“O Recadinhos” inicia actividade na próxima Sexta-feira

Moço de recados prepara caminhos para percorrer ilha de São Miguel

Inconformado com as opções que foram lhe foram surgindo no mundo do trabalho, onde passou pela experiência de trabalhar por conta de outros, Francisco Pacheco idealizou um modelo de negócio inovador na ilha de São Miguel, tendo para isso criado a marca “O Recadinhos”.
Pensando-se que, na era em que reinam as novas tecnologias, a figura do moço de recados se haveria extinguido, o jovem de 23 anos de idade, natural de Vila Franca do Campo, comprometer-se-á a partir da próxima Sexta-feira, dia 26 de Julho, a assumir a pele daquele que tratará “daquilo que as pessoas não têm tempo para fazer”, ora por falta de tempo ora por preferirem utilizar esse tempo para descansar.
Neste sentido, de acordo com as explicações de Francisco Pacheco e Catarina Melo, as tarefas em questão “podem incluir desde idas aos correios, à sapataria ou à lavandaria, a uma ida às compras, ao levar carros à oficina ou à inspecção e ainda a levar animais ao veterinário”, incluindo também a organização de vários tipos de surpresas ou a disponibilização de ‘kits’ de emergência para situações especiais, como o dia dos namorados.
Assim, segundo o jovem casal que abdicou de parte dos seus bens para apostar na constituição desta marca, para além de estarem dispostos a servir aqueles que estão condicionados pelos seus horários de trabalho, “este serviço é também uma solução para os idosos que não têm possibilidades para sair de casa ou que têm dificuldades em transportar coisas”.
O empreendedor explica ainda que os serviços proporcionados pelo “Recadinhos” irão abranger toda a ilha de São Miguel mas que isso implica directamente a aplicação de diferentes preços consoante a localidade, uma vez que no caso deste modelo de negócio o “moço de recados” será pago consoante o tempo que despender para realizar a tarefa encomendada. 
“Os serviços vão abranger a ilha toda, se bem que é óbvio que no centro de Ponta Delgada os custos serão mais baixos do que se for para Nordeste, onde vou ter que cobrar muito mais porque vou estar só por conta de um cliente e vou ter que calcular todo o tempo gasto em viagem”, diz.
Para além de clientes a nível individual que procurem resolver alguma burocracia pendente ou outra tarefa do quotidiano para a qual estejam menos disponíveis, Francisco Pacheco conta também que, através da marca que criou, tem o desejo de conseguir chegar também a empresas “que possam utilizar estes serviços por não terem alguém que possa sair do escritório para fazer certos trabalhos”, colmatando assim uma necessidade que acredita existir no mercado açoriano.
Para além de empresas, e tendo em conta que terá a disponibilidade de se movimentar a partir de uma carrinha ou de uma mota, o jovem natural de Vila Franca do Campo adianta que um dos seus objectivos é também “fazer transportes para eventos, como refeições ou decorações para casamentos, por exemplo”.
Entretanto, até entrar oficialmente em funcionamento já no final desta semana, o casal adianta que o website da marca será lançado também, sendo esta uma das plataformas que futuramente permitirá aos potenciais clientes entrarem em contacto com “O Recadinhos” a partir de Catarina Melo, a responsável pela triagem e atribuição das tarefas a Francisco Pacheco.
Entretanto, a partir do próximo dia 26 de Julho, as pessoas poderão entrar em contacto com o casal através das plataformas já existentes, nomeadamente o Facebook, o Instagram e o e-mail, onde “a ideia é responder sempre que possível às pessoas para que elas sintam confiança e presença da nossa parte”.
“Acima de tudo pretendemos estar sempre presentes para as pessoas. Tencionamos responder por e-mail muito rapidamente ou no Facebook, tentando nunca deixar as pessoas sem resposta, porque às vezes mandamos um e-mail para uma empresa para estabelecer contactos e se isso não for feito pessoalmente ou por telefone parece que fica um pouco esquecido”, afirma Francisco Pacheco.
Apesar dos 700 gostos no Facebook, que para o casal representam “700 potenciais clientes”, Catarina Melo conta que, naturalmente, ainda não existem clientes mas sim “algumas propostas”, referindo ainda que de momento estão ainda a ser “pensadas várias maneiras para conseguir clientes”.
Tendo em conta que para conseguir registar a marca, tratar de toda a publicidade e das estratégias que têm que ser previamente pensadas, fazendo com que Francisco Pacheco se visse obrigado a abdicar de bens materiais que já tinha para conseguir adquirir novos que o permitissem chegar até este momento, o apoio de familiares e amigos tem sido também fundamental para o casal.
“Temos muita gente a ajudar-nos nesta fase, primeiro porque estamos a falar de um projecto que envolve capitais próprios. Precisei de cortar custos em muitas coisas e tenho contado muito com amigos e família para me ajudarem, mesmo a nível de publicidade e design”, afirma.
No entanto, para o vilafranquense seria muito difícil continuar a trabalhar por conta de outrem, uma vez que se considera “um sonhador” com o desejo de trabalhar por sua conta e risco, onde poderá inclusive vir a ter empregados a trabalhar nos negócios que constituir, contando de momento essencialmente com o apoio da namorada, que apesar de o ajudar na sua marca tem também o desejo de trabalhar na sua área de formação e ser educadora de infância.
Antes de se dedicar ao “Recadinhos”, logo após se ter demitido daquele que poderia vir a ser um trabalho estável na área das telecomunicações, Francisco Pacheco pensou também em abrir um “food truck”, mas como este era já um conceito que se tornava comum em São Miguel optou por continuar a procurar novas ideias, deparando-se com um projecto semelhante existente no continente.
“Em casa comecei a pensar melhor e percebi que ou regressava aos estudos ou montava um negócio. Em Outubro comecei a procurar e pensei inclusive em ter um “food truck” mas já era uma ideia comum, por isso continuei a procurar ideias e encontrei um negócio semelhante no continente, o que me levou a perceber que não seria algo muito difícil de colocar em prática porque até estou habituado a fazer atendimento ao público e tenho carta de condução”, explica.
Apesar de em Portugal continental continuar a crescer o sucesso de aplicações como a Glovo e a Uber Eats, que através de aplicações expõem uma panóplia de produtos ao consumidor que numa questão de minutos poderão estar a ser entregues em mão, Francisco Pacheco optou então por um modelo de negócio que estabelece “contacto directo com as pessoas e onde há a possibilidade até de se criarem laços de amizade”, conclui.

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