23 de junho de 2019

Gestor credenciado procura-se

1- Há precisamente uma semana atrás, numa entrevista dada ao Correio dos Açores, Roberto Amaral, ao ser interrogado sobre os quatro anos em que foi administrador da SATA, entre 1985 e 1989, dizia: Não conheço, em profundidade, os problemas com que a SATA se debate actualmente. No entanto, tenho a convicção de que não deixaria nunca a SATA chegar à crise de que todos falam e que, a cada dia que passa, torna mais difícil a solução.
2- O entrevistado sabia do que falava porque durante quatro anos foi administrador da empresa e foi secretário Regional das Finanças entre 1996 e 2004.
3- Hoje, os transportes aéreos e marítimos nos Açores transformaram-se num pesadelo para quem tem o encargo de gerir o sector, e para os cidadãos também, devido ao deficiente serviço que é prestado e pela incapacidade das empresas do para responder à procura interna e externa.
4- A mobilidade dentro das Ilhas e para o exterior faz-se por via aérea e o tráfego dos residentes cresceu, acompanhando a evolução social e económica da Região.
5-  Na sequência do que sempre aqui defendemos, as pessoas começam a perceber a importância que assume uma empresa de transportes aéreos da Região, e estão cientes da prisão que o seu colapso provocaria de um momento para o outro. 
6- Ao consultarmos o plano de voos da SATA para o período compreendido entre 31 de Março e 26 de Outubro 2019  (Verão IATA) verificamos o seguinte:
7-  A oferta de ambas as transportadoras é incrementada em cerca de 6% no que respeita à operação aérea da SATA Air Açores e em cerca de 1% no que respeita à oferta da SATA Azores Airlines. Ao todo, serão disponibilizados cerca de 820 mil lugares na operação aérea de Verão 2019 da SATA Azores Airlines e 692 mil lugares na operação aéreas inter-ilhas da SATA Air Açores.
8- A SATA Azores Airlines chegará a realizar um total de 42 voos semanais intercontinentais, provenientes dos EUA (Boston e Oakland) e do Canadá (Toronto e Montreal). A estes acrescem mais 18 voos semanais de médio-curso da Europa (Frankfurt e Londres); dos arquipélagos de Cabo Verde e Canárias com destino final ou passagem por Ponta Delgada (Ilha de São Miguel) ou pelas Lajes (Ilha Terceira).
9- No que respeita às ligações domésticas (Lisboa, Porto e Funchal) serão realizadas mais 4 ligações semanais (comparativamente a 2018), entre Junho e Setembro, e mais 2 rotações semanais, nos restantes meses, o que resultará na oferta de 30 mil lugares suplementares.
10- De igual modo, a operação inter-ilhas da SATA Air Açores reforça o número de ligações a efectuar afim de poder disponibilizar 40 mil lugares suplementares, quando comparado com o planeado para 2018.
11- Perante este ambicioso plano, urge perguntar se os meios humanos e de equipamento do Grupo SATA estavam adequados para a ele responderem com segurança.
12- Pelos vistos não estavam, e isso advém de má gestão ou de impreparação dos seus responsáveis.
13- Alega-se que há falta de pessoal de voo, mas essa falta não é de agora e devia ser prevenida a tempo de se cumprir com as obrigações criadas com a apresentação pública de um Plano que não se pode pelos vistos ser cumprido. 
14- Onde estão os jovens pilotos dos Açores? Porque é que não se cria um programa de cursos de pilotos e consequente formação apoiado oficialmente e com obrigações de permanência na Região por uma década por exemplo? 
15- A crise da SATA é uma crise que começa pela gestão, e o remédio é lançar um concurso internacional para um gestor credenciado para o efeito.
16- A crise que permanece na SATA tem de ter um fim rápido, porque os prejuízos vão crescer e os meios para salvar a empresa poderão não chegar a tempo.
17- Este é um assunto que diz respeito ao accionista que é a Região, mas interessa a todos os Açoreanos.
        

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Categorias: Editorial

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