Número de doações de sangue no Serviço de Hematologia do Hospital do Divino aumentou 7% no último ano

Entre o mês de Maio de 2018 e o mesmo mês de 2019 houve um incremento de 7% no número de doações de sangue realizadas no Serviço de Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo, passando das 934 dádivas nos primeiros cinco meses de 2018 para as 997 dádivas no mesmo período deste ano, demonstrando assim uma tendência contrária à de Portugal continental, que ao longo dos últimos anos tem assistido a uma diminuição do número de dadores ou dádivas.
De acordo com a Directora do Serviço de Hematologia do hospital de Ponta Delgada, este crescimento “tem de ir ao encontro das necessidades”, uma vez que se “existirem mais pedidos de transfusão terá de haver uma maior reserva de sangue no Serviço, e gerir estas flutuações de forma a evitar o desperdício (sim, porque as unidades de sangue têm prazos de validade), é um desafio diário!”.
Assim sendo, pelo menos no momento, o ritmo de crescimento do número de doações satisfaz as necessidades do Serviço de Hematologia, considerando ainda que a política médica existente no domínio das transfusões é cada vez mais restritiva.
“Todas as necessidades são satisfeitas, isso é o primordial.  Actualmente, a política da Medicina Transfusional é cada vez mais restritiva. Ou seja, não há evidência científica que transfundir muito e manter valores de hemoglobina normais vai melhorar o quadro clínico do doente. E a classe médica tem esse conhecimento e, por isso mesmo só é realizada transfusão sanguínea quando é realmente necessário, e sempre de acordo com o estado da arte da Medicina actual”, explica Cristina Fraga.
Por outro lado, diz a médica, o aumento nas doações deve-se, sobretudo, “à forma como os potenciais dadores de sangue têm respondido às campanhas de divulgação nas redes sociais”, quer pelas partilhas que fazem nos momentos das dádivas, quer pela desmistificação “de tantos medos e receios”.
Para a página do Serviço de Hematologia são, afirma Cristina Fraga, enviadas “inúmeras mensagens com dúvidas simples”, que são devidamente respondidas de forma clara, incentivando sempre à dádiva que pode, inclusive, ser feita em pequenos grupos.
No que diz respeito ao número de doações no futuro e se deverão ou não continuar a aumentar, a médica hematologista explica que “tudo dependerá dos doentes da Região Autónoma dos Açores” e que “caso haja um aumento de pedidos de transfusão, ou de envio de unidades de sangue para outras unidades hospitalares na Região, haverá uma “aceleração” no aumento de dadores e dádivas”.
Entretanto, todo o trabalho de fidelização e sensibilização é actualmente realizado “por uma equipa empenhada e dedicada (…), onde muitas vezes são os próprios dadores de sangue que se tornam colaboradores do Serviço de Hematologia e sugerem melhorias para o circuito do dador de sangue no serviço”, salienta.
Para além de agradecer aos dadores individuais que chegam ao Serviço de Hematologia, Cristina Fraga salienta que estes resultados positivos devem-se também às parcerias que têm sido desenvolvidas com instituições e empresas, respeitando o plano anual predefinido e no qual são adicionadas, ao longo do ano e de acordo com a disponibilidade existente, novas sessões de recolha de sangue.
Para 2020, adianta a médica, estão a ser trabalhadas algumas “ideias e projectos”, afirmando que a próxima iniciativa que se deverá concretizar diz respeito ao “Dador de Plaquetas”, que terá como principal objectivo suprimir as necessidades de “doentes com plaquetas muito baixas, geralmente doentes com cancro e a fazer quimioterapia e/ou radioterapia, doentes transplantados e doentes com hemorragias graves”.
Actualmente são necessários entre cinco a seis dadores para obter uma quantidade suficiente de plaquetas para um doente, explica a Directora do Serviço de Hematologia e, por esse motivo, este novo projecto pretende obter o mesmo número de plaquetas utilizando apenas um dador.
“Através da dádiva de plaquetas por aférese o número de plaquetas obtido com um dador obtém o mesmo resultado sem qualquer prejuízo para o dador, mas para ocorrer esta mudança é necessário uma máquina, o equipamento de aférese de plaquetas e/ou eritrócitos”, explica.
 

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