João Miguel Brum está a tirar o mestrado em Master Business and Administration

“ A minha experiência na Universidade de New Hampshire tem sido muito enriquecedora”

 Correio dos Açores  - Como aparece o Atlantic City na tua carreira desportiva?
O Atlantic City FC provém de um acompanhamento que eles fizeram ao longo da minha época desportiva na faculdade, onde demonstraram interesse desde o início da mesma nos Estados Unidos, jogando pela Southern New Hampshire University.

Encontraste alguma diferença no futebol praticado nos Estados Unidos?
Existe uma diferença que é notória, nomeadamente na maneira como o jogo é pensado pelos jogadores e treinadores. A nível técnico, existe muita qualidade e, para além disso, os jogadores são atleticamente evoluídos.Caracterizando o tipo de jogo daqui nos Estados Unidos, diria que é um jogo de muitas transições defesa-ataque e ataque-defesa.As ideias teóricas estão presentes aqui nos EUA, mas a maneira como se as treina e trabalha não é a mais efetiva, por isso é que em Portugal e na Europa o futebol é mais bonito e muito mais pensado.

Que dificuldades tens sentido na tua adaptação a um mundo diferente?
A adaptação tem sido muito positiva, tanto dentro como fora do campo, sendo que para mim um dos maiores obstáculos foi, como poderia ser eu Joao, falando uma lingua diferente. Inicialmente, confesso que foi um pouco estranho, não digo difícil, foi uma adaptação diria tranquila.

Onde começaste a jogar futebol?
Comecei a jogar no Sporting Clube Ideal, clube que ainda hoje sigo com muito carinho, visto que é o meu clube de coração, onde cresci e comecei a ser visto como potencial jovem promessa. Foi o clube onde realizei o meu primeiro jogo a nível sénior, sendo ainda júnior (18 anos), tendo sido lançado pelo Mister Luís Roquete, treinador que me ajudou muito a crescer como homem e atleta.

Tens apoio da tua família nesta tua carreira?
Desde pequenino que a minha paixão pelo futebol era facilmente reconhecível, o que com a minha família aceitasse que eu o praticasse. Com o tempo, a opinião deles acerca do futebol, não como hóbi, mas sim como profissão e possibilitador de oportunidades foi-se alterando, passando mais tarde a serem pilares na maneira como abordo e acredito no sonho que obviamente poderá tornar-se uma realidade.

Quando começaste a brilhar?
Desde muito cedo, a nível de formação futebol de 7 e futebol 11, as equipas por onde passei ganharam muitos títulos, títulos esses que contribuíram bastante para a minha evoluçãono mundo do futebol e que definitivamente me proporcionaram grandes memórias e amizades para o resto da vida.

Conta-nos como foi o teu jogo de estreia?
Lembro-me como se fosse hoje: foi um jogo contra o Operário, que acabou num empate, mas foi um começar de uma autêntica aventura que até agora tem sido muito desafiante e obviamente positiva.

Que Clube mais marcou a tua carreira?
Penso ser uma questão difícil de responder, visto que todos os clubes por onde passei fizeram parte do meu crescimento, todo ele importante no processo evoluitivo que tive. Não consigo escolher apenas um, mas clubes como o Santa Clara, Sporting Clube Ideal e Operário foram definitivamente cruciais nesse processo.

Sentes pressão nos jogos?
Penso que a pressão é algo relativo, existem sim momentos em que os jogadores têm que ser decisivos nas alturas cruciais, o que realmente é o que diferencia um jogador normal de um jogador acima da média.

Com o teu talento, qual a posição dentro do campo em que te sentes mais confortável?
Penso que a minha posição sempre foi atrás do ponta de lança, o que chamamos de número 10, pois com os meus atributos, penso ser a posição que consigo ser e fui mais útil nas equipas onde joguei. Joguei muitas vezes a extremo, onde me sinto muito confortável também, mas tendo que escolher escolha a de médio ofensivo.

