28 de julho de 2019

Maria Corisca

Recados com amor...

Meus Queridos! Tenho recebido muitas queixas de amigas minhas que se mostram apreensivas com o que chamam o marasmo em que parece ter mergulhado a Região… Tenho respondido que não me meto em política… e a única coisa que posso fazer é o papel de confessora… embora não ponha absolvição por ser mulher, e nem acólita sou… Mas pensando bem, elas têm toda a razão. A oposição desapareceu do mapa… Ainda se ouve de vez em quando o Deputado do Bloco de Esquerda levantar alguma poeira, mas o meu querido Artur Lima deve estar a banhos para o Porto Martins a gizar a sua estratégia para se aguentar no próximo congresso do CDS, e pouco ou nada tem dito … Quanto ao PSD está de portas fechadas e assim parece querer continuar por tempo indefinido…. O PS vai segurando as pontas do Governo que por sua vez vai aparecendo numas festas de verão, … enquanto as propostas políticas que têm sido feitas ao longo do tempo estão aguardando no limbo à espera de dias melhores… Perante tudo isso, o povo vai comendo e bebendo quanto pode apesar do custo de vida estar pela hora da morte… e à falta de um rumo… passam os dias nas redes sociais para preencher o vazio de ideais e projectos úteis… Por tudo isso as tais amigas dizem que estão a pensar criar uma Plataforma cívica para debater ideias e projectos para a sociedade e até me vieram perguntar se não seria de ressuscitar o “Fórum Açoreano” criado a 3 de Junho de 1993 com o objectivo de realizar debates e incitar à participação social, mas depois acabaram por concluir que passados 26 anos, muitos dos seus inspiradores já partiram e outros já se acomodaram ao poleiro e portanto a decisão que parece ir avante será criar uma nova Plataforma Política intergeracional e aberta aos cidadãos sem cor partidária… Cá por mim disse-lhes que achava muito bem e cá fico …para ver!


Ricos! Muito gostei de ver o meu querido Vice-Presidente Serginho a tocar o sino na Euronext Lisbon, assinalando o sucesso que foi a emissão do primeiro empréstimo obrigacionista feito pelo governo dos Açores. Não percebo nada dessas coisas de finanças, mas espero que outras emissões de obrigações se façam no futuro para melhorar as condições da dívida existente e aproveitar os ventos de feição quanto às taxas de juro… Todos os miolos são pão e o que se poupar pode ser aplicado em projectos que sejam depois reprodutivos….

Meus queridos! A minha prima Maria da Vila telefonou-me esta semana para me dar a novidade que o meu querido presidente Rodrigues tinha assinado com uma empresa o protocolo para finalmente dar uso ao velho “barracão do peixe” junto ao cais da velha capital. Fiquei contente, porque estava a cair de podre um belo edifício, com as linhas arquitectónicas dos velhos mercados, como acontece em Angra em que foi transformado em restaurante. Na Vila também o mercado de peixe será um restaurante. Para trás fica o sonho do aquário, quando parece que os sonho de construir uma caterva de aquários já se evaporou… e com razão… porque aqui nos Açores quem quiser ver peixes vá ao mar… que está mesmo diante dos olhos. Eu e a minha prima Maria da Vila, temos é pena que tenha ficado pelo caminho o projecto que transformava o velho espaço, onde ela tantos chicharrinhos vivos comprou… no museu da pesca artesanal da Vila que, para além do seu belo museu… já tem outro vivo dedicado à olaria… Fica agora a faltar um especificamente para as pescas…. A minha prima Maria da Vila que é uma sonhadora, diz que é bom sonhar… e por isso ainda tem esperança… que o velho barracão acolha o museu da pesca… Cá para mim, que ficava um primor no velho barracão, … lá isso ficava!

Meus Queridos! Tive muita pena de não poder ir ao lançamento da obra constituída por sete livros contando a influência das famílias do Vale das Furnas ao longo dos séculos. Um trabalho de valia, pesquisado e passado à estampa pelo meu amigo historiador Luís Miguel Rodrigues Martins, que começou por estudar e escrever a história da Electricidade nos Açores. Para ele e para o furnense de quatro costados Gualter Furtado, que apresentou o livro na Biblioteca Pública de Ponta Delgada e seguiu de perto o nascer da obra em causa… um repenicado beijinho esperando que depois do trabalho sobre as famílias do Vale das Furnas se faça idêntica pesquisa sobre as muitas famílias da minha cidade norte e da sua Vila e localidades que marcaram e marcam o segundo concelho de São Miguel. Esse devia ser um trabalho de mecenas… que as instituições financeiras na Região deviam apoiar, por ser um serviço histórico-cultural de grande valia. Precisamos de conhecer o passado para bem construirmos o futuro.

Ricos! Li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que lá para os lados da ilha do Faial, os pais dos meninos e meninas que andam nas escolas primárias – é assim que eu continuo a dizer – precisam de comida nas cantinas e não apenas a sopinha e a peça de fruta… E têm razão, porque isto de comer ou é para todos ou não é para ninguém. Vamos a ver o que se resolve para o próximo ano lectivo. É que a minha prima Maria dos Flamengos já andou a ver se haveria algum deputado pelo Faial que se dispusesse a fazer uma greve de fome, como aconteceu para os lados do Corvo, com o meu nobre e realíssimo deputado Paulo Estêvão… também por via de uma cantina, ou da sua falta… São sortes!

