Governo chama Administração da SATA para pedir explicações dos constrangimentos que a companhia área atravessa

A propósito destes constrangimentos ope-racionais que se fizeram sentir, a Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas solicitou uma reunião com o Conselho de Administração da SATA.
A reunião que decorreu ontem de manhã visou “perceber, não só, as razões desses constrangimentos e também apurar, e trabalhar naquilo que se pode fazer, para que, no mínimo, não voltem a acontecer”, disse a Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas, no final da reunião.
Paralelamente “foram abordados também outras questões, como alguns constrangimentos com os passageiros que se assume, que existem, em todas as situações de irregularidades, não só nas que afectaram estas duas ilhas, mas também, em geral, doutras situações de irregularidades que têm acontecido e que têm sido, felizmente, resolvidas doutra forma”, precisou Ana Cunha.
Sobre as razões dos cancelamentos do fim-de-semana falou Ana Azevedo, administradora que tem a gestão operacional da Azores Airlines: “Foram três cancelamentos, um devido a razões técnicas, foi um pequeno pássaro que entrou no motor do avião e houve a necessidade de se reparar e já não foi a tempo útil de fazer o voo naquele dia, e teve de ser reposto para depois, e houve dois cancelamentos por falta de tripulação técnica. Já no início do mês aconteceram dois cancelamentos pelas mesmas razões”. 

Mais pilotos a contratar

Ana Azevedo relevou ainda que “a dotação de pilotos da SATA ainda não está com os níveis desejados para a frota que tem, e tal tem a ver com a conjuntura do mercado que todas as companhias enfrentam, em que a procura é maior do que a oferta”. A este propósito, “a SATA começou a trabalhar nisso no terceiro trimestre do ano passado, a admitir novos pilotos, a promover pilotos a comando, a fazer reconversões das frotas que foram extintas para a nova frota. É um processo moroso, alguns pilotos já foram alocados, outros continuam no processo de treino, mas entretanto saíram mais pilotos, porque há este dinamismo no mercado, pelo que recentemente abrimos mais um concurso para admitir mais pilotos. Portanto, estes constrangimentos sentem-se na nossa operação em geral, é mais fácil resolver a substituição nos aeroportos do tipo, Ponta Delgada, Terceira e Santa Maria, porque facilmente faz-se uma subcontratação a outra empresa, mas no caso do Pico e da Horta isso não é possível, porque são aeroportos complexos, que exigem qualificações especiais de pilotos para lá operarem e, neste momento, sendo a SATA Internacional a lá operar, com esta categoria de aviões e de aeroportos, não é possível ir buscar ao mercado outras companhias que façam essas operações”.  
Ressalvando, do mesmo modo, poderem surgir imponderáveis, “como alguns pilotos que meteram baixa médica”, a formação e treino “é um processo que a Administração da SATA conta resolver a médio prazo. A curto prazo é andar muito em cima da situação para que isto não aconteça, e sobretudo, se acontecer, sermos mais eficientes na comunicação com os nossos passageiros. Admitimos que a nossa gestão de irregularidades não é a mais eficiente, estamos a rever os processos neste momento, sobretudo com vista, para que, tão breve quanto possível, os nossos passageiros estejam informados de que, algo está a acontecer e estamos a oferecer alternativas para os encaminhar”.

Verão sem sobressaltos

Entretanto, tudo se conjuga para que toda a operação de voos da SATA no Verão decorra sem sobressaltos. Aliás, como disse, a responsável pela gestão operacional,  “todo o plano está feito para que não aconteçam”.
Neste momento, a SATA Internacional tem 60 pilotos, incluindo aqueles que estão em formação e treino. “O nosso objectivo, para a frota que temos, é termos 90 pilotos. Isto significa que, para aqueles que existem há uma grande sobrecarga de trabalho, inclusivamente estamos a pedir-lhes que trabalhem em folgas e férias, e eles têm dado respostas positivas, porque compreendem a situação que estamos a viver”. 
Ana Azevedo enumerou que “o objectivo imediato é a contratação de mais 10 pilotos”, já que o concurso está aberto para pilotos que já têm qualificação.
Em relação a contratação de outros pilotos, para os 320, o processo de formação é mais moroso. “Estamos a falar de um processo de seis meses”.
Ana Azevedo sustentou ainda que “as outras empresas têm os mesmos tipos de constrangimentos que a SATA tem, mas a pontualidade não tem nada a ver com a falta de pilotos, mas com outro tipo de constrangimentos. A pontualidade levar-nos-ia a falar de outro tipo de constrangimentos, designadamente do facto de se operar em ilhas”.
“Alguns pilotos saíram da SATA como estão a sair de outras empresas. 
Nem tudo é dinheiro para os pilotos, mas também tem a ver com outro tipo de operação. Há outras empresas que pagam mais, mas também há pilotos da SATA que saíram, mas já pediram para voltar, porque as outras empresas obriga-os a estadias muito longas, por exemplo, estar fora de casa e da família”, acrescentou.

Melhorar os processos internos

Tempo ainda para o Presidente do Conselho de Administração da SATA reforçar que a empresa está a trabalhar fortemente para melhorar os seus processos internos. “Nem que seja através de parceiros externos, que em alguns aeroportos nos prestam esse tipo de serviços, de apoio e acompanhamento. Agora existe aqui um conjunto de processos internos, que têm e estão de ser trabalhados, no sentido de, o mais breve possível, termos um melhor serviço a prestar aos nossos clientes”.
Entretanto, a greve que estava programada de 22 a 1 de Julho foi cancelada, conforme revelou António Teixeira. “A greve foi suspensa, estamos num plano de negociações e amanhã (hoje) iremos sentar-nos à mesa com o sindicato”.
O Presidente do Conselho de Administração da SATA também disse que esta realidade “já foi comunicada ao Departamento Comercial”, para que tudo decorra dentro da normalidade.

 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima