2 de junho de 2019

Recados com Amor

Meus queridos! Estava a minha prima Teresinha a ver as notícias, quando foi surpreendida pela operação da GNR e Autoridade Tributária – nome pomposo para o Fisco – quando viu tirarem cavalos, um deles manco, de dentro de um camião e o dono seguir com eles a pé, não se sabe para onde, porque o dito camião “havera” sido penhorado por via de impostos em atraso do seu proprietário. E ela incrédula, logo perguntou que lei permitia tamanha barbaridade. Pouco depois ouviu que a operação tinha sido cancelada… e quando a onda de revolta em todo o país crescia minuto a minuto, lá veio uma onda de desculpas políticas e mais uma vez nenhum responsável político, sabia de nada, apesar de esta já ser a quinta vez que se fazia uma operação desta natureza…. Teresinha ficou para Deus a levar com o show a que assistiu … e não é para menos. Claro que os impostos são para pagar e a quem não os paga o Estado tem o direito de os cobrar com juros por via contenciosa – não sei se é assim que se chamam as penhoras! Mas mesmo os que não pagam os impostos, e muitos não o fazem mesmo porque não podem, têm direito ao recato e à defesa do seu nome. E com a febre a que agora puseram travão a fundo, porque as eleições de Outubro estão bem perto, já se começava a caça aos casamentos e às festas de Verão, a ver quem subfactura as bodas e tira retratos e põe música sem pagar o dízimo… Já estou a ver as Finanças por um casamento dentro e penhorar, por exemplo, o bolo da noiva ou o fato do noivo, neste caso deixando o dito em pelo! Passa fora!

Ricos! Na passada semana foram as eleições e lá fui eu, depois da Missa das onze colocar o meu boletim de voto, para não me virem depois dizer que quem não vota não tem o direito de falar… A minha sobrinha-neta foi cravada para uma mesa e lá teve de deixar de cumprir a promessa de ir atrás do Senhor na procissão para estar todo o santo dia a contar as moscas da sala de voto. Sem querer quebrar o sigilo a que são obrigados os que estão nas mesas, disse ela que, mesmo entre os que vão votar há brincalhões que não deixam o seu sentido de humor por mãos alheias. Diz ela que viu um pouco de tudo. Cruzes fora dos quadrados, uma cruz nas 17 forças concorrentes e até um que riscou todos os quadrados e escreveu à margem: Mota Amaral! Tal e qual! Isto é que é uma fé! A minha sobrinha-neta só pôde exclamar: Valha-me São Pedro! Ou seria São João Bosco?


Meus Queridos! Li uma notícia que dava conta que o Estado de Nova York prepara-se para aplicar multas aos peões que «estejam a usar qualquer dispositivo portátil», enquanto atravessam a estrada. O termo “usar” é lato o suficiente para incluir envio de mensagens, jogos mobile, estar a navegar na net, enviar e-mails e muito mais. O texto prevê ainda um regime de excepção para os meios de primeiro socorro ou pessoas que estejam a tentar contactar hospitais, bombeiros ou a polícia… A proposta de lei prevê multas entre os 25 e os 250 dólares para peões que estejam a enviar mensagens ou a olhar para o telemóvel enquanto atravessam passadeiras…. Juro que fiquei deliciada com tal proposta da autoria do senador americano John Liu, e só espero que os meus ricos deputados da Assembleia Legislativa dos Açores sigam o exemplo daquele político, e apresentem um Decreto Legislativo Regional que aplique um normativo idêntico, porque o que se passa com os peões na rua… é de por os cabelos em pé de quem os tenha… Eles atravessam passadeiras com os carros já em cima dos riscos e sem poderem travar a tempo…, eles  atravessam as ruas despreocupadamente fazendo chamadas ou falando ao telemóvel sem  olharem para os veículos que circulam na via,… eles vão de headphones nos ouvidos sem ligarem pevide ao tráfego ou a quem circula na rua… Se não se responsabilizar quem se acha dono e senhor do espaço onde se move…. qualquer dia  temos espaços com enchentes de “zumbis” a provocarem engarrafamentos enormes ou a darem cabo da vida de outros cidadãos, vitimas de quem se acha só com direitos e sem deveres a cumprir…


Ricos! Sexta-feira passada celebrou-se o dia Mundial sem tabaco… Não sou muito devota da “chuva” de dias dedicados a certas causas, porque como costuma dizer-se … quando a cera é muita queima o santo..,  mas, no caso, é  um dever de cidadania  lembrar todos os dias que é preciso manter a luta sem quartel contra o tabagismo para bem da saúde. E nesse combate deve ser usada toda a imaginação para levar a mensagem aos fumadores… Foi o que fez o meu querido médico Carlos Pavão, que desceu do Hospital ao centro de Ponta Delgada para ir ao encontro dos fumadores e levar uma mensagem de esperança para quantos quiserem mudar de vida e evitar depois as chagas resultantes do tabagismo. Um repenicado beijinho para o meu querido Carlos Pavão e a toda a equipa que o acompanha.


