Presidente da AF de Angra do Heroísmo sobre o não alargamento do Campeonato dos Açores

“Aumento para 12 clubes? É para nós assunto arrumado”

 Ficou surpreendido ou não com a decisão da Direcção Regional do Desporto (DRD) em não dar o aval para que o Campeonato de Futebol dos Açores passe a ter 12 clubes?
Não fiquei surpreendido. De certa forma já esperava o desfecho desta temática.

Sendo a alteração aos modelos competitivos das provas da responsabilidade das Associações, como interpreta esta posição da DRD em não autorizar o aumento de 10 para 12 equipas, já que, ao que parece, não é a situação financeira que obsta à alteração, isto apesar de carecer de aprovação na Assembleia Legislativa Regional?
Interpreto de forma normal. Embora não seja uma diferença orçamental elevada, a mudança para 12 equipas tem um aumento de custos. 

Que justificação foi dada pela DRD para não ir por diante o aumento de 10 para 12 clubes?
De entre várias justificações, mostrou preocupação com o possível esvaziamento das provas locais.

É um assunto arrumado ou as Associações vão continuar a lutar para que se concretize o alargamento?
Da parte da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo é um assunto arrumado. 
É preciso não esquecer que uma semana depois de tomar posse, fui confrontado com a questão do alargamento, tema este que já estava a ser trabalhado pelas três Associações durante alguns meses. Evidentemente que não iria colocar grandes objeções ou entraves ao trabalho desenvolvido até então. 
Por outro lado, para nós havia duas vantagens claras neste alargamento: o fim da segunda fase e a possibilidade de termos um clube de São Jorge no Campeonato de Futebol dos Açores. De resto, não víamos mais nenhuma vantagem.

Alguns agentes do futebol têm dito que o modelo actual de duas fases está esgotado. Concorda que ao manterem-se 10 equipas tem de haver mudança?
Claramente. Temos de preconizar um modelo em que tenhamos um quadro competitivo com o mesmo espaço temporal do atual em termos de duração, retirando a segunda fase, que, em nossa opinião, desvirtua completamente a verdade da prova. 
Temos de trabalhar todos em conjunto (associações, clubes, dirigentes, árbitros, treinadores e jogadores) para não só credibilizar aquilo que é a prova rainha dos Açores, como também aumentar a qualidade e a sua organização. 
Que tipo de mudanças preconiza a AF Angra do Heroísmo?
Angra tem já algumas ideias que apresentará em conjunto com os nossos parceiros, que são as outras Associações. 
Nos últimos meses, confesso, não interviemos muito no processo, pois temos tido um primeiro ano muito difícil, com uma obra megalómana (nova sede) a decorrer e que temos de "inventar" formas de a pagar, com um espiral de resultados líquidos negativos nos últimos anos e com aquilo que foi o arrumar da casa e de colocar a Associação a funcionar como nós queremos. 
No fundo, dizer que foram 11 meses em que não tivemos muita margem de manobra para trabalhar em todas as áreas e tivemos que nos concentrar em situações urgentes para a nossa Associação. 

“Vamos apresentar publicamente as contas do Campeonato dos Açores”

A Associação de Futebol de Angra do Heroísmo será a entidade principal na organização da sétima edição do Campeonato de Futebol dos Açores.
Existe uma grande expectativa na forma como vai ser apresentada e organizada a competição, dado tratar-se de uma nova direcção que pretende inovar e dar uma nova roupagem nos moldes de organização, procurando, no futuro, que haja uma uniformização de critérios entre todas as Associações.
Paulo Gomes dá, em primeira mão, ideias do que a AF de Angra tem previsto implementar.

