nesta Europa que não sabe bem para onde caminha, não podemos deixar tudo nas mãos dos tecnocratas e eu nem quero pensar que se continua a ver a Europa apenas como a “árvore das patacas” dos pobres e periféricos. Por isso, lá estarei depois da missa das onze, e espero que todos possam cumprir este dever. De resto, não sou mulher de acreditar muito nos números da abstenção porque enquanto não limparem os cadernos eleitorais e enquanto toda a gente que emigra e fica com nacionalidade portuguesa nunca sai da lista, como é que os números podem ser fiáveis? Quando me disserem que a abstenção foi de tanto, eu deduzo logo umas boas casas percentuais…
 


Meus Queridos! Quando fui levar os meus recadinhos da semana ao Director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, dei com ele a admirar e meditar sobre um texto e uma foto que tinha na sua frente… Como sou muito curiosa não resisti a perguntar-lhe o porquê de tão atenta meditação e logo ele me explicou que estava a contemplar o gesto e o significativo sorriso e o olhar do artífice Romeu Bettencourt, contemplando a obra de arte que cinzelou para oferecer ao Arcebispo, D. José Avelino Bettencourt,   Núncio Apostólico na Geórgia e Arménia. Com o Cálice e patena, Romeu Bettencourt pretendeu também assinalar  o 60º aniversário do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, instituído pelo Bispo de então, D. Manuel Afonso de Carvalho…. Disse-me ainda o Director do jornal, que ao interpretar a foto, não podia deixar de comungar do contentamento manifestado pelo artista, e retratado na foto, ao contemplar a obra de arte que concebeu, espelhado no sorriso contido do Romeu… por ter conseguido terminar uma obra-prima, que, passados mais de dois mil anos, servirá para recriar a consagração do Corpo e Sangue de Cristo, através do pão e do vinho como aconteceu na última Ceia… O meu Director concluiu a nossa interessante conversa dizendo que qualquer ser que cria algo… sente vontade de lhe transmitir vida… e Romeu Bettencourt consegui tal feito e merece que nos juntemos ao artista neste momento marcante e que, pelo seu gesto e pelo seu trabalho é um artista que honra as Ilhas onde nasceu. Ao pai babado e meu querido amigo Sidónio Bettencourt, aqui eixo o meu repenicado beijinho pela obra de arte que conseguiu gerar para a vida.


Meus queridos! Em pleno dia de Festa do Senhor Santo Cristo, quero mandar um ternurento beijinho ao Reitor do Santuário aniversariante, pelas comemorações dos seus 60 anos, que tiveram momento alto com a reunião dos reitores de todos os outros quatro santuários existentes nos Açores. E este beijinho ternurento vai também pelo apelo que o cónego Adriano teve a coragem de fazer às autoridades regionais para que não acabem com o lado tradicional das festas. E referia-se ao equilíbrio que deve existir na fiscalização dos produtos alimentares que se vendem nos arraiais, tais como os rebuçados e os “galinhos” da Ribeira Grande, os tremoços, e algodão doce e outros, que não são tradição mas são contributo para a subsistência de muitas famílias. Um apelo oportuno e que aqui tenho feito muitas vezes nos meus recadinhos. E recordo o recente editorial do Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, o sempre atento e acutilante Américo Natalino Viveiros, em que se dizia que em matéria de fiscalização não devemos ser mais papistas que o Papa e só a preguiça de quem legisla faz com muitas directivas europeias sejam transcritas à letra para aplicação na Região, sem o cuidado de as adaptar à nossa realidade. E eu acho muito bem… porque quem vai por esses países fora é que vê como em muitas coisas somos mais papistas que o Papa…


Meus queridos! E já que estou a falar das festas do Senhor, quero deixar aqui o meu ternurento beijinho aos directores do Correio dos Açores e do Diário dos Açores pelos belíssimos Suplementos publicados nas edições de Sexta-feira em honra do Senhor Santo Cristo. Simplesmente maravilhosos. E que me fizeram lembrar os dias em que eu aqui, na minha Rua Gonçalo Bezerra, esperava, com expectativa, a edição de festa do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio em que nunca faltava um artigo do meu sempre lembrado padre Edmundo Manuel Pacheco, que nestes dias merece ser lembrado, pelo que escrevia e pelo que dizia nas suas sempre serenas, mas profundas reportagens para a RTP/Açores. E também não me posso esquecer das vozes inconfundíveis, desde Sílvio do Couto, até Jorge do Nascimento Cabral, padre Florêncio Lino, Padre Aurélio Nóia, Luís Cabral, Santos Narciso e Rubens Pavão e tantos outros até à actualidade. São eles que dão voz aos momentos que dobram a saudade de quem não pode estar presente!


