23 de junho de 2019

Coisas do Corisco

Perguntas que gostaria de fazer

Existem imensas perguntas que gostaria de fazer. E gostaria de as fazer não só para me esclarecer, mas fundamentalmente para que a nossa gente seja informada sobre muitas questões que, não sendo abordadas e depois esclarecidas, passam escondidas, como que hibernando, deixando transparecer a ideia que a nossa cidadania é um mar de rosas.
Por isso, como estamos a viver numa democracia, compete a cada qual, como pagante do funcionamento da máquina do estado, o direito de questionar o nosso Governo, assim como todo o seu elenco, sobre aquilo que nos pesa, o que nos aflige, o que nos causa preocupação, enfim sobre tudo aquilo que deveria ser feito ou requer  o esclarecimento necessário para que a democracia ganhe a luz que ilumine as nossas vidas no percurso que a liberdade consente.
Uma das perguntas que gostaria fosse esclarecida pelo Presidente do Governo Regional dos Açores, ou de alguém responsável pelo pelouro da saúde, prende-se com questões, ao que tudo leva a crer, escondida sno saber de uns poucos, para que não se assuste a populaça: como se a mesma só fosse importante para lhes dar o seu voto, sustentando-lhes o vício.
Pergunto, por isso,  ao Dr. Vasco Cordeiro, porque razão sendo os Açores uma zona  praticamente sem poluição, uma das menos poluídas do mundo; Com peixe e carnes produzidas naturalmente, livres dos malefícios da esmagadora maioria dos venenos que abusivamente se usam no sector alimentar  mundial;
Vivemos numa terra onde o stresse não nos apoquenta, endoidece, e fustiga, como sucede na maioria dos centros populacionais mundiais; 
Porque razão, então, tendo nós todos esses benefícios, os Açores são a zona do país com a mais elevada mortalidade padronizada de cancro em Portugal?
Para que se registe, somos a região do país com a mais elevada incidência de cancro do colo do útero aparecendo, distante, em segundo lugar, a região metropolitana de Lisboa com menos 50%do que os Açores; somos a região do país com maior número de óbitos com cancro do pulmão, seguidos pelo  Algarve com menos 33% e da zona metropolitana do Porto com menos 30%; naquilo que diz respeito ao cancro da mama, somos os lideres de óbitos no país, seguidos das Beiras e da Zona Oeste com cerca de 25% menos; somos, ainda, a terceira região nacional com cancro da próstata, a seguir à Região Tejo e Beira Baixa; assim como somos a sétima região nacional com maior número de óbitos com cancro do estômago, colados às Regiões Douro, e com a Madeira com menos 50% de óbitos do que nós.
Pergunta-se, portanto, ao cidadão  mais directamente responsável pelos destinos políticos dos Açores, o Presidente Vasco Cordeiro, porquê essa estúpida incidência de cancro nos Açores?
Se não temos poluição, não temos o nosso mar doente, come-se carne essencialmente de gado feliz, e não temos stresse, porque raio temos então esses enormes padrões nacionais de mortes devido a cancros?
Não acha o Senhor Presidente dos Açores que nós açorianos temos o direito de saber o que se passa para que tomemos as devidas precauções para evitarmos as doenças cancerígenas que mais gente matam em todo o país?
Ou vai continuar a fazer-se ouvidos de mercador como fizeram comigo e outros colegas nos Serviços de Desenvolvimento Agrário, onde me puseram, durante 10 anos, a trabalhar num gabinete sujeito a radiações de radão?
Sofro, hoje em dia, de uma doença pulmonar grave, sem cura portanto, e  nada me garante que a causa principal da minha doença respiratória, não tenha sido devido à longa exposição que me submeti, àquele gás radioativo.
Será que alguém me deu satisfações quando João Luís Borges, numa entrevista sua, declarou em 6 de Novembro de 2013, que se tinham detectado níveis anormais de gás radão junto aos Serviços de Desenvolvimento Agrário de S. Miguel?
Simplesmente esconderam tudo, desrespeitando cobardemente a minha saúde pois eu como os meus colegas éramos gente que não merecia sequer essa explicação é terem-nos mudado para um gabinete não sujeito ao gás. Quando me reformei, há 10 anos, recomendaram a mim e colegas fazer exames de rastreio aos possíveis danos que poderemos  ter tido por nos expormos àquela gás radioativo?
Para que se saiba o gás radão/ rádon/radoneo, é um elemento químico, com o símbolo Rn , e é o gás mais pesado à face da terra, radioativo, perigoso, presente no solo, e que foi sempre esquecido pelos sucessivos governos que nada fizeram no país pelas populações em risco.
Perante esse silencio governativo, cobarde diga-se, nunca os sucessivos governos dos Açores explicaram o que era o radão, onde existia, porque era perigoso, e como se poderia prevenir.
Eu, como certamente os meus colegas que trabalharam anos, e anos naqueles gabinetes, sentimo-nos usados pela má fé existente dos responsáveis regionais que nos deixaram, sem o mínimo pudor ou respeito, respirar, dia após dia, aquele perigoso gás. Por isso, pelo forma ultrajante como me trataram, pela falta de respeito que foi usada para comigo, vou acusar e reclamar dos crápulas que me usaram, todos os meus direitos, embora saiba que a minha doença respiratória  não tem cura, assim como a minha mobilidade e qualidade de vida tenham diminuído substancialmente.
De certeza absoluta que vou agir até às últimas consequências para que essa gentalha que me usou, pague todo o mal que me fez.

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima