Biólogos dizem que estão a entrar muitas espécies exóticas nos Açores

Cobra do Milho em pasto de Santa Bárbara da Ribeira Grande acabou morta acidentalmente por agricultor

 Um lavrador micaelense, intrigado pelo nervosismo que notou num grupo de vacas da sua manada, numa pastagem de Santa Bárbara da Ribeira Grande, aproximou-se de tractor do local e acabou por atropelar acidentalmente uma Cobra do Milho que é muito comum em Portugal continental mas, até agora, desconhecia-se que existisse em São Miguel.
Estas cobras não podem entrar legalmente nos Açores, tudo levando a crer que tivesse chegado à ilha, à socapa, ainda muito pequena, apesar de todas as fiscalizações que são feitas à entrada nos aeroportos e portos da Região.
A fonte de informação que fez chegar, primeiro, uma foto da cobra e, perante as nossas dúvidas, a própria cobra já morta, dentro de um garrafão, à redacção do jornal, mostrava-se extremamente incomodado com a facilidade como cobras já entram em São Miguel.
Biólogos contactados pelo ‘Correio dos Açores’, não mostraram grande surpresa pelo aparecimento desta cobra na ilha e explicaram que os Açores estão a ser inundados por espécies exóticas, sobretudo pássaros, mas também outros animais de estimação.
A cobra estava no meio da pastagem a cerca de um quilómetro da primeira casa, desconhecendo-se como foi lá parar. Não se sabe se fugiu do espaço onde se encontrava ou se, por ter crescido muito, o proprietário quis ver-se livre dela.
 Segundo os especialistas, a Cobra do Milho “é uma das melhores espécies de cobras para iniciantes. É uma cobra dócil que tolera o manuseamento, evitando atacar. É bastante resistente em cativeiro, sobretudo no que diz respeito às exigências de temperatura e humidade. São fáceis de alojar, pois não necessitam de decoração especial, para além dos aparelhos básicos que todos os répteis necessitam e que dizem respeito à iluminação, temperatura e humidade”.
Explicam os mesmos especialistas que, geralmente, aceitam sem grande dificuldade ratos previamente mortos, embora alguns exemplares necessitem de algumas tentativas para a primeira refeição”. Contudo, a maioria destas cobras “aceita desde logo esta dieta. Ou seja, desde que a cobra se alimente convenientemente no criador, em princípio não haverá grande problema em retomar a dieta já no terrário do novo dono”.
“Devido à grande disponibilidade destas cobras no mercado”, acrescem os especialistas que a Cobra do Milho “é uma das espécies mais acessíveis. Existe em tantas cores e padrões ao ponto de ser até difícil identificar a espécie. Perante tanta variedade, o complicado é escolher”, completam.. Os maiores perigos apontados para estas cobras “são as fugas, uma vez que são capazes de encontrar os mais pequenos buracos para escapar”. A Cobra do Milho pode ficar com um tamanho considerável, 180 centímetros no máximo, mas a maioria dos exemplares ronda os 120 centímetros.

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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Revista Pub açorianissima