Isabel Rodrigues fala da relação dos Açores com o Governo da República

“Há domínios em que é preciso melhorar o relacionamento e há projectos que estão a demorar mais do que todos desejaríamos”

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Isabel Almeida Rodrigues (Cabeça de lista do PS/Açores às eleições para a Assembleia da República) - Isabel Almeida Rodrigues, 54 anos, nascida na Horta e residente em Ponta Delgada. Presidente do Comissariado dos Açores para a infância.
 
Fale-nos do seu percurso de vida no campo académico, profissional e social?
Tive a oportunidade de prosseguir os meus estudos após o ensino secundário, o que fiz estudando direito. Fiz formação pós-graduada em protecção de menores e em ciências sociais.
Iniciei a minha vida profissional como trabalhadora de uma instituição bancária. Sou advogada, mas tenho a inscrição suspensa, a meu pedido, há alguns anos, para poder dedicar-me em exclusividade a diversos desafios que abracei. Sou militante socialista e procuro participar activamente na vida do Partido.
 
Como se define a nível profissional?
Considero que sou uma pessoa bastante exigente comigo e com as pessoas com quem trabalho. Admito que sou determinada e dificilmente desisto dos objectivos a que nos propomos. Gosto de trabalhar em equipa.
 
Quais as suas responsabilidades?
Dirigir e representar o Comissariado dos Açores para a Infância, garantir a execução das deliberações do Conselho Regional, bem como representar o Governo dos Açores na Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens.
 
Quais os impactos mais visíveis do desaparecimento da família tradicional?
A família permanece hoje como um importante pilar da sociedade. A maior representação de variados tipos de família, que na verdade sempre existiram, embora muitas vezes em clandestinidade, traduz a importante conquista de direitos sociais e fundamentais dos cidadãos como o direito a constituir família fora do casamento (e com ele o fim do conceito de filhos ilegítimos), o direito ao divórcio e o direito à não discriminação em função do género. A diversidade a que hoje assistimos é, assim, expressão da liberdade e da tolerância.
 
Qual a sua opinião sobre a forma como a sociedade está a evoluir?
Encaro o futuro com muita esperança. Acredito na nossa capacidade de responder a novos reptos e de nos adaptarmos às mudanças.
 
Que importância têm os amigos na sua vida?
Os amigos são fundamentais. Com eles rimos, choramos, fazemos projectos, ou estamos, simplesmente. São parte integrante da minha vida.
 
Para além da profissão que actividades gosta de desenvolver no seu dia-a-dia?
Procuro partilhar, todos os dias, momentos com a minha família. Gosto de ir ao cinema, de ler e de fazer jardinagem.
 
Que sonhos alimentou em criança?
Os típicos de qualquer criança, que sonha vir a exercer inúmeras profissões e conhecer o mundo para lá da linha do mar no horizonte.
 
O que mais o incomoda nos outros?
Procuro ser tolerante com todos.
 
Gosta de ler? Diga o nome de um livro de eleição?
Adoro ler, mas não o faço tanto quanto gostaria por manifesta falta de tempo. Escolho dois livros. “Tudo o que eu tenho trago comigo”, de Herta Muller, e “A vida no campo”, de Joel Neto. Comecei agora a ler o segundo volume “A idade da maturidade”.
 
Como se relaciona com o manancial de informação que inunda as redes sociais?
Não sou uma frequentadora assídua das redes sociais para obter informação porque prefiro informar-me em meios mais tradicionais como os jornais, as rádios e a televisão. Reconheço que as redes sociais podem, às vezes, ter a vantagem de nos aproximar de amigos que estão longe, de nos dar a conhecer outras culturas e realidades, mas confesso que me impressiona, pela negativa, a animosidade a que por vezes se assiste
 
Conseguia viver hoje sem telemóvel e internet? Quer explicar?
Seria muito difícil porque organizámos a nossa vida e a nossa capacidade de resposta em torno destes dois recursos.
 
Costuma ler jornais?
Procuro ter, diariamente, tempo para ler jornais.

Gosta de viajar? Que viagem mais gostou de fazer?
Gosto muto de viajar e as nossas nove ilhas são lugares lindos e apaixonantes. Quando a minha filha e os meus sobrinhos e sobrinhas eram ainda crianças viajámos com eles para S. Jorge, no Verão. Foram viagens que os marcaram e que aprofundaram ainda mais a fraternidade que os une.
 
Quais são os seus gostos gastronómicos? E qual é o seu prato preferido?
Gosto de comida tradicional, principalmente a que o meu marido cozinha, mas também gosto muito de cozinha vegetariana.
Que noticia gostaria de encontrar amanhã no jornal?
Não creio que o jornal de amanhã possa trazer uma notícia que, por si só, resolva os problemas da humanidade.
 
Qual a máxima que o/a inspira?
Raramente uso máximas ou citações. Inspiram-me as pessoas e as suas circunstâncias.
 
