Robert Câmara sobre o adiamento de 12 clubes do Campeonato de Futebol dos Açores 

“Não seria prudente avançar com o alargamento neste momento”

O argumento da diminuição do número de clubes por parte da Direcção Regional do Desporto para não haver alargamento é justificação forte para que não haja, para já, alargamento do Campeonato de Futebol dos Açores para 12 clubes?
É, sem dúvida, um argumento muito válido. Aliás, uma das maiores preocupações relativamente a um eventual alargamento do número de equipas participantes numa qualquer prova de cariz regional é, justamente, a garantia de manutenção do número de equipas nas provas de cada uma das diferentes ilhas uma vez que são, justamente, essas provas que, de forma transversal, permitem o acesso à prática desportiva federada da vasta maioria dos nossos atletas.
Não seria prudente avançar para o alargamento pretendido sem termos em conta a recente redução, muito significativa, do número total de equipas séniores masculinas a praticar futebol federado que se registou nos últimos dados estatísticos conhecidos.

A maioria dos clubes da Associação de Ponta Delgada era a favor do alargamento, mas o Presidente defende um modelo de apuramento dos clubes para o campeonato açoriano com os melhores dos campeonatos de ilha disputados antes e na mesma época. Seria o modelo ideal sem lutas para as descidas.
A questão não pode ser colocada desta forma. A AFPD, no início do processo de análise de eventuais alterações ao modelo competitivo do campeonato dos Açores, fez questão de chamar todos os nossos clubes filiados ao processo de discussão, instando-os a pronunciarem-se sobre os vícios e virtudes da prova e incentivando cada clube a apontar sugestões que pudessem alicerçar o nosso processo de decisão, procurando que daí vertesse um conjunto de soluções resultantes do contributo de todos e de cada um.
Participei neste processo democrático de forma muito entusiástica, partilhando as minhas opiniões com cada um dos responsáveis de clubes que participou nas diferentes reuniões tidas para o efeito, expressando sempre a ideia de que qualquer opinião expressada por mim ou por outro colega de Direcção seria apenas isso – mais uma opinião. Nunca condicionamos a análise crítica de qualquer responsável de clube.
Partilhei em tempo útil os traços gerais daquilo que preconizo como modelo competitivo para a prova regional e que, de forma muito sucinta, passa por uma prova de duas fases em que a primeira é disputada localmente, apurando-se para a segunda fase inter-ilhas, as equipas melhor classificadas de cada uma das ilhas.

O Presidente do Vale Formoso já veio dizer que não irá parar a luta pelo alargamento. Será que as Associações terão de encontrar argumentos mais fortes para convencer a DRD?
Com os dados conhecidos, e para qualquer alteração que se queira implementar, terão de ser encontradas soluções adequadas e argumentação consistente não para convencer a DRD mas sim para garantir a sustentabilidade dos modelos competitivos de cada uma das ilhas e do todo regional.
A DRD e as associações regionais são parceiros com o objectivo comum de promover, de forma sustentável, o futebol e o futsal na Região.

- Quando vão reunir com os clubes para apresentar esta posição do não alargamento e encontrar uma nova solução que deve passar pelos 12 clubes?
Temos uma reunião de preparação de nova época agendada para 2 de Julho. Nesta reunião, os nossos clubes partilham connosco a análise da época que agora termina e apresentam sugestões para a próxima época.
Nesta altura são abordadas questões transversais a todos os escalões de formação não permitindo que se discuta, com grande acuidade, a temática do Campeonato de Futebol dos Açores.
Na referida reunião, e de acordo com a vontade da maioria presente, agendar-se-á uma reunião para efeitos de discussão do modelo competitivo do Campeonato dos Açores.

 “CRITICAS? VALEM O QUE VALEM”

- Há justificação para as Associações demorarem cerca de um ano para apresentarem o documento que a DRD pediu com os argumentos justificando o alargamento?
Os argumentos para o alargamento foram partilhados em reunião tida entre as associações, clubes participantes na prova e a DRD. Relativamente a isso nunca existiu qualquer dogma.
Na sequência desta primeira reunião, cada associação promoveu reuniões com os seus restantes clubes associados – aqueles que não participavam, na altura, no CFA.
O resultado dessas reuniões foi sempre partilhado. A determinada altura, contudo, concluiu-se da necessidade de encontrar outros argumentos que pudessem melhor justificar a pretensão da maioria dos clubes. Para tal, ficamos de elaborar um documento a expor tais argumentos.
Ora como o que se pretende é a promoção sustentável da modalidade, alicerçada em factos concretos e verdadeiros, incorremos numa dificuldade que de forma equilibrada havemos de superar.

- Concorda que a organização da edição deste ano do Campeonato dos Açores a cargo da AFPD poderia ter corrido melhor, face a algumas críticas que foram surgindo ao longo da época?
Qualquer organização de prova tem sempre espaço para melhoria. Contudo, a prova correu sem sobressaltos, estando perfeitamente consolidada. As críticas dos intervenientes diretos da prova são muitas vezes condicionadas por interesses casuísticos dos próprios e valem o que valem.
Ao avaliar a competição que agora termina, é preciso ter em conta a grande dificuldade logística de que se revestiu a prova com a participação, por exemplo, de três equipas provenientes da Graciosa. Tentamos sempre mitigar as dificuldades daí advenientes, permitindo a alteração de horários de jogos, tentando conciliá-los com os horários de voos disponíveis, por forma a não prejudicar os diversos agentes desportivos envolvidos, que são, é preciso não esquecê-lo, amadores.
 

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Categorias: Desporto

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