2 de junho de 2019

Divorciados do poder

1- Depois de ter sido divulgado o estudo mandado fazer pela Assembleia Legislativa dos Açores para determinar as causas da abstenção na Região, e ao qual fizemos referência detalhada, os resultados verificados nos Açores nas eleições para o Parlamento Europeu representam um enorme “cartão vermelho” para os partidos políticos com expressão na Região.  
2- Fazendo uma breve análise ao que se passou, concluímos que o eleitorado rural é mais abstencionista do que o eleitoral urbano, o que quer dizer que as forças políticas não têm feito o trabalho necessário junto dos eleitores, deixando-os à mercê da opinião publicada, nem sempre a melhor, levando a um descrédito por falta de esclarecimento e de contraditório.  
3- Vive-se uma crise pela ausência de liderança política responsável e competente e as consequências daí resultantes serão, num futuro muito próximo, desastrosas para o regime autonómico e para o futuro da Região. 
4- Não podemos ficar satisfeitos só pelo facto de se ganhar eleições num escrutínio que contou com a participação de 18% dos eleitores inscritos, quando se recebe da União Europeia um envelope financeiro, sem o qual andaríamos de mão estendida e pé descalço, à procura das migalhas para se sobreviver.
5- O povo tem de perceber o que é que está em jogo, mas isso exige uma alteração profunda no comportamento dos responsáveis políticos, dos responsáveis pelas associações de classe e das demais instituições com papel relevante na sociedade. 
6- Não se pode governar com uma agenda política assente na propaganda do bem parecer para ganhar votos.
7- O voto tem de ser conquistado pelas propostas executadas ao longo da legislatura em consonância com as necessidades da comunidade e pela concertação permanente entre eleitos e eleitores. 
8- Isso exige mudanças que estão já elencadas, e muito trabalho. Precisa-se de interacção entre Governo e governados, entre dirigentes partidários militantes e simpatizantes, entre os cidadãos e as organizações que os representam. Tudo isso exige muito mais do que  posts nas redes sociais.
9- Se não formos capazes de constituir um modelo político e social que responda às alterações comportamentais que o novo Milénio causou, estaremos a contribuir para uma sociedade autogestionária e libertina, capaz de arruinar qualquer regime de governação democrática, por acção ou pela inacção dos seus responsáveis directos.
10- Quando se ouvem vozes a pedir mais presença de Lisboa nos Açores ou quando alguém defende que se deve suspender a Autonomia por uns tempos para recomeçar depois, são sinais alarmantes que têm de ser atendidos para cuidar das causas e cortar os males pela raiz, enxotando para longe tão nefastos desejos.
11- Precisamos de uma sociedade saudável e se ela apresenta sinais evidentes de doença, temos de encontrar meios para a curar, sem ser necessário recorrer a qualquer revolução.
12- Para isso, é bom lembrar o que fomos, o que somos e o que pretendemos ser no futuro, sendo certo que a mudança que precisa fazer-se precisa de elites competentes, respeitadas e respeitadoras.  

              
 

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Categorias: Editorial

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