1 de agosto de 2019

I - As fortificações

Arqueologia em Vila Franca do Campo

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo apresentou, logo em janeiro, um plano de valorização do Forte do Tagarete, que passa pela simples iniciativa de dignificar o local, criar um adarve que permita elevar o visitante à cota das canhoneiras, vedar ao acesso automóvel, invocar no pavimento os compartimentos já inexistentes, evidenciar melhor os existentes.
Surge proposta também a criação de um ponto livre de wi-fi, através do qual o visitante, nacional e estrangeiro, possa descarregar e perceber, de forma lúdica e intuitiva, o que vê ao seu redor. Em suma, o que existe, o que já existiu da fortificação da costa vila-franquese, a sua visão de conjunto, a sua representatividade no contexto insular, a sua importância no meio arquipelágico e o seu interesse na envolvência Atlântica.
Prosseguiu-se para a questão da consolidação do aparelho da muralha do Forte do Corpo Santo, que também aguarda pelo respetivo processo concursal, que integrará apoios comunitários, e potenciará a reabilitação do respetivo areal, em conjunto com a arquitetura militar e a sua requalificação.
Ateste-se, em primeira pessoa, que o arqueólogo municipal foi sempre convocado para as reuniões, da presidência com arquitetos, engenheiros e empreiteiros, o que demonstra que há, em Vila Franca do Campo, uma preocupação cultural exemplar, alinhada com a necessidade de reabilitação e reintegração urbana dos espaços públicos.
É pertinente também que se refiram outros trabalhos, com resultados a mais curto prazo, que fornecem dados para futuros projetos e garantem a preservação patrimonial pela via do registo.
Durante o mês corrente, houve uma aproximação arqueológica, não intrusiva, ao Forte de Santo António, da Ribeira das Tainhas.
O levantamento em campo, com o apoio essencial da topografia, permitiu identificar duas estruturas que não surgem nas plantas do séc. XIX: vestígios de um muro exterior à muralha, paralelo ao eixo norte-sul, e um muro interior provavelmente de contenção, paralelo ao eixo nascente-poente.
Para além disso, permitiu retificar o traço da muralha que surge nas plantas, bem como definir e referenciar, com precisão, a sua cota superior e a cota dos sistemas de drenagem de águas pluviais: algo que também não surge nas plantas e se torna um dado relevante para identificar elementos, já inexistentes na estrutura presente, como o caso do terrapleno.
O seu elevado estado de ruína, já reportado numa planta de janeiro de 1815, por Francisco Borges da Silva, e as suas questões de acessibilidade, não permitem grandes procedimentos de recuperação. Mas há um que temos o dever de levar a cabo, e foi feito: o do seu registo.
Neste momento, a autarquia detém informação inédita, ao dispor dos historiadores e arqueólogos militares. Ao dispor da Vila, dos vila-franquenses, dos açorianos, do estudo do seu património cultural.

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Categorias: Opinião

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