4 de agosto de 2019

Crónica da Madeira

- Uma História de Amor -

A Madeira está a celebrar os 600 anos da sua descoberta e, para assinalar esta efeméride, o Governo Regional, presidido pelo Dr. Miguel Albuquerque, um governante não só com preocupações sociais, mas também com um forte sentido de cultura, do que essa é e como é importante para a dignificação dos madeirenses, daí que, no programa das iniciativas que comemoram os 600 anos, existam vários números relativos à cultura. Entre esses, o espetáculo “Uma História de Amor”, que mostrou aos madeirenses as capacidades e talentos artísticos de jovens, tanto os da figuração como os principais atores convenceram e encantaram os milhares de espetadores que encheram, