Greve nos Açores está agendada para a primeira semana do próximo mês

Menos horas de trabalho nas Urgências e menos utentes por médico de família

Os médicos dos Açores, à semelhança dos de Portugal Continental, vão fazer greve no próximo dia 2 de Julho, sendo que no dia 3 será a vez da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) a concentrar-se em frente ao Ministério da Saúde, pelas 15h, em Lisboa.
Em declarações ao nosso jornal, André Frazão, Secretário Regional do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), afirmou que os problemas entre a Região e Portugal continental não são muito diferentes entre si. 
“A nossa posição é consonante com o que se passa a nível nacional, porque a maior parte dos problemas pelos quais vamos fazer greve são extensivos à Região, nomeadamente a progressão das carreiras, a revisão da grelha salarial, a redução do número de utentes de 1.900 para 1.550 gradualmente e a diminuição das 18 para 12 horas de urgência dos médicos hospitalares, o que levaria a um menor atraso nas consultas externas”, exemplifica o médico. 
De facto, esta é “uma luta por melhores condições de trabalho, mas é também uma melhoria que se vai repercutir e beneficiar os utentes, de forma indirecta mas também vai. Neste momento, o Serviço Nacional de Saúde (SNS), e isso não se passa propriamente na região, não é competitivo com as instituições privadas de prestação de cuidados de saúde. Por isso, os médicos estão a sair do SNS para irem para as instituições privadas”, denuncia. Como consequência disso, André Frazão teme que “o SNS brevemente não tenha médicos disponíveis para trabalhar, porque não compensa”.
Para o médico, a população também ganha com estas reivindicações, porque “a diminuição do número de utentes por médicos de família repercute-se numa maior disponibilidade dos mesmos para o atendimento”.
Questionado sobre o que é mais benéfico nos Açores em relação a Portugal Continental, André Frazão adianta que os concursos na região têm sido melhores, mas – de uma maneira geral – o paradigma é o mesmo. 
Não obstante a necessidade desta greve, o médico aproveitou o momento para frisar que “os médicos, de uma maneira geral, detestam greves e se as fazemos é porque sentimos que há uma necessidade extrema de mudar alguma coisa. Nesse caso não fomos minimamente ouvidos pelo Ministério da Saúde, não houve negociação, e o ministério continua a adiar a resolução destas situações”, denuncia.
André Frazão admite que “existe excesso de trabalho e este tem que ser feito, a carga de trabalho é elevadíssima e os médicos estão exaustos, sendo que podemos juntar a tudo isso o facto de não se sentirem valorizados profissionalmente pela tutela. (…) Fomos a carreira da função pública que mais perdeu o poder de compra, em mais de 20%, desde a Troika”.
O Secretário Regional garante que “a previsão é de uma adesão massiva, porque é preciso mostrar que estamos em desacordo com o que tem sido a orientação da tutela”.
Já sobre a greve que se realizará a 3 de Julho, a FNAM revelou em comunicado de imprensa que o Ministério da Saúde, passados quatro anos, se recusa a negociar questões como a revisão da carreira médica e das grelhas salariais, assim com a reversão das medidas impostas pela Troika. Tal como ambiciona o SIM, a FNAM quer a redução das actuais 18 horas de urgência dentro do horário normal de trabalho para as 12 e que a lista de utentes dos médicos de família seja progressivamente diminuída de 1.900 utentes para 1.550.

Acesso à formação 
especializada
Outro dos motivos que vai levar os médicos à rua é o acesso à formação especializada para todos os médicos, pois estes profissionais da saúde temem que, com a actual política do governo, fique em causa a especialização médica. 
Para esta organização sindical, são em excesso as horas que os médicos trabalham, o que prejudica a vida familiar dos mesmos e a qualidade de vida e de saúde, havendo mesmo um elevado risco de burnout. Por tudo isso, é convicção da FNAM que estas medidas governamentais têm sido motivo de fuga dos médicos do SNS, trazendo uma crescente desmotivação e ausência de perspectivas de progressão na carreira. 
O objectivo final dos médicos é simples: “respeito integral pela legislação laboral médica sobre horários de trabalho e descanso compensatório”, diz a FNAM.
Para garantir que o Serviço Nacional de Saúde mantenha os seus médicos e os cuidados de saúde de qualidade necessários para assistir a população, os médicos pedem a abertura de concursos para todos os graus da carreira. De uma forma geral, com estas greves os médicos pretendem lutar pela sua valorização pessoal e por condições de trabalho dignas. Desta forma, com estas duas marcações de greves, os médicos podem parar durante dois dias seguidos.                                  

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