Chá do Porto Formoso cada vez mais biológico

Fábrica recebeu no ano passado cerca de 70 mil visitantes

Nesta nossa incursão ao Porto Formoso, era imprescindível visitarmos a Fábrica de Chá com o mesmo nome da freguesia que tem à disposição dos visitantes jardins panorâmicos de cortar a respiração, um espaço museológico, uma sala de chá e uma loja.
A tradição mantém-se seguindo a tradição do mais puro chá açoriano, nas plantações e Fábrica de Chá Porto Formoso, na costa norte da ilha de São Miguel.
A cultura do chá nos Açores foi quase sempre feita sem recurso a fertilizantes, herbicidas ou pesticidas de síntese, por isso foi possível recorrer-se a uma entidade externa para garantir a idoneidade de um selo biológico.
Surgiu assim, o chá da Fábrica Porto Formoso, o primeiro chá biológico dos Açores, cuja produção regular, garante-lhe a distinção de ser o primeiro chá biológico da Europa.
José António Pacheco, responsável pelo projecto familiar do Chá Porto Formoso falou da capacidade de resposta que tem havido perante os turistas que têm afluído àquela importante unidade fabril. “Nós temos um projecto que já conta com alguns anos de vida e ao longo do tempo temos vindo a adaptar-nos ao aumento substancial dos fluxos turísticos. No ano passado tivemos uma frequência de 70 mil visitantes e quando iniciamos este projecto, o objectivo era reabrir a Fábrica já existente e que fosse um local funcional e agradável a quem nos visita. Felizmente isso foi conseguido, porque a Fábrica é um antigo imóvel ligado à indústria do chá expressivamente enquadrado com as vistas magníficas sobre a costa Norte da ilha de São Miguel e nós fazemos questão de bem receber as pessoas, com uma visita guiada, assegurando um pequeno briefing com a história sobre o processo de fabrico do chá, em português, inglês ou alemão e no fim da visita também oferecemos um dos nossos chás para degustação, porque é também uma forma de podermos divulgar o nosso projecto porque também sabemos que estamos a divulgar o Concelho e a Região”.
Acerca do processo de certificação dos chás Porto Formoso com modo de produção biológico, José António Pacheco referiu que foi um processo que teve início há algum tempo e que foi consolidado o ano passado em parceria com a empresa ECOCERT. “Temos vindo a ser acompanhados por uma empresa externa, com a qual formalizamos uma parceria o ano passado e lançamos o Chá Porto Formoso como produção biológica, que tem tido algum impacto, principalmente ao nível de quem nos visita. Hoje, 70% das pessoas que nos visitam são estrangeiras, que estão sensibilizadas para aquilo que fazemos, ao nível da produção biológica, que tem sido uma mais-valia e foi uma boa aposta, porque o Chá Porto Formoso distingue-se pela qualidade e não pela quantidade. Estamos presentes no mercado regional, nas grandes superfícies e não só, mas estamos presentes nas lojas Gourmet e também nas lojas que vendem exclusivamente produtos biológicos. Quer isto dizer, que a nível internacional não temos escala, e os nossos clientes são aqueles que nos visitam diariamente, porque o Chá Porto Formoso está presente em várias partes do mundo e todos gostam de consumir um produto regional”.
Numa altura em que o consumo de produtos bio cresce a um ritmo galopante, José António Pacheco relembra que a Fábrica de Chá Porto Formoso “está presente em todas as ilhas, até porque o chá sempre foi um hábito do dia-a-dia das pessoas no Arquipélago, mas um facto é que o chá sempre esteve e está na moda”.
Convém aqui recordar que é na ilha de São Miguel que se encontram as únicas plantações de chá da Europa para fins industriais.
Crê-se que as primeiras sementes de chá foram trazidas do Brasil para os Açores na segunda metade do Século XVIII. Por longo tempo o chá foi usado somente como planta ornamental mas, no ano de 1878, e por iniciativa da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, chegaram a São Miguel dois chineses para ensinar a transformação do chá.
Assim, o interesse pelo chá cresceu, chegando a existir seis fábricas, para além de outros pequenos produtores.
A fábrica de chá Porto Formoso, fundada por Amâncio Machado Faria e Maia, laborou entre os anos 20 e 80 do Século XX. Em 1998 os actuais proprietários iniciaram as obras de recuperação da fábrica que é agora Património Industrial da Região.

 

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