21 de julho de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! A Assembleia da República terminou os trabalhos da legislatura que fica marcada pela “geringonça” que abriu caminha a António Costa para chegar a Primeiro-ministro sem ter ganho as eleições… Nestes quatro anos conseguiu mostrar a sua habilidade política para se servir de deus e do diabo para levar a carta a Garcia… A partir de agora vamos ter de ouvir todos os dias cada partido da geringonça desfiar o seu rosário de promessas cumpridas, e ao mesmo tempo reclamar a paternidade das medidas paridas por várias mães… Mas, com o termo da legislatura caem todas as propostas de lei que ficaram por ser discutidas e votadas. E entre elas lá se ficou a proposta enviada pela Assembleia Legislativa dos Açores para alterar a gestão partilhada do nosso Mar, alteração que era uma promessa de António Costa quando, como Primeiro-ministro, visitou a Região… Ou seja, o enguiço da questão é de tal ordem que o PS e o seu Governo não tiveram força ou vontade para resolver a questão que foi criada pelo Governo de Passos Coelho/Portas e apadrinhado pelo jacobinismo com que o Tribunal Constitucional apreciou a matéria… Seja como for, agora é preciso olhar em frente e assistir de palanque à guerrilha que vai anteceder as eleições em Outubro… Costa parte bem posicionado, mas vai ter à perna muita gente a pedir contas do que ficou por fazer e, por outro lado ,como foram feitas certas coisas… O Tribunal de Contas abriu as hostilidades com a publicação do Relatório da Auditoria sobre a aplicação dos 7 milhões de euros de donativos para acudir aos sinistrados vitimas da catástrofe dos fogos… Por outro lado, continua a pairar sobre Costa o fantasma do roubo e do “milagre” depois das armas de Tancos… que vai ainda dar muito que falar e até talvez chamuscar figuras de topo… O que no meio disso tudo lhe vale é a falta de jeito e até saber político de Rui Rio, para se opor como alternativa… O Verão promete ser quente pelo calor, e pela política que não irá de todo a banhos! 
 


Meus Queridos! A minha amiga de peito Joaninha tem de fazer a matricula ao ensino superior de um parente… mas ao chegar à escola ficou furiosa com o aconteceu, e resolveu mandar-me o recadinho que publico tal como recebi por se tratar  de matéria de interesse público… e que os responsáveis  têm de conhecer para poderem agir: 
“As candidaturas ao ensino superior arrancaram a 19 de Julho e decorrem até 6 de Agosto. Contudo, os alunos da Escola Secundária Antero de Quental não poderão candidatar-se para já… em virtude de a Ficha Enes não lhes ter sido disponibilizada em tempo útil, afirmando o secretariado que “talvez para a semana a entreguem”. Dizem estar com falta de pessoal. Como sabem,  a Ficha Enes é o documento que funciona como uma espécie de currículo do secundário do aluno onde constam as classificações das disciplinas do 10.°, 11.° e 12.° anos, assim como dos exames nacionais de 11.° e 12.° anos e é um elemento imprescindível ao processo de candidatura. Não se percebe que com tanto simplex anunciado aos quatro ventos, aconteçam ainda coisas destas, causando transtornos aos pais que têm a sua vida programada… e não estavam à espera desses constrangimentos.“

Ricos! A gente sabe que construir um espírito de unidade açoriana é tarefa dura e acessível a poucos, que há anos até se riam quando se falava no célebre “desenvolvimento harmónico”. Hoje, e mercê de muitas circunstâncias, o que anda para aí é uma onda de bairrismo que até parece que voltámos aos anos cinquenta do século passado. Mas uma coisa é o que se vai vendo nas redes sociais e em alguns jornais que ainda não despiram essa velha e rota farda do bairrismo, e outra coisa é gente que devia ter responsabilidade, andar por aí a fomentá-lo ou a não o deixar esquecer… E foi isto que me lembrei quando ouvi esta semana a deputada do PS Mónica Rocha, falando de turismo e respondendo a outra deputada da bancada laranja dizer que “é preciso olhar para o passado e perceber o que o Governo Regional fez para que a ilha Terceira fosse a melhor dos Açores”. É caso para perguntar se for verdade, que o Governo do meu querido Presidente Vasco Cordeiro anda mesmo a trabalhar para que haja uma ilha melhor que as outras todas… vou ali e já venho!

Ricos! Como tinha prometido na passada semana, não perdi pitada das grandes festas do Divino em Ponta Delgada e mesmo deixando por momentos a Feira Quinhentista que por cá, na minha cidade norte, dava os últimos ecos, lá fui para umas sopinhas bem servidas e para umas fatias de massa no grande cortejo etnográfico do Sábado. Para além da falta dos balneários abertos que já referi nos meus recadinhos da passada semana, há que repensar a pontualidade na organização do cortejo etnográfico… Marcado para as três da tarde, só passados quase quarenta minutos é que começou a passar na Avenida, com tanta gente a secar ao sol abrasador. E depois admiram-se de não dar tempo a que as últimas representações apareçam na RTP/ Internacional que corta quando chega a hora marcada… Diz a minha prima da Rua do Poço que lá estava comigo… que se não fosse a sombrinha que levou, apanhava um escaldão de todos os tamanhos. Quando uma representação não está pronta, a organização deve mandar passar adiante e seguir quem está pronto a desfilar. Quando os que não chegam a horas ficarem para últimos, talvez comecem a chegar a tempo e horas… diz a minha prima da rua do Poço que aqueles atrasos mais parecem os de casamentos… quando as noivas fazem os convidados jazer à porta da Igreja… Tenham dó!.. Quanto ao resto, todos merecem um ternurento beijinho porque foi uma grande festa…