Na nova época será a Associação de Angra do Heroísmo a organizar o Campeonato de Futebol dos Açores. Que alterações vai implementar para que seja uma prova atractiva?
Para começar, vamos visitar os clubes que estiveram este ano no Campeonato e os que subiram para ouvirmos o que tem corrido mal nos últimos anos, quais são as ideias que têm para melhorar a competição. É assim que queremos evoluir.
A nível de marketing, vamos apresentar um projecto bastante apetecível para vendermos o nosso produto, que é o nosso campeonato.
Tudo isto sempre em sintonia com as nossas Associações parceiras, pois penso que apesar de cada uma ter um papel principal na organização, devemos estar em permanente contacto para em todas as épocas ir melhorando e simultaneamente ir corrigindo o que está mal. 
No fundo, a nossa ideia é que, em todas as épocas, as duas Associações que não estão na organização colaborem de forma indireta.
Existem mais situações que vão ser anunciadas à medida que as reuniões forem acontecendo e naturalmente depois do dia do sorteio da próxima época
- Envolvendo o Campeonato de Futebol dos Açores clubes e as direcções das três Associações, não deveria ter uma contabilidade própria, transitando para cada Associação organizadora e dando conhecimento aos clubes dos resultados financeiros de cada edição. Pelo que dirigentes de clubes têm-nos dito, não tem havido contas separadas para lhes serem apresentadas. Fica a sensação de encobrimento, de falta de transparência. Pretende mudar esta situação?
 Penso que o modelo de cada Associação ter a sua contabilidade própria é o ideal. Não tenho argumentos para falar do passado, nem tão pouco tenho interesse em falar dele, sobretudo porque, na minha opinião, a minha Associação estava muito mal representada. 
Na próxima época vamos conversar com muita regularidade com as nossas Associações parceiras e, claramente no final da época, vamos apresentar publicamente as contas referentes ao CFA.

“SORTEIO COM DIA DIFERENTE”

Sendo uma prova regional, não deveria seguir um guião organizativo, a fim de se manterem as mesmas regras em cada edição. Cada Associação tem seguido um critério, nomeadamente nos comunicados oficiais. Cada uma faz à sua maneira. A AF Horta, e muito bem, tem feito a separação do campeonato açoriano das suas provas, mas as AF de Angra e de Ponta Delgada misturam-nas criando alguma confusão. Que intenção tem para dignificar a prova?
Como disse, penso que devemos ter organizações mais uniformes. Para já estamo-nos a organizar internamente para a grande prova do futebol açoriano e temos já algumas ideias e inovações que queremos discutir com todos. 
Estamos a planear marcar a cimeira das Associações de preparação para o CFA para muito breve e queremos realizar o sorteio com muita antecedência, para que os clubes tenham tempo de prepararem toda a logística e planeamento. 
Posso lhe adiantar que este ano estamos a preparar um dia diferente para os representantes dos clubes que virão ao sorteio.
- Acha que se vende o “produto” com a dimensão do campeonato dos Açores, com pouca divulgação, com os horários dos jogos a serem constantemente alterados jornada após jornada?
 Acho que não é benéfico para a competição as constantes mudanças. Também achamos que devemos diversificar os horários e datas dos jogos. 
Dou-lhe um exemplo: esta época houve um Fontinhas-Lusitânia realizado num sábado com o campo a ter  uma lotação impressionante. Como foi o único jogo na ilha Terceira, vimos lá os jogadores e adeptos das equipas do Campeonato de Portugal e das equipas dos regionais. Esta tem de ser uma aposta de todos nós.

“HAVERÁ 10 CLUBES E NÃO 
3 ASSOCIAÇÕES”

 Acha que se vende o “produto” quando os regulamentos publicados não são cumpridos, como sucedeu há duas épocas e nesta época, com os jogos das duas últimas jornadas, em que os resultados dos clubes intervenientes podem influenciar classificações, foram em horários diferentes e não à mesma hora e dia?
 Na minha opinião os regulamentos devem ser cumpridos na íntegra e na próxima época é isto que vai acontecer.

Acha que se vende o “produto” e dignifica a maior competição Inter ilhas de futebol quando as equipas viajam com 11, 12 e 13 jogadores?
 Como deve calcular, é uma matéria muito sensível e que nos ultrapassa enquanto organizadores.

Os clubes têm expectativa na organização da AF Angra, pelo facto do dinamismo que tem empreendido e, sendo a sua estreia, esperam que haja uma maior preocupação com o campeonato. Certamente não pretende que as expectativas sejam goradas?
 Para nós é um orgulho haver esta expectativa, mas também estamos conscientes de que as nossas responsabilidades aumentam. 
Ao contrário do passado, para a Associação de Futebol de Angra os clubes das Associações de Ponta Delgada e da Horta vão ser tratados de igual forma. Na próxima época não haverá clubes de três associações, mas sim 10 clubes que vão ser respeitados e que também vão ter a responsabilidade de respeitar tudo e todos. Vamos claramente dar uma atenção redobrada a esta competição, para que tenhamos um grande campeonato.
 

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Categorias: Desporto

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