2 de junho de 2019

Mais uma lição aos políticos

 No passado Domingo além da Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres que continua cada ano a “mexer” com a alma e coração do nosso povo tivemos outro momento que se queria importante mas que a grande maioria das gentes simplesmente ignorou, as eleições para o Parlamento Europeu. Dizem uns que a coincidência dos dois eventos não facilitou sobretudo a ida às urnas para exercer o direito de voto, mas pessoalmente não acredito pois o nosso povo já aprendeu infelizmente com muitos sacrifícios o que é mas também o que não é “politicamente correto”. 
De quem a culpa?
Foram muitos os comentários que segui com atenção nas redes sociais no dia seguinte pois não me sendo possível estar presente em Ponta Delgada nesse Domingo, o trabalho excepcional que há muito esperávamos da nossa RTP/Açores prendeu-me a tarde e parte do serão, não me impedindo todavia de exercer como Cidadão o meu direito de votar. Mas nem todos pensam da mesma forma, e também têm razão, porque saturados de “levar” com uma classe de tradicionais políticos que nada mais sabe fazer além de falsas promessas que já há muito enervam o nosso povo. Afinal somos uma Região tão pequena que nada conta aos olhos dos senhores da política nacional.
Não vale a pena culpar as gentes mas sim um sistema que não favorece a verdadeira representatividade do eleitorado em democracia. 
Tudo feito à medida para os mesmos que transformaram um “trabalho” que em minha opinião deveria também ser com mandatos reduzidos, tornou-se para muitos numa profissão para a vida. O pior é que da verdadeira vida pouco ou nada conhecem habituados que estão a um mundo que não aquele que a maioria de nós conhece. 
Evidentemente que parte dos mestres da política tenta vitimar-se nos grandes sacrifícios que os levam a ausentar de sua casas, longe da esposa e sem tempo para ver crescer os filhos realçandoo grande amor que têm em servir a Pátria e os respectivos cidadãos. Pura hipocrisia pois com os salários que recebem e que eles próprios aprovam deveriam pensar melhor nas reformas vergonhosas pagas neste maravilhoso país onde a diferença entre as várias classes sociais é uma autêntica vergonha. E as gentes sabem disso, sabem que eles mudam de opinião depois de eleitos e porque somos demasiadas vezes enganados colocam a maioria dessa “rica gente” no mesmo saco. Autárquicas, Regionais, Legislativas ou Europeia já não entusiasmam mais os eleitores como outrora. A maioria, não todos porque ainda existe alguma gente honesta, vive num mundo diferente daquele que envolve o cidadão comum que após anos de sacrifícios chega ao fim da vida de mãos vazias.
Mesmo se as várias eleições têm evidentemente “vocações diferentes” acabam por aumentar o desinteresse dos eleitores como tem sido exemplo os últimos anos, pois o resultado para a melhoria da qualidade de vida é muito duvidoso ou quando aparece algum vem carregado de injustiças. O quero, posso e mando não funciona mais como outrora em que as gentes humildemente aceitavam a arrogância e prepotência de ilustres incompetentes.
Não é o humilde cidadão que tem de repensar a forma de se adaptar a um mundo em constante transformação mas sim o governante ou seu legítimo representante quem tem de sair do conforto do gabinete onde se encerra alheio ao que se passa mesmo ao lado e vir explicar àqueles que o elegeram o motivo por que tomou determinadas decisões. Mas não, nunca os vemos ou se aparecem, em alguns casos, é para uma plateia na maioria composta de amigos.
É por tal que as gentes repetem alto e forte que não vale a pena votar porque são todos iguais. 
E é por tal que muitos “intelectuais” invocam o “fantasma da abstenção”, que não o é mas sim o resultado de ter de combater diariamente outros fantasmas bem visíveis tais como um sistema de saúde demasiado doente, uma justiça que nos surpreende com as mais variadas e inexplicáveis decisões, uma corrupção que anda à solta, um tráfego de influências que já nem se esconde de ninguém, enfim poderíamos acrescentar uma longa lista de situações para as quais os nossos ilustres homens e mulheres da política foram eleitos para bem decidir e para tal estão muito bem remunerados. Se não conseguem melhor abandonem e recolham a suas casas. Certamente não faltarão substitutos. 
Aguardemos as próximas eleições Legislativas. Talvez mais umas pequenas dezenas de votos para estes lados mas estou certo que nada de significativo.
Não valerá, mais uma vez, gritar “Vitória”, porque como diz e muito bem o nosso povo “não há maior cego do que aquele que não quer ver”.
 

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Categorias: Opinião

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