Todos os caminhos vão dar a São Vicente Ferreira

São João da Atafona celebrado com petiscos e muita música fomenta convívio entre gerações

Começou por ser uma pequena celebração realizada entre um pequeno número de vizinhos da Rua da Atafona para celebrar o fim dos intensivos dias de trabalho no campo, entre as podas aos abrigos e as podas às vinhas dos terrenos de São Vicente Ferreira, que resultavam numa fogueira ao fim do dia e num cálice de aguardente ou vinho abafado oferecido pelas adegas que ali existiam.
De acordo com Paulo Cabral, um dos responsáveis pela organização da festa que anualmente enche a Rua da Atafona de luz e flores no mês de Junho em honra de São João, esta é a versão que é contada pelos mais velhos da freguesia, explicando, no entanto, que a festa ganhou outra dimensão quando um dos moradores, há cerca de 15 anos, resolveu trazer um grelhador para a rua.
“Esta é a história que nos chegou pelos mais velhos. Foi-se mantendo todos os anos esta tradição até que o filho de João Carlos Botelho resolveu colocar um grelhador na rua e trazer algumas coisas para grelhar, como chouriços ou sardinhas, e os vizinhos começaram também a aparecer com outras coisas para grelhar”, conta.
A partir desse momento começaram ali a reunir-se famílias inteiras e respectivos amigos, resultando numa festa onde há na rua “uma quantidade muito grande de comida para partilhar com todos”, tendo como objectivo na véspera das festas em honra de São João proporcionar “um bom serão com grande espírito de partilha”, salienta Paulo Cabral.
Como vem sendo tradição, aquela que será a rua mais movimentada de São Vicente Ferreira a partir de amanhã, irá encher-se com mais de 2500 flores de plástico numa extensão de 125 metros, acompanhada pela iluminação adequada que irá conferir ao local o ambiente acolhedor que pretende transmitir, tornando-se assim “no jardim perfeito”. 
Este ano, na Rua da Atafona, a festa irá iniciar amanhã de forma excepcional, aproveitando o feriado religioso que, ao serão, poderá dar lugar a um momento de convívio passado em família, onde haverá oportunidade para saborear o caldo de peixe que será confeccionado pelos moradores da rua, na sua maior parte homens, adianta o porta-voz da organização da festa em causa. Quanto aos restantes dias da festa, serão servidos de forma gratuita, à excepção das bebidas, frango, sardinha e porco no espeto.
Para além das várias gerações que estarão em contacto umas com as outras, sendo este também um dos principais objectivos da festa, a forma como a festa de São João da Atafona tem crescido permite ainda envolver outros concelhos, como acontece com o concelho de Lagoa que já há vários anos faz desfilar naquela rua algumas das suas marchas.
Assim, a animação musical começará na Quinta-feira com a dupla “Doce Sinfonia – Pedro e Cátia”, dando lugar no dia 21 de Junho à charanga dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande e ao desfile de várias marchas levadas a cabo por miúdos e graúdos, tal como a marcha sénior do Centro de Dia de São Vicente Ferreira e a marcha do ATL da Escola de São Vicente, que contará com a participação de marchantes de outros ATLs do concelho, subordinada ao tema “Marcha do Amor”.
Na noite de Sábado há ainda lugar para a marcha executada pelo ATL da Escola dos Arrifes, com o tema “Crescendo Brincando”, seguindo-se a marcha dos Amigos do Rosário que terá como tema “O Mar” e a marcha da Associação Cultural Recreativa dos Remédios da Lagoa com o tema “O Lavrador”, ambas acompanhadas pela Orquestra Estrela D’Alva de Santa Cruz, na Lagoa.
Por último, no dia 22 de Junho, último dia dos serões de convívio na Rua da Atafona, dar-se-á lugar ao Grupo Recreativo Domingos Rebelo, culminando na actuação musical do grupo Explosão Radical e Carlos Galvão.
Fazendo o balanço dos últimos 15 anos, Paulo Cabral afirma que “a festa tem crescido muito porque as pessoas gostam do espírito que ela transmite e da forma como ela é organizada”, adiantando ainda que apesar de ter “tudo para crescer” este não é o objectivo da organização, uma vez isso poderia interferir com “o espírito de camaradagem e amizade que se vive nestes serões”.
Segundo Paulo Cabral, as novas gerações encaram esta festividade já com naturalidade, sendo um dos objectivos “que vejam, que convivam, que garantam o futuro das festas e que lhe tomem o gosto” para que, no futuro, possam também fazer parte desta organização.
 

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