21 de julho de 2019

Um problema muito sério (II)

1- No passado dia sete de Julho demos conta da notícia que, naquela semana, tinha abalado os mercados, depois do  Facebook ter confirmado o rumor segundo o qual aquela rede social planeava desenvolver a sua própria criptomoeda chamada libra.
2- Enumeramos os perigos que tal medida representava e representa para a democracia, e para os cidadãos em geral, devido à ameaça real de um poder plutocrático a nível mundial, criado e controlado através de uma empresa tecnológica com moeda própria e biliões de seguidores, onde tudo se pode vender e tudo se pode comprar, sem qualquer controlo e sem regras. 
3- Por ali poderão circular e converter-se os biliões provenientes do crime organizado, da produção de droga e do comércio de armas. 
4- Não é nosso hábito revelar as reacções dos leitores ao que regularmente escrevemos, mas podemos dizer que muitos foram aqueles que se manifestaram deveres preocupados com a matéria que trouxemos à reflexão.
5- Este assunto passou ao lado dos comentadores, analistas e politólogos que têm palco regular na comunicação social, salvo Francisco Louçã que no Expresso daquele fim-de-semana, publicou um artigo intitulado “Proíbam a Libra”.
6- No dia 12 de Julho, o Presidente Donald Trump escreveu no twitter o seguinte: “Eu não sou fã de Bitcoins e outras Criptomoedas, que não são dinheiro, e cujo valor é altamente volátil e baseado no ar rarefeito. Os Activos Criptografados não Regulamentados podem facilitar o comportamento ilegal, incluindo tráfico de drogas e outras actividades ilegais... Da mesma forma, a “moeda virtual” do Facebook Libra, terá pouca confiabilidade. Se o Facebook e outras empresas quiserem transformar – se num banco, eles devem buscar uma nova Carta Bancária e ficar sujeitos a todos os Regulamentos Bancários, assim como outros Bancos Nacionais”.
7- A 16 de Julho foi tornada pública a notícia segundo a qual David Marcus, líder do projecto da criptomoeda “libra” a lançar pelo Facebook,  anunciava a  decisão de suspender o projecto de lançamento, até que todas as dúvidas dos reguladores sejam resolvidas. O Comité Bancário do Senado norte-americano decidiu, de imediato, ouvir o executivo do Facebook 
8- Francisco Louçã pediu a proibição da libra por ser um projecto de capitalismo puro e não querer apenas privatizar os bens públicos, mas querer dirigir os sonhos individuais e criar um mercado total. Francisco Louçã conclui que a primeira vítima deste impulso é a própria realidade da soberania dos Estados ou das zonas monetárias do euro. 
9- O Presidente Donald Trump, no estilo que usa, põe em causa a credibilidade da futura moeda, alerta para que a sua circulação seria aproveitada para o tráfico de drogas e outras actividades ilegais, mas sobretudo o que ele está a salvaguardar é o valor do dólar. 
10- Francisco Louçã analisa a questão pelo perigo do capitalismo puro e duro, mas reconhecendo que a Libra do Facebook porá em causa a soberania dos Estados.
11- Quando escrevamos na edição do dia 7 de Junho que estávamos perante um problema muito sério, fizemo-lo com a consciência das causas que poderão advir de um projecto que está momentaneamente suspenso, porque Donald Trump, apesar de ser o que é, teve a destreza de perceber que o projecto do Facebook representa perigos enormes se não for travado a tempo.
12- Enquanto isso, não vimos nenhum Chefe de Estado e de Governo da União Europeia vir a terreiro defender a soberania dos Estados e impor medidas de controlo a quem tem meios tão poderosos para empreender projectos de tal natureza que põem em risco a sociedade democrática e a liberdade dos cidadãos.
13- Esta é matéria que tem de estar na mão dos Estados e são estes que têm de tomar decisões e não remeter para os Reguladores, que são agentes em que não acreditamos, pela experiência que nos mostra os tristes casos passados com os Reguladores da Banca a que nos havemos de referir a seguir.
14- O que nos diz o Presidente da República perante tamanho assalto ao poder democrático?
                                               
                               
 

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Categorias: Editorial

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