Qual foi o lance que mais te marcou na carreira de jogador?
Definitivamente o meu primeiro golo sénior, pelo Sporting Clube Ideal, visto na altura ainda era júnior.
Em que medida o futebol marcou o teu modo de viver e encarar a vida?
Eu costumo dizer que o futebol não é para todos e é uma carreira difícil de envergar e prosseguir porque, se não estiveres preparado para competir todos os dias, acabas perdendo a chama que te faz estar preparado para novos desafios. Não há espaço para posições confortáveis, além disso acreditar em mim e no meu potencial foi crucial para chegar onde cheguei, saber que consigo ser diferente dos outros e não ter medo de o mostrar. Respeito pelos teus colegas e apoiá-los foi algo que aprendi a fazê-lo e a apreciar o gesto. No mundo do futebol, a inveja é um sentimento constante, as equipas que conseguem abstrair-se desse sentimento, são normalmente as vencedoras, porque rumam para o mesmo lado e partilham um objectivo.

O futebol nos Açores tem evoluído?
O futebol nos Açores tem evoluído muito a cada geração que passa. Muitos jogadores jovens podem ser úteis às nossas equipas de maior calibre. A todos os nossos dirigentes do futebol açoriano, parar de não ver o jogador açoriano como reforço em relação ao jogador continental. Cada vez mais jogadores açorianos conseguem ter oportunidades noutros patamares e em clubes fora das ilhas, o que por sua vez ajuda na projecção do arquipélago, desporto e jogador açoriano.

Já passaste pelo Santa Clara. Qual a mais-valia desportiva deste clube estar no top do futebol português?
O Santa Clara, sem dúvida é um clube que recomendo por tudo o que me possibilitaram e na maneira que acreditaram em mim, no tempo que lá estive. Por um motivo ou outro não cheguei a seguir com eles e não chegamos a acordo para o contrato de formação. Penso que a subida à 1ª liga era algo esperado pelo clube há muito tempo e estou muito feliz que o nosso estádio possa ter mais apoiantes, visto que este clube é uma referência do arquipélago. Espero que este passo do clube seja um início de uma valorização do jogador açoriano e não apenas do clube.

Achas que o trabalho de formação feito nos Açores tem evoluído muito?
Penso que todos os clubes têm passado por um processo de evolução grande, onde na minha opinião o recrutamento de treinadores de qualidade está na base dessa evolução. Possibilitar a respectiva formação a esses treinadores é crucial para manter esta evolução. Além disso, a ligação da formação com as equipas séniores tem que continuar a ser feita e melhorada de modo a permitir uma possibilidade aos jovens açorianos de brilharem e tornarem-se em algo mais.

Como correu esta época desportiva nos EUA?
A visibilidade aqui nos EUA é constante e até agora tem sido uma experiência muito boa. Com a boa época feita pela universidade, consegui este contacto de Atlantic City que como já referi acompanharam-me muito ao longo da época e que desde que cheguei viram-me como uma forte aposta pela qualidade que tenho demonstrado. Foi um primeiro ano produtivo e desafiante, esperando que o próximo possa ser pelo menos igual ou melhor.

Tens-te sentido realizado no futebol?
Penso que a realização é algo que se procura constantemente, especialmente num desporto, seja ele competitivo ou não, mas sim considero que todo o esforço feito originou-me boas recompensas, pelo que posso dizer que me sinto realizado, reconhecendo que a minha carreira futebolística ainda esta no início e que penso haver ainda um longo percurso a seguir.

Como está a correr o teu curso na Universidade de New Hampshire?
Estou em New Hampshire desde Agosto, altura da pré época, e estou como atleta/estudante na equipa de universidade. Estou a tirar o mestrado em Master Business andAdministration com especialização em businessintelligence. Até agora a nível escolar tem sido uma experiência muito interessante e enriquecedora para mim, tanto a nível de conhecimento, como a nível de ser humano. A experiência de viver fora do país e o contacto com diferentes nacionalidades e maneiras de ver o “mundo” são, de certa forma, situações que contribuem para esse enriquecimento pessoal.
                                        

Print

Categorias: Regional

Tags:

x
Revista Pub açorianissima