Estão criadas condições para o PS/Açores vencer as próximas eleições legislativas nacionais no arquipélago? Pode explicar?
O PS/Açores teve, ao longo dos últimos quatro anos, o projecto que melhor serviu os interesses dos Açores na República. Os resultados do trabalho desenvolvido pelos nossos deputados à Assembleia da República são reconhecidos e os Açorianos não esquecem como foram tratados durante o Governo central da coligação PSD/CDS.
O PS demonstrou que é possível governar sem asfixiar as pessoas. Com o PS, o rendimento das famílias aumentou, o salário mínimo aumentou 20%, foi criada a Prestação Social para a Inclusão, as pensões de reforma também foram aumentadas, também se reforçou o Complemento Solidário para os Idosos, o Rendimento Social de Inserção e o Abono de Família, entre outras medidas.
Os Açorianos sabem que nos próximos quatro anos vamos continuar a defender, e a concretizar, os projetcos que são importantes para o progresso da nossa Região.
 
Como pretende mobilizar o eleitorado abstencionista?
O combate à abstenção tem sido uma prioridade para o Partido Socialista dos Açores - não apenas nestas eleições à Assembleia da República. Acredito que a nossa capacidade para dialogar com a sociedade e a nossa disponibilidade para escutar os anseios dos Açorianos, são importantes para valorizar a participação eleitoral. Vamos, nos próximos meses, percorrer cada uma das nossas ilhas, para prestar contas do que foi feito e para apresentar o nosso projecto para os próximos quatro anos. Queremos, através do contacto directo com as pessoas, mobilizar os Açorianos para participarem nas próximas eleições.
Desejo que o debate político entre os candidatos decorra com elevação para que os eleitores não se desgastem e não se afastem destas eleições. Estaremos a prestar um mau serviço aos Açores se fizermos uma campanha de ataques em vez de uma campanha de esclarecimento.
 
Quais são as suas grandes bandeiras para as próximas eleições legislativas nacionais?
O manifesto do Partido Socialista dos Açores para a próxima legislatura está a ser construído em colaboração com os nossos parceiros e, como sempre faz o PS/Açores, auscultando a sociedade civil. Vamos apresentar aos Açorianos um projecto concreto e exequível que queremos cumprir. Posso, por agora, adiantar que o aprofundamento da nossa Autonomia, o exercício das funções do Estado na Região e a gestão do nosso Mar são matérias que também consideramos prioritárias.
 
Aparentemente, há uma boa relação entre o actual governo da República socialista e o Governo socialista dos Açores Viverão num mundo cor-de-rosa ou há questões em que se precisam de entender melhor?  
O bom relacionamento entre o Governo do PS na República e nos Açores reflectiu-se em vantagens para os Açorianos: Acabou a discriminação no acesso a cuidados médicos prestados aos Açorianos no continente; Pela primeira vez foi garantida a comparticipação do pagamento das obrigações de serviço público de transporte aéreo inter-ilhas e o valor do subsídio social de mobilidade duplicou; Foi criado o Tribunal Misto de Família e Menores e do Trabalho na Praia da Vitória e o Tribunal de Execução de Penas na Vila Franca; Também pela 1ª vez os Açores passaram a receber, como têm direito, parte das receitas dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, já para não falar dos projectos estratégicos na área do espaço e desenvolvimento cientifico. Há, de facto, domínios em que é preciso melhorar o relacionamento e há de facto projectos que estão a demorar mais do que todos desejaríamos, mas os Açorianos sabem que, ao longo da história, o PS/Açores tem demonstrado ser a verdadeira força da Autonomia. Vamos continuar a cumprir para com os Açorianos.
 
A gestão do mar dos Açores, ao longo da linha de água desde os fundos até à superfície deve ser feita pelos Açores? Deve ser feita de forma partilhada com o Governo da República e em que moldes?
Os poderes dos Açores respeitantes ao ordenamento e gestão do nosso espaço marítimo foram restringidos na legislação nacional. Defendemos que os Açorianos têm uma palavra a dizer sobre a gestão do seu espaço marítimo, seja em termos ambientais, científicos ou económicos. É estratégico para o interesse dos Açores a exploração, conservação e gestão de recursos, bem como a preservação e protecção de ambientes marinhos. A alteração da Lei de Bases da Política de Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional é um dos compromissos assumidos no Programa Eleitoral do PS
 
Concorda com a criação de um Conselho de Concertação das Autonomias nos moldes em que é proposto no programa eleitoral do PS? Porquê?
Importa recordar que a proposta de criação de Conselho de Concertação com as Autonomias Regionais foi avançada pelo Presidente Vasco Cordeiro a 10 de Junho, durante as comemorações do Dia da Região. Obviamente que concordamos que é preciso formalizar o relacionamento entre o Estado e as Regiões Autónomas, é preciso garantir que as Regiões participam nas políticas públicas e em assuntos comuns.
 
O cargo de Representante da República deixou de fazer sentido? Como deve ser substituído?
Como foi reafirmado na Moção de Orientação Global do PS/A – “Pelos Açores com o Açorianos” – defendemos a extinção do cargo de Representante da República. O percurso da nossa Autonomia justifica que as competências sejam assumidas por órgãos regionais, que já existam ou que venham a ser criados. Temos que defender o reforço da nossa Autonomia e a Comissão para a Reforma da Autonomia já está a trabalhar nesse sentido. O Partido Socialista, tanto aqui como na República, é o grande impulsionador dessa Reforma.

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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