Projectos das Forças Armadas nos Açores querem aproximar a instituição militar dos mais jovens

As Forças Armadas querem aproximar-se dos jovens e tentar colmatar o défice de efectivos, principalmente Praças, que assola os três ramos da Instituição. Nesse sentido, e depois de no ano lectivo passado ter arranca na Madeira, chegam agora aos Açores três programas que vão abranger alunos do ensino básico, secundário e universitário.
Com o programa “Alista-te por um dia”, mais de 2400 alunos do 4º ano de escolaridade vão participar em actividades desenvolvidas pelas Forças Armadas, sendo que nas ilhas sem presença militar permanente essas actividades vão ser desenvolvidas sempre que houver meios para tal. 
Já o programa “Cidadania e as Forças Armadas” destina-se a alunos do ensino secundário e deverá envolver palestras onde as missões e objectivos da Instituição serão explicados; bem como o programa “Portugal e as Forças Armadas” que está mais vocacionado para conferências destinadas ao ensino universitário. 
A apresentação destes programas foi feita ontem em Ponta Delgada, com a presença do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Almirante Silva Ribeiro, que explicou que estes programas têm como principal objectivo potenciar o recrutamento para as Forças Armadas mas também reforçar a qualidade de cidadania dos jovens.
Para que tais programas consigam efectivar-se foram ontem assinados protocolos de cooperação entre o Comando Operacional dos Açores, na pessoa do Vice-almirante Bastos Ribeiro, e a Secretaria Regional da Educação e com a Universidade dos Açores.
O Almirante Silva Ribeiro explicou que as Forças Armadas “têm um défice muito elevado, sobretudo de Praças. Faltam quatro mil praças no Exército, 535 na marinha e mais de 900 na Força Aérea e estes programas servem para mostrar a excelência das Forças Armadas, que elas são um desafio, uma oportunidade de carreira, dão oportunidade de servir o país, cá dentro, lá fora, contribuindo para a paz e segurança dos portugueses no mundo”. Efectivos que a deixarem de existir, as Forças Armadas “deixam de ter capacidade para seguir as suas missões” que têm essencialmente fora do território nacional. 

Cerimónia Militar no Corvo

E porque todo o território nacional vai ser abrangido por estes programas, as Forças Armadas vão marcar o início deste projecto na mais pequena ilha do arquipélago e consequentemente o concelho mais pequeno de Portugal, com 12 alunos do 4º ano. A 7 e 8 de Setembro, vai concretizar-se a primeira acção de divulgação destes programas “para mostrarmos a todos os portugueses que todos merecem a nossa atenção e o nosso respeito. Nós vamos fazer a primeira acção de divulgação no Corvo para dar oportunidade aos corvinos de conhecerem as suas Forças Armadas”, explica o Almirante Silva Ribeiro. 
Além disso, haverá lugar ainda para uma cerimónia militar, “que não há registo de alguma vez ter sido feito uma na ilha do Corvo”. O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas refere que vão ser aproveitados os recursos da Região para a cerimónia militar “que irá também mostrar a nossa estima e admiração por quem sempre nos apoiou e se empenhou muito nas missões das Forças Armadas”. Nomeadamente o Representante da República para os Açores, Pedro Catarino, “que tem sido uma pessoa inexcedível no apoio às Forças Armadas na Região” e também militares açorianos que “tiveram um desempenho extraordinário” e que vão ser condecorados nessa cerimónia.
Nos dias 7 e 8 de Setembro vão marcar presença 30 efectivos de cada ramo das Forças Armadas, juntamente com o avião C-295 e o navio patrulha que irá aproveitar para fazer uma nova carta hidrográfica do porto do Corvo.
Apesar de não se poder pensar em resultados imediatos destes programas, o Almirante Silva Ribeiro afirma que da experiência que aconteceu no ano lectivo passado na Madeira se conseguiram ver resultados. Ou seja, houve “uma grande adesão dos meninos do ensino básico que aderiram de forma extraordinária às iniciativas. Fizemos um questionário e mais de 95% das crianças manifestaram o seu apoio, interesse e grande gosto em terem participado nas iniciativas e nos trabalhos na escola depois de participarem no “Alista-te por um dia”. Estamos convencidos que assim vai ser no continente e nos Açores”, explicou. Mas para que esse gosto e esse interesse resultem efectivamente em recrutamento, só “alimentando esse gosto ao longo da vida e criando condições para que os que tiverem vocação venham para as Forças Armadas e os que não tiverem que sejam cidadãos exemplares, que é aquilo que desejamos”.
Silva Ribeiro acredita que estas acções destinadas ao ensino básico, secundário e universitário vão “despertar a curiosidade dos jovens para as Forças Armadas, para a sua qualidade e utilidade ao serviço dos portugueses” que depois será alimentada ao longo da vida. 
O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas reconhece que há alguma “incapacidade” das Forças Armadas de reter os jovens que entretanto se alistaram e que encontram na sociedade civil ou nas forças de segurança “outras oportunidades de carreira”. Uma situação que Silva Ribeiro entende que deve ser invertida, o que já acontece de certa forma com a alteração dos contratos para 18 anos, por forma a serem criadas oportunidades para que os jovens que pretendam ficar nas Forças Armadas o possam fazer.                                                   

         
 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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