Aluna da Escola Antero de Quental foi a escolhida

Júlia Mestre vai representar Portugal nas Olimpíadas Internacionais de Astronomia

 De 2 a 10 de Agosto a cidade de Keszthely, na Hungria, irá receber centenas de jovens estudantes de todo o mundo que ali estarão para participar nas Olimpíadas Internacionais de Astronomia, onde irá também competir Júlia Mestre, aluna do 12.º ano da Escola Secundária Antero de Quental e que, à semelhança de André Gomes, irá representar Portugal e os Açores numa competição internacional.
Para a aluna do curso de Ciências e Tecnologias desta escola, a participação nas olimpíadas chegou como uma surpresa, uma vez que na competição a nível nacional se terá qualificado em quinto lugar, ficando entre os dez melhores resultados sem ser, no entanto, apurada para a fase seguinte onde competem alunos de diversas nacionalidades.
Nesta competição nacional, que se realizou em Coimbra, o melhor resultado pertenceu ao aluno açoriano que irá representar Portugal e os Açores em Israel, nas Olimpíadas de Física, porém, devido à sua participação num congresso em Londres que ocorrerá na mesma data das Olimpíadas de Astronomia, foi em Júlia que recaiu a escolha lógica quando se tratou de se encontrar o seu substituto, uma vez que era a aluna com melhores resultados logo a seguir aos quatro alunos portugueses já seleccionados, uma feliz coincidência por se tratar de outro aluno da mesma escola.
“Em Coimbra anunciaram os quatro melhores resultados e não divulgaram a classificação dos restantes participantes, por isso não sabia em que lugar estava. Só soube que ia passar quando o professor José Rebuge me mandou um e-mail a dizer que o André não poderia ir e que eu tinha sido seleccionada”, relembra a aluna.
Contudo, para chegar até este momento, Júlia Mestre participou duas vezes nas provas regionais e nacionais que lhe permitiriam alcançar a prova internacional, ficando em ambas as ocasiões em quinto lugar, resultados que em muito orgulham a comunidade escolar.
“No ano passado o meu professor de química falou das Olimpíadas de Astronomia e pareceu-me algo interessante. No entanto, não me esforcei muito porque era algo que queria fazer pela diversão e acabei por não passar, mas este ano o professor falou nisto de novo e como seria uma oportunidade diferente eu dediquei-me mais, fiz as provas antigas, fui pesquisando sobre estes assuntos na internet e desta vez passei”, conta a aluna.
Quanto à astronomia, a aluna da Escola Secundária Antero de Quental salienta que este foi um gosto que foi desenvolvendo ao longo do tempo e que sempre foi alimentado pelos filmes e documentários que via e pelos livros que lia: “Sempre gostei muito de ciência e de matérias como a matemática e a física, via muitos documentários sobre estes assuntos e lia livros de ficção científica e por isso foi um gosto que fui aprofundando”.
De momento, tendo em conta que os alunos do secundário estão, de uma forma geral, a estudar para os exames nacionais que poderão contribuir para decidir o seu futuro académico, Júlia Mestre salienta que irá manter as expectativas baixas quanto à perspectiva de conseguir uma medalha para o país e para a região que irá representar.
“É uma honra e um privilégio ir representar os Açores e Portugal na Hungria, tenho noção de que é muito difícil até porque participam imensos alunos de vários países, mas eu vou dar o meu melhor e vou esforçar-me. De momento vou manter as minhas expectativas baixas, mas acho que será uma experiência enriquecedora”, diz a aluna.
De acordo com Júlia Mestre, as provas a realizar este ano terão algumas diferenças em relação às que foram já realizadas no passado, uma vez que este ano as equipas que irão realizar as provas em conjunto serão compostas por pessoas de vários países, em vez de serem compostas apenas pelos quatro alunos portugueses.
Apesar de este ser um momento em que os exames nacionais têm prioridade, a preparação para as olimpíadas tem sido feita, sobretudo, à distância, conta a aluna: “O professor que nos está a acompanhar vai mandando exercícios todas as semanas e disponibilizou também alguns livros em PDF para irmos dando uma vista de olhos. Será um pouco complicado com os exames dedicar-me a 100% mas assim que terminarem vou esforçar-me mesmo”.
Apesar de se colocar a possibilidade de vir a frequentar uma escola de preparação para as olimpíadas, onde em conjunto com os outros seleccionados poderá resolver problemas e exercícios, “será difícil por conta dos horários incompatíveis”, e por isso, de momento, é tudo feito à distância e com recurso a vídeo-chamadas ou por e-mail, aspecto que sente dificultar a sua preparação devido à ausência de “contacto real” com aqueles que orientam esta parte do percurso até às olimpíadas.
Na preparação para as provas nacionais, também o Observatório Astronómico de Santana (OASA) teve um papel importante, salienta a aluna, uma vez que tem sempre manifestado interesse em apoiar os alunos que participam nestas olimpíadas a nível regional ou nacional, tendo possibilitado a realização de uma sessão individualizada para esclarecer dúvidas sobre questões mais práticas, relacionadas com telescópios, por exemplo, ou até “simulando o céu de Coimbra no dia da prova, sem nuvens”, conta.
Nos seus tempos livres diz ter tido sempre uma vida “muito normal”, onde apesar de se esforçar sempre para atingir os melhores resultados possíveis, sempre tentou guardar “tempo para descansar e para fazer outras coisas de que gosto”, tendo já praticado desportos como natação, voleibol e patinagem e actividades como o desenho.
Quando soube que iria ter a oportunidade de participar nas Olimpíadas de Astronomia, e de tentar alcançar uma medalha para a Região e para Portugal, Júlia Mestre salienta que também a sua família ficou muito feliz, e que “embora não trabalhem na área”, sabem que estes são assuntos que lhe interessam e por isso a apoiam nesta competição realizada a nível internacional, apoiada pela Sociedade Portuguesa de Astronomia.
Apesar do seu gosto por esta área de estudos, a aluna da Escola Secundária Antero de Quental salienta que não tem, em relação ao seu futuro, “nenhum plano definido”, afirmando que a única coisa que sabe é que “quer continuar a estudar estas disciplinas, em princípio na capital, por ser onde existem mais oportunidades” nestas áreas.
De acordo com o professor José Rebuge, por não ser usual ter alunos açorianos nas olimpíadas internacionais, o facto de a Escola Secundária Antero de Quental ter conseguido qualificar dois alunos para duas olimpíadas distintas é motivo de orgulho e uma forma de demonstrar o trabalho que é desenvolvido pelos alunos no decorrer do ano lectivo.
Por outro lado, tendo em conta que os bons resultados não se medem apenas pelas participações nas olimpíadas realizadas a nível internacional, o professor de Física e Química aponta que “o facto de a Júlia ter sido seleccionada para a prova nacional já é muito bom, ficou a nível nacional entre os 10 melhores, e isso é excelente”, diz.
No caso da astronomia, José Rebuge adianta que pelo facto de a astronomia não fazer parte de alguns programas, esta é uma área “só mesmo para quem gosta” e onde “os alunos empenhados e interessados” conseguem sempre chegar.

 

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