Padre Rúben Sousa, pároco da Freguesia do Porto Formoso

“A forma das pessoas encontrarem um sentido para as suas vidas é aproximarem-se mais de Deus”

Anteriormente, o nosso interlocutor tinha estado na ilha das Flores, onde esteve durante oito anos, a tomar conta da ilha juntamente com os colegas do clérigo, numa pastoral “in solidum”. Significa que eram sacerdotes de todas as paróquias da ilha, sendo que depois os vários serviços da pastoral eram divididos por todos.
No presente é diferente, porque o padre Rúben Sousa tem as suas paróquias, embora esteja inserido na Ouvidoria de Fenais de Vera Cruz.

O que encontrou?

Sobre o que encontrou quando chegou ao Porto Formoso, disse “que estava um ano sem pároco, mas encontrou uma comunidade organizada” porque entrou no primeiro dia de Setembro “e já tinha a sua festa preparada, que acontece no segundo fim-de-semana desse mês, ou seja, a vida pastoral estava a decorrer com uma certa normalidade. Penso que é uma comunidade activa, nos seus movimentos, com catequese, com grupos corais e com grupos de jovens, que foi uma das coisas que tentei organizar quando cheguei, e o grupo está muito saudável. No geral é uma comunidade igual a muitas outras e é uma freguesia ainda com alguma população, que também se faz notar na participação das celebrações e nas festas religiosas”.

Povo com uma marca religiosa

Questionado se o povo é participativo nas celebrações eucarísticas, o padre Rúben Sousa responde positivamente, mas também diz que “a prática dominical poderia ser sempre melhor”, reconhecendo por outro lado que “é um povo com uma marca religiosa, onde a grande expressão da fé, no Porto Formoso, é a Festa de Nossa Senhora da Graça, que acontece no segundo fim-de-semana de Setembro, onde aí, sim, vemos uma grande participação, uma grande envolvência, disponibilidade e trabalho das pessoas a enfeitar as ruas, e onde a freguesia enche-se de urtigas, que é uma planta própria aqui desta zona, sobretudo no Porto Formoso e a freguesia fica muito bonita e enfeitada para a festa, que não é fácil de se ver, porque surgem tonalidades entre o verde e o vermelho”.
Em relação aos jovens, a participação destes está a melhorar, “sobretudo com o grupo de jovens que têm feito muitas actividades, são muito dinâmicos, colaboram, fazem retiros, ajudam na catequese e na vida da paróquia, e o grupo está a paulatinamente a crescer, mas acho que é um bom testemunho para os outros jovens verem que vale a pena serem jovens cristãos”.

Conferência Vicentina constituída 
por senhoras

Virando o tema para eventuais problemas sociais que possam existir na freguesia e que seja do conhecimento da paróquia, o padre Rúben Sousa revela, o que tem sido feito. “Como em todas as outras freguesias, o Porto Formoso também tem os seus problemas sociais, mas ao nível da paróquia temos um grupo que se dedica à pastoral social, nomeadamente a Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Graça, que neste momento é constituído só por senhoras, que têm feito um trabalho importante e fazem actividades ao longo do ano, mas que se dirige mais para os idosos e para as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência. Claro, que vamos tentando ajudar algumas famílias, com algumas carências sociais, dentro das nossas possibilidades, porque é um grupo pequeno, mas colaboramos com a Cáritas da Ouvidoria, no sentido de, nas épocas fortes, onde se fazem cabazes ou a recolha de outros géneros alimentares, a Conferência Vicentina vai identificando as famílias com alguma dificuldade e vamos ajudando, dentro das nossas possibilidades. Não conseguimos transformar a realidade toda, mas vamos tentando ajudar. Claro, que existem casos, como em todo o lado, de dependências e de álcool, mas até que não tenho grande conhecimento desses casos, mas é credível que também possam existir”.

Igreja que já existia em 1509

Neste momento, o que se vive no tempo pascal, são as festas do Espírito Santo e a tradição das domingas, onde as pessoas rezam o terço durante a semana e ao domingo vão à igreja coroar.
À Festa de Nossa Senhora da Graça ocorrem muitos fiéis, sobretudo do Concelho da Ribeira Grande, que têm um carinho especial pela sua padroeira.
Sobre a igreja paroquial da freguesia do Porto Formoso, sabe-se que o templo já existia em 1509, data em que um rico escudeiro lhe mandou fazer a capela do Bom Jesus, com crucifixo e retábulo de Nossa Senhora, para sua sepultura e de seus herdeiros. Nos séculos seguintes sofreu acrescentos e alterações, apresentando hoje uma frontaria com finos lavores em basalto e um interior de três naves.

“Confia no Senhor, sê forte. Tem coragem 
e confina no Senhor”

Neste Domingo, em que o nosso jornal dedica a rubrica “Freguesias” ao Porto Formoso, o padre Rúben Sousa quis deixar uma mensagem, não só à população do Porto Formoso, mas a todos os leitores. Trata-se do Salmo 27, da Sagrada Escritura, onde o salmista manifesta confiança no Senhor, sua luz e salvação: “Confia no Senhor, sê forte. Tem coragem e confia no Senhor”. 
E Porquê? “Porque notamos que há muitas pessoas que sofrem e há muitas pessoas tristes, com problemas de doenças e às vezes é preciso deixar esta mensagem. É preciso que as pessoas se agarrem a Deus e à fé, para conseguirem ter a força necessária para ir superando os momentos difíceis. Então, o Salmo diz, exactamente isso, ou seja, «Confia no Senhor, sê forte. Tem coragem e confia no Senhor». É uma mensagem que é preciso ser transmitida e eu, da minha parte, tento sempre ajudar as pessoas nesse sentido, dando mais no conforto, sobretudo no sacramento da confissão ou na direcção espiritual. Acho que esta mensagem deveria passar para mais pessoas, para além daqueles que estão envolvidos na vida da paróquia. A forma das pessoas encontrarem um sentido para as suas vidas é aproximarem-se mais de Deus”.

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