28 de julho de 2019

Perdeu-se a “credibilidade Moral”

1- O Jornalista, escritor e ensaísta Amin Maalouf, um Libanês com nacionalidade Francesa, foi o vencedor do prémio Calouste Gulbenkian 2019, no valor de cem mil euros, que lhe foi entregue no dia 19 de Julho na presença do Presidente da República.
2- Amin Maalouf publicou este ano um ensaio intitulado “O Naufrágio das Civilizações”, no qual aborda as incontáveis derivas e feridas da humanidade, que perdeu a “credibilidade moral”.
3- O escritor concretiza depois afirmando: “Já ninguém possui uma verdadeira credibilidade moral. Nem pessoas, nem instituições, nem referências morais, estamos numa época em que tudo é posto em causa, tudo parece em vias de perder a sua capacidade de exercer uma autoridade moral. Vai da Casa Branca ao Vaticano, por todo o lado as instituições estão em profunda crise e cuja credibilidade foi abalada”.
4- Esta tem sido uma preocupação constante da nossa parte, lançando alertas e tomando posições nem sempre fáceis, porque não caminhamos no sentido do chamado “politicamente correcto”.
5- Colocamo-nos contra a corrente, procurando razões que possam contribuir para evitar o chamado “ Naufrágio das Civilizações”, que tem causas remotas e outras que acontecem todos os dias.
6- A actual conjuntura demonstra que a sociedade não se preparou convenientemente para lidar com tão poderosa mudança na acção e nos costumes, ao ponto dos pilares base da sua sustentação terem soçobrado.
7- O que hoje é possível fazer através dos meios digitais, é assustador, e a vivência tornou-se num autêntico circo global tipo “Big brother”, onde tudo e todos são espiados pelas múltiplas aplicações que usam, e que vão arquivando  o que se faz, como se faz, por onde se anda, com quem se fala, do que se gosta, do que não se gosta, o que se compra e o que se vende, o que se come, e como se come. Tudo isso dá muito dinheiro a ganhar.
8- Neste momento, em Portugal, a PJ, a PSP, a GNR e o SEF (Serviço de Estrangeiros) têm acesso ao registo de identificação de passageiros onde consta o nome do passageiro, a data e o trajecto de avião que este fez ou pretendia fazer, os contactos e as moradas confiadas à transportadora aérea, a forma como pagou a viagem e os documentos de identificação que apresentou. O objectivo é prevenir e investigar o terrorismo e um rol de outros 26 crimes considerados graves.
9- Significa isso que todo e qualquer cidadão que usa o avião como meio de transporte, passa a ser considerado um perigoso criminoso, ou um terrorista de alto calibre e, por isso, tem de ser registado e seguido indefinidamente pelas autoridades policiais.
10- Esta deriva securitária vem desde o 11 de Setembro. Tomou proporções gigantescas nos Estados Unidos da América e fez com que outros Estados tivessem de seguir o mesmo caminho.
11- Mas  em Novembro de 2013, numa videoconferência transmitida a partir de Londres, Jhon Kerry, Secretário de Estado do Governo de Obama, a propósito da espionagem feita aos cidadãos, afirmou: “… reconheço, tanto como o presidente, que algumas destas acções foram muito longe e vamos garantir que isto não aconteça no futuro”.
12- Passados seis anos, a saga continua, e de acordo com uma norma legal já aprovada pelo Governo da República, a Autoridade Tributária vai passar a ter acesso também aos dados dos passageiros que usem o transporte aéreo para se deslocarem.
13- Não se sabe se virá a caminho mais um imposto para quem viajar, mas o que se sabe, é que todos os cidadãos vão estar catalogados numa base de dados, que serão depois cruzados com os existentes noutras bases de dados, tarefa que ficará na dependência da secretária-geral do Sistema de Segurança Interna.
14- Com tal devassa, o Estado está a violar o direito inalienável à privacidade, garantida na Constituição e na lei, e lança o manto da suspeição em toda a sociedade que, por si só, já desconfia de tudo e de todos.  
15- Este podia ser mais um capítulo do “Naufrágio das Civilizações “ de Amin Maalouf, certos de que no fim sobreviverão poucos para contar como foi!

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Categorias: Editorial

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