Ricos! E por falar em festas, neste tempo de Verão tenho dado umas voltinhas para sentir o pulsar das festas dos padroeiros que ainda marcam o ritmo de Verão de vilas e freguesias das nossas ilhas. Na semana que passou, fui com a minha prima Jardelina ao Nordeste e assistimos à procissão do padroeiro São Jorge . Na ausência, por doença, do prior daquela vila, a procissão, para além de poucas opas, que me fez até lembrar um oportuno editorial do padre José Paulo Machado na Crença, estava organizada de forma que não entendi lá muito bem. Habituada que sempre fui a ver as representações civis e de organizações atrás do pálio, reparei que ali e logo atrás do primeiro andor ia um pequeno rancho de técnicos e funcionários da Santa Casa com o  simpatiquérrimo Provedor José Carlos atrás com outros membros da Direcção! Alguém, na pressa ou pressão de sair com a procissão, esqueceu- se do protocolo ou então pensou que no cortejo o que importa é preencher espaço! Não vem mal ao mundo, mas para não perder a tradição nada como um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. Mas o Nordeste estava lindo!

Meus queridos! E já que estou a falar do Nordeste, a minha sobrinha neta mostrou-me umas fotografias da sessão solene do Dia do Município, ao ar livre, frente aos Paços do Concelho, com um ambiente maravilhoso e muita participação popular. O que eu gostava era de ir ler as actas dos edis municipais para perceber as razões que levaram a que as forças políticas representadas no município não se tenham entendido sobre as figuras que iam ser homenageadas com distinções e mérito e por isso mesmo não houve agraciados… Será que nem para reconhecer o mérito de alguém, são capazes  de se entender? Se estivesse na pele de algum nome indicado e agora rejeitado, mais tarde quem rejeitava a distinção  era eu…. Cada terra tem o que merece, mas nem tanto!

Meus queridos! Essa coisa da ideologia do género está a levar-nos por caminhos onde a ideia de inclusão está a tornar-se num balão  de monstruosos disparates. Depois de terem obrigado os políticos a dizerem “portugueses e portuguesas” e os padres a dizerem “irmãos e irmãs”, eis que de repente tudo isto cai por terra… porque tal tratamento agora passa a ser discriminação para quem não é uma coisa nem outra… ou seja, quem não se inclui no masculino e feminino de portugueses e portuguesas…irmãos e irmãs… Vejam só agora o que foi decidido pela prefeitura e pelo metro de Londres, onde nas mensagens de saudação e informação aos passageiros… e para evitar coisas… todos os funcionários estão proibidos de dizer “senhoras e senhores”… A expressão obrigatória é: “olá a todos”… porque todos são todos mesmo… Eu por mim só digo uma coisa: está mesmo tudo doido… e já não posso dizer doidos e doidas… Oh paciência!

Meus queridos! Vai daqui o meu ternurento beijinho para o meu querido e sempre activo Carlos Melo Bento, pelo reconhecimento que a Câmara de Ponta Delgada fez à memória de Sousa d’Oliveira, o historiador e arqueólogo patrono da fundação com o mesmo nome que viu agora a casa onde viveu e trabalhou, ser perpetuada com uma placa de homenagem, inaugurada na passada Quinta-feira. Diz a minha prima Teresinha que lá mora perto que foi um bonito momento. Pena que a placa seja tão pequenina, tão pequenina, que convida mesma a comprar uma lupa. Mas o que vale é a intenção. E lá para os lados da Fundação a festa continuou, com o lançamento de dois livros da professora Maria Helena Mesquita que também é naturopata e que tiveram apresentação do meu querido Director-adjunto Santos Narciso, numa sessão de sala cheia, presidida por Carlos Melo Bento e conduzida por Eduardo Medeiros. Um dia cheio para a Fundação Sousa d’Oliveira!

Meus queridos! Vai já a caminho de 1500 assinaturas, a petição na internet para que o Governo e Assembleia Regional acabem com as “roqueiras e bombans” das festas do Divino ou então estabeleçam hora para atirar fogo desde que não seja em hora de dormir… Cá por mim, que sempre gostei de ouvir uma roqueira a anunciar os diversos momentos da festa, o que está em causa aqui é a incapacidade das autoridades fazerem cumprir a lei do ruído e a concessão de licenças “excepcionais” a torto e a direito…. Também acho que atirar roqueiras depois da meia-noite é um desatino a evitar… mas nada de fundamentalismos, por amor da santa. Se acabam com as roqueiras nas festas do Divino e dos padroeiros, que dizer aos milhares de pessoas que não dormem durante todo o Verão porque têm o azar de morar perto dos lugares infestados de festivais, concertos e discotecas, com batucar contínuo e depois com os roncos advindos da muita cerveja e outras coisas? Façam cumprir as leis que existem e vão ver que tudo vai ser diferente, sem ter que acabar com coisa nenhuma…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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