Meus queridos! Quero mandar um ternurento beijinho ao Reitor do Santuário da Esperança, o meu querido Cónego Adriano Borges, pela forma como decorreram as Festas do Senhor este ano, num abraço que se estende ao Provedor da Irmandade, o incansável Carlos Faria e Maia. Eu bem sei que a ajuda de São Pedro com o tempo de Verão que se fez sentir, é meia festa, mas há que registar que o sentido de novidade que este ano foi caindo a conta-gotas durante as festas, foi bem recebido por todos, desde o presidente da celebração, D. José Avelino Bettencourt que deixou no ar a hipótese de o Santuário poder ser elevado à categoria de basílica, até ao anúncio da construção de nova estátua de madre Tereza da Anunciada, recolhendo aquela informe e desproporcionada aos jardins do convento, mas acima de tudo pela surpresa da proximidade da imagem nas grades, num dossel de flores e no meio de bonito jardim, que mereceu aplauso geral e filas enormes de pessoas para visitar a Imagem assim bem mais visível, tudo isto é de realçar e por isso os meus parabéns!


Ricos! Ainda a propósito das festas do Senhor, e ao encerrar as de 2019, o meu querido Reitor do Santuário, na missa de Quinta-feira passada, e como transcreve o jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, a propósito do processo que decorre sobre a canonização ou beatificação da Madre Teresa d’Anunciada disse o seguinte:  “Se acharem que as pessoas que estão à frente(do processo) estão a trabalhar de forma responsável, então, por fazer, senhores jornalistas, escribas e os opinadores, enquanto devotos, deixem a Madre Teresa com quem tem esta responsabilidade”, pediu. “Nós todos somos devotos da Madre Teresa. Nós todos temos por ela uma admiração estreita. Mas, neste momento, não ponhamos pedras no caminho, tudo o que seja da maior dificuldade ultrapassar”
Depois de ter lido todo o texto do que disse o meu rico Cónego Adriano Borges sobre a Madre Teresa, fiquei em pulgas para saber o a que barbaridades se queria ele referir a propósito da Madre Teresa, porque durante as festas li uma noticia sobre a procissão que teve lugar na minha cidade Norte em honra da dita cuja, onde ela é natural, onde não encontrei nenhuma barbaridade… e li uma reportagem data da década de oitenta… que é um trabalho eloquente feito pelo antigo e saudoso Director do Jornal Correio dos Açores” e publicada no Atlântico Expresso de Segunda-feira, reportando a 2ª ou 3ª abertura da urna contendo os restos mortais da falecida, e que lembra factos que eram desconhecidos por muitos que à data ainda andavam de calções… e por outros que pouco se interessam com a história e que quando chegam a lugares de decisão acham que é preciso reescrever tudo de novo…. Intrigada com o que li, telefonei por isso a uma amiga que conhece como ninguém todos os cantos do convento, para me dar uma luz que me permitisse chegar às tais barbaridades e ao pedido feito pele Cónego Adriano Borges aos jornalistas escribas e opinadores… para deixarem em paz a Madre Teresa… Em resposta,  disse-me ela que só se o Reitor do Santuário se referia a uma declaração feita o ano passado pelo Bispo D. João Lavrador e que disse que a Madre Teresa não era conhecida nem devota nos Açores, contrapondo com o que se passa com Maria Vieira na Ilha Terceira…Seja como for, penso que é preciso decifrar o quer dizer o Reitor do Santuário na homilia de Quinta-Feira e desafio para o efeito os jornalistas, escribas e opinadores que foram apoucados na dita homilia!


Meus queridos! E como estou a falar das festas do Senhor, não posso deixar de felicitar a RTP/Açores pela maior cobertura de sempre que fez da procissão, dando ocasião a milhares de pessoas em várias partes do mundo de verem a beleza dela e também os caminhos e as varandas profusamente enfeitadas. Um ternurento beijinho para o operador de câmara que, no momento em que passava uma penitente com um molho de círios e ia a cair com o seu peso, soube desviar a câmara, respeitando de forma muito digna a privacidade e intimidade da pessoa. Momento especial foi novamente a empolgante homenagem prestada pelos alunos do Conservatório Regional, na sua Sede, na Rua Ernesto do Canto, espalhando-se pelo átrio, escadaria e janelas, em mais uma majestosa composição de Ana Paula Andrade. Comovente foi também a presença este ano de tantos estudantes de várias escolas a provar que aí está a juventude para dar continuidade a esta e outras tradições da nossa terra…


Meus queridos! Ainda a propósito do Santo Cristo, o meu querido Vasco Pernes, no seu belíssimo programa do acender das luzes na Sexta-feira, perguntou a D. João o que se passava com o processo de beatificação da Freira do Santo Cristo… Claro que o prelado, “aos costumes disse nada”, mas realçou que a devoção da Madre Tereza ao Senhor já vinha mesmo de antes de entrar para o Convento da Esperança, pois que a mesma era muito devota do Senhor da Pedra que existe na Ribeira Grande… D. João queria, naturalmente dizer que a devoção da religiosa era dirigida ao Senhor Santo Cristo dos Terceiros, esse sim, na Ribeira Grande na Igreja dos Franciscanos, da Senhora de Guadalupe… Quem não gostou muito da troca foi a minha prima Maria da Vila que nem admite pensar que lhe “transfiram” o Senhor da Pedra para a minha cidade-norte!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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