Meus queridos! Quero mandar um ternurento beijinho a todos quantos se esforçaram pela construção do jardim terapêutico – não preciso de nomes ingleses – lá para os lados do Hospital do Divino. Uma bela iniciativa que veio dar um ar de graça àquele espaço envolvente da capela que estava praticamente abandonado. Foi preciso um grupo de dedicados voluntários e mecenato de empresas já que a gente sabe as faltas de pilim que vão para o lado da Saúde e que não pode estar a preocupar-se com flores e ervas cheirosas. Agora, quando for ao Hospital onde me têm levado muitas vezes as minhas dores nas cruzes, irei deliciar-me a ver o tratamento que vai ser dado àquele espaço e a envolvência com os doentes que podem ali estar a ocupar o tempo entre tratamentos… Eis uma forma de inovar, embelezando e tratando…

Meus queridos! Estamos na iminência de uma eminente greve dos camionistas que ameaçam parar o país lá para meados de Agosto. Espero que triunfe o bom-senso e que tudo se resolva até lá. Mas fiquei de boca à banda quando ouvi um ministro dizer que era bom que os portugueses se abastecessem antes da greve, um verdadeiro convite à corrida às bombas de gasolina se a greve não for desconvocada, o que quer dizer que os postos de venda poderão ficar esgotados ainda antes da greve. Como se costuma dizer, não havia necessidade”, primeiro porque os donos dos popós por si mesmos já devem ter pensado nisso e – Deus nos livre – nuns bidonzinhos para guardar na garagem. E também não é bom andar por aí a convidar ao açambarcamento… que foi coisa de outros tempos!

Ricos! O Governo da geringonça manda oferecer milhares de colares contra o fumo aos habitantes das localidades com mais riscos de incêndio, uma acção que faz parte do programa da Protecção Civil chamado “Aldeia Segura”…. Até aí tudo bem, mas depois é de pasmar que se faça uma encomenda de adereços para usar no combate ao fogo, e não se diga que o material deve ser resistente ao fogo… em vez disso,  o material é inflamável, e o fornecedor lava as mãos dizendo que no caderno de encargos não vinha nenhuma reserva quanto à confecção… o que só por si revela uma leviandade como que os serviços responsáveis tratam dessas coisas… Levantam-se protestos e o Ministro Cabrita, sabendo bem quem fabricou e vendeu os ditos colares,… vem a terreiro dizer que foi uma irresponsabilidade da comunicação social vir dizer que os ditos cujos eram perigosos. Quer dizer, fazem a asneira, desculpam-se que afinal aquilo não é para horas de fogo mas para se entreterem a treinar nas horas vagas, e ainda por cima a comunicação social é que é irresponsável e alarmista…. O Ministro Cabrita anda muito excitado e precisa de ir a banhos para resfriar a cabeça… Palavra d’honra!

Meus queridos! Tinha jurado a mim mesmo que não falava mais da SATA  e dos azares que tornaram este ano o mais negro da história da companhia açoriana. Mas o que não posso levar à paciência é que a omissão de trabalhadores tenha ido “fazer queixinha” ao Presidente da República que nem os recebeu e declinou num assessor qualquer. Vê-se logo que são outras forças a trabalhar, porque, de resto, até teriam por cá o Embaixador Catarino para ouvir as suas queixas. O que é muito duro para quem está a assistir a esta agonia é ver que apesar de se andar em má maré, … parece que anda cada um a remar para seu lado, aproveitando para defender os seus interesses, mesmo que isso signifique incerteza quanto ao futuro. Assim não vamos lá!

Meus queridos! E já que estou a falar da SATA, sempre quero dizer que não entendi a aquela de o Governo do meu querido Presidente Vasco Cordeiro ter anunciado no dia 22 deste mês que vai ser feita uma grande campanha de promoção dos Açores, lá para os lados do Canadá. Não é por mal, mas com todos os cancelamentos da SATA, com o descontentamento da comunidade de Montreal que não consegue voos directos regulares, qualquer publicidade cai em saco roto, porque só se for para virem para os Açores via Lisboa… Até me fez lembrar a campanha nos táxis em terras de sua Majestade Britânica…

Meus queridos! O director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, Américo Natalino Viveiros, entregou-me em mão, a cópia de uma cartinha enviada por mail pelo simpatiquérrimo vereador da Câmara de Ponta Delgada, Pedro Furtado, respondendo ao meu recadinho da semana passada sobre a demora no cortejo etnográfico das Festas do Espírito Santo que só começou a chegar às Portas da Cidade quase às 4 da tarde. Diz o esclarecimento que o cortejo saiu a horas e que devido aos cuidados a ter com os animais dos carros de bois se torna mais lento, mas que é assim mesmo e não se pode culpar a organização pelos “horários limitados da RTP/Internacional”. Tudo bem, meu querido, mas é preciso dizer que o horário “limitado” da RTP/Internacional foi de quatro horas e se o cortejo é de quatro horas e meia, muito bem se pode ajustar meia hora… E sobre a demora, basta “rebobinar” a transmissão e ver as observações de populares lá feitas. De resto, e como sempre, os meus recadinhos são para sugerir e nunca para criticar, até porque me fartei de elogiar o nível grandes festas deste ano!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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