14 de julho de 2019

Precisamos de novos políticos

1- A “crise Regional” ancorada na crise política, social e económica que hoje aflige quem consegue dispor do seu tempo para pensar e congeminar caminhos de futuro, foi dissecada e bem, pelo nosso colaborador residente do Correio Económico, Professor Monteiro da Silva, lembrando a montagem do novo modelo político e administrativo na década de setenta do século XX, e as consequências depois que veio a ter no peso do sector público regional, reconhecendo a influência para tanto, das particularidades de cada Ilha.
2- Na análise em questão é abordada uma temática crucial, e que se prende com a competitividade e a rentabilidade do sector empresarial público e privado da Região, e a influência política que o condiciona.
3- No fundo, o que está em causa são quatro grandes questões fundamentais. 
4- A primeira é saber até quando se pode manter o modelo vigente, que exige, de forma crescente, mais meios financeiros para o sustentar.
5- O segundo é conceber um modelo adequado para a próxima década, sendo para tanto importante o contributo dos conhecedores da nossa realidade arquipelágica, dos valores humanos que temos e das limitações do nosso mercado. 
6- O terceiro é acelerar o crescimento económico da actividade privada através de uma verdadeira mobilização do tecido empresarial regional.
7- E o quarto assenta em novas políticas com novos políticos, e porque não dizê-lo com novos partidos preparados para serem governo e oposição e não para serem máquinas que conduzam os carreiristas que neles militam a lugares de poder seja no Governo, na Assembleia Legislativa ou nos municípios.
8- Quando se refere novos, quer-se referir novos autores, independente da idade e do percurso de vida, porque os activos existentes estão esgotados e fora da validade.
9- O que se exige da política e dos políticos exige-se também dos dirigentes de outros poderes regionais que são fundamentais para se formatar e, depois, executar o novo modelo político, social, económico e cultural para a próxima década.  
10- Em 1995, o PIB per capita nos Açores era 81% do PIB nacional. Em 2015 esse valor era de 89%, o que equivale a uma recuperação de 8%. 
11- Comparando com o PIB médio da União Europeia, em 1995 o PIB nos Açores representava 62%, e em 2015, esse valor subiu para 68%, o que representa uma recuperação de apenas 6%.
12- Quer isso dizer que tivemos um crescimento ascendente entre 1995 e 2009 que estagnou, depois, entre os anos de 2009 e 2013 ficando nos 91% relativamente ao PIB nacional e 70% relativamente ao PIB da EU,  baixando depois para 89%  e para  68%  respectivamente.
13- Quer isso dizer que, apesar de todo o investimento realizado ao longo dos anos, em 20 anos os Açores fizeram uma aproximação de 8% relativo ao PIB nacional e de 6% relativo à EU, o que representa em relação ao investimento e ao esforço financeiro dispendido pelo sector publico e privado, nesse período, um crescimento muito modesto, e que origina os sinais de “crise regional” com que iniciamos a abordagem desta matéria.
14- Quando consultamos o VAB (Valor Acrescentado Bruto) dos Açores em 2016, que foi de 4,4 mil milhões de Euros, verifica-se que a administração pública, educação e saúde representam 1.020 milhões de euros, isto é um quarto do seu valor total.
15- Depois segue-se a actividade imobiliária e comércio por grosso e retalho, 876 milhões de euros; agricultura, pescas e produção animal, com 306 milhões; alojamento e restauração, 238 milhões; transporte e armazenagem, 184 milhões; industrias transformadoras, 154 milhões e construção, 124 milhões; ao que se junta 423 milhões distribuídos por um conjunto de actividades ligadas à área dos serviços.
16- Temos potencialidades para crescer no sector privado, mas isso pressupõe um Plano, inspirado no Plano Marshal, que junte recursos financeiros e humanos capazes de dar a volta aos constrangimentos que nos têm impedido de prosperar. 
17- Não se pode crescer sem uma indústria robusta e dinâmica e esse tem sido o nosso calcanhar de Aquiles.
18- Estes desafios são distribuídos pelo Governo, pela oposição e pelos empresários e suas organizações. Precisamos de ser desassossegados para que se assuma, em conjunto, as responsabilidades sobre o futuro da Região. 
                                   

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Categorias: Editorial

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