Ricos! A minha prima da Rua do Poço ficou toda contente quando soube esta semana que, finalmente, já chegou à Câmara Municipal de Ponta Delgada o último parecer que faltava, por parte da Secretaria Regional do Turismo, para se poder avançar com o licenciamento da obra de demolição e readaptação das inacabadas galerias da Calheta, devolvendo uma parte ao público e construindo um hotel na zona nascente daquela área. Diz a minha prima que também gostava muito que não houvesse nenhuma construção naquela zona e até gostava que o mar pudesse regressar… Mas, como ela diz, primeiro viver e depois filosofar. E como ela não é juíza para julgar os erros passados, que são muitos e de muitos, o que lhe interessa é que se acabe com a pouca vergonha urbanística que ali está a enxovalhar a Calheta e a sua história. E espera que a Câmara agora seja tão rápida, como prometeu, porque as obras eram para arrancar em 2018 e já lá vamos com um ano de atraso. E não vale a pena chorar sobre leite derramado, porque se fosse assim ainda haveria quem andasse a chorar porque lá se foi o Velho Aterro e a Varanda de Pilatos e lá se foi o forte de São Pedro e mais a Casa cor-de-rosa da Rua da Fonte…


Ricos! E já que falo das obras da Calheta, a minha prima Zézinha pediu-me que lançasse uma sugestão à Câmara do meu querido Presidente Bolieiro, no sentido de desviar a via que vem desde o antigo barracão na Rua do Calhau e segue pela Rua João Melo Abreu até à entrada na Rua Engº José Cordeiro, atestando a sul com as galarias que ali jazem… e vai até à rua que serve de ligação ao Azor hotel… Com tal desvio a sul, a via ganhava espaço a norte para ampliar o passeio e permitir criar esplanadas que desde logo serviriam o Bar e o afamado restaurante “Manuel Cigano” e, no futuro, outros espaços que por ali forem abrindo. Já agora, a Câmara aproveitaria a oportunidade para refazer o espaço onde se encontra a estátua do Engº. José Cordeiro, de modo a permitir a manobra sem perigo… aos veículos que descem a Ladeira das Águas Quentes e viram para poente… Vou pedir aos responsáveis pelo Movimento “Queremos a Calheta de volta” para sensibilizarem o município de Ponta Delgada para esta oportuna questão… São pequenas coisas que custam muito pouco e fazem toda a diferença….


Meus queridos! Tenho repetido muitas vezes que o slogan mais adulterado depois da revolução de Abril foi este: “a banca ao serviço do povo”… que agora se tornou “o povo ao serviço da banca”. E foi nisto que pensei quando vi a minha prima Jardelina desolada porque para ir levantar a sua reforma com a caderneta da Caixa Geral de Depósitos vai ter que pagar nada mais nada menos que 3 euros ou coisa parecida, seiscentas patacas na moeda antiga. Passa fora…. Querem mesmo é espantar as pessoas dos balcões para depois reduzirem o pessoal. E mais uma vez lá vai o povo pagar os desmandos dos gestores donos disto tudo. Ela, coitada, nem sabe mexer em computadores, nem nas caixas de multibanco onde querem que se façam os levantamentos e para onde estão já de olhos postos para novo assalto à bolsa dos pobres…, anunciando aos quatro ventos que o uso do multibanco também vai ser pago, não bastando o custo desbragado das anuidades dos cartões… É o saque completo! Será que há por aí alguém que nos defenda de todos esses os assaltantes de pantufas???


Ricos! Foi notícia na passada semana a falta de roqueiras, em São Jorge, para as festas do Divino e para as inerentes touradas. Diz a minha prima Maria das Velas, que para anunciar a saída do touro, em vez do tradicional bombão (ou será morteiro), o que houve foi um sopro de trompete… e também disse que função do Espírito Santo sem umas roqueirinhas até parece um funeral… E é verdade. Não sou mulher de gostar de fogo-de-artifício a todas as horas da noite fazendo com que adultos e principalmente crianças não possam descansar,… mas reconheço que o “fogo” faz parte das nossas tradições. E como em todas as coisas, o que interessa é o equilíbrio, já que no plano legal há uma série de exigências em licença e seguros que têm de ser cumpridas… Por isso mesmo, que haja festa e roqueiras, mas na lei e no equilíbrio!


Meus queridos! Não sou mulher de futebóis e desde que os futebóis começaram a ser mais luta de comentadores do que bola jogada em campo, simplesmente já não ligo. Mas não posso deixar de dizer que há exageros que devem ser combatidos, seja quem for que ganhe. É que no dia em que os adeptos do campeão 2019, comemoravam o 37º titulo do Benfica na Praceta Gonçalo Velho Cabral, … que até um conhecido fotógrafo…, por engano, … chamou de Praça de São Gonçalo, … com alegria e entusiasmo… uma boa mão cheia de apoiantes encarnados subiram o pedestal da estátua e escancharam-se no pescoço do homem que a gente não sabe se é Gonçalo Velho, Diogo Cão ou o tal do Gilvaz, cujo nome não me lembro… numa atitude labrega e feia... Já não bastava o que aconteceu numa festa qualquer no ano passado… quando alguém, com a cabeça inchada,… tenha enrolado os fios da luz e dos enfeites no pescoço do dito cujo… Haja respeito pelas esculturas que são símbolo das nossas memórias!
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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