12 de julho de 2019

A imprudência Bernardo Sousa

FINAL ABRUPTO - A passagem de Bernardo Sousa pelo Campeonato dos Açores de Ralis acaba de forma abrupta. Acusou positivo um controlo antidoping efectuado no final do Rali Ilha Azul, na ilha do Faial, realizado em Março.
Numa assunção de culpa que se enaltece, o piloto da ilha da Madeira confessa ter ingerido doses a mais de um medicamento destinado a problemas brônquio pulmonares e que está interdito por ter influência física e mental no desempenho desportivo.
Os broncodilatadores constam da vasta lista de substâncias e de métodos proibidos pelo que, usados para além do que é permitido pelo código mundial antidopagem, podem originar situações aborrecidas para os atletas e para as entidades que representam.
Foi o que aconteceu.
Bernardo Sousa, com 32 anos de idade, com uma vasta presença em provas nacionais e mundiais, deveria estar ciente das causas para, de livre arbítrio, se automedicar sem consultar alguém que lhe elucidasse das consequências.
Sendo um dos candidatos às vitórias nas provas em que compete, a possibilidade de ser sujeito a controlos antidoping aumenta consideravelmente.
Ao ter acusado positivo o controlo, Bernardo Sousa criou um problema a si próprio e à equipa que há um ano e meio estava a representar. Um problema evitável e que não deixa de ser uma imprudência do conceituado piloto.
Louve-se a pronta intervenção de Bernardo junto dos directores, colocando o lugar à disposição para a equipa não ser prejudicada e assumindo a total responsabilidade pelo sucedido.
FALHANÇO - A chegada, em Fevereiro de 2018, de Bernardo Sousa à Play/AutoAçoreana Racing resultou de um processo de substituição dos irmãos Ruben e Estevão Rodrigues, por uma junção de acontecimentos onde se incluem os de ordem profissional.
A aposta num piloto de fora da Região e com um palmarés valioso visava a conquista do título no segundo ano do projecto.
Depois de uma estreia azarada no Azores Rallye de 2018, seguiram-se vitórias nos ralis Sical e Ilha Lilás, na ilha Terceira, e Ilha Azul, na ilha do Faial, com um 2.º lugar em Santa Maria. No penúltimo rali, que decorreu em Outubro na ilha do Pico, quando estava bem colocado para ser o vencedor e ficar muito mais perto do título, excedeu-se numa curva resultando num despiste.
Desistiu, originou o despiste de Luís Miguel Rego que vinha a seguir.
Seguiram-se acusações e defesas, pedidos de expulsão e explicações, uma multa de 3 mil euros e a suspensão preventiva da dupla de pilotos (mais tarde foi tudo arquivado pelo Conselho de Disciplina da FPAK). Um tema que virou folhetim.
A Play/AutoAçoreana acabou por decidir não colocar Bernardo Sousa a correr a última prova do campeonato, efetuada em São Miguel, abrindo as portas a Luís Miguel Rego e a Ruben Rodrigues para a conquista do título 
Mas por imperativos comerciais, a Play/AutoAçoreana participou no Rali Lotus com uma dupla espanhola, sendo Pepe Lopez o primeiro condutor convidado.
Este ano de 2019 era o ano de Bernardo Sousa se redimir e, enfim, dar à equipa de Ponta Delgada o ambicionado título. Estava tudo a correr da melhor forma, com a vantagem de quase 30 pontos para o campeão regional Luís Miguel Rego, apesar de faltarem 4 ralis para o final do campeonato.
Porém, eis que surge mais um tropeção inesperado, que impede Bernardo de estar na luta.
Realmente, a passagem do madeirense no projecto açoriano não correu bem. Falharam os objectivos e por questões que nada tiveram a ver com avarias mecânicas das viaturas ou de sub rendimento dos intervenientes.
QUE MAIS NOS IRÁ ACONTECER? Deve ser a pergunta que os responsáveis pelo projecto da Fábrica de Tabaco Micaelense, da Auto Açoreana e da Sports&You devem ter feito ou pelo menos lhes passou pela cabeça.
Sendo um projecto diferenciado, com uma estrutura profissional, com um investimento avultado, com o orçamento a ser alterado e inflacionado pelas contratações de novos pilotos, com a aquisição de uma viatura do topo, proporcionando condições aos condutores e navegadores que nos Açores muito dificilmente são equiparadas, dores de cabeça e preocupações aconteceram nas hostes da equipa.
Para chegarem ao título de primeiros condutores, terá Diogo Gago de vencer as provas que faltam, porque parte com um atraso de 43,92 pontos para Luís Miguel Rego. Mas não é só. Esperam que o campeão tenha mais algum percalço. A não acontecer, será um terceiro ano a animar os ralis.
A possibilidade de no quarto ano do projecto regressar um piloto açoriano ao volante do Citroën está sendo equacionada. Obviamente que será um piloto com credenciais e que possua capacidade para vencer. Numa estrutura do género, só se pode pensar em ganhar.
Projectos como os da Play/AutoAçoreana engrandecem os ralis e entusiasmam... Os entusiastas. Mas para vingarem e poderem prosseguir, só com resultados e sem incidentes ou acidentes como os que têm perseguido a equipa.


 

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Categorias: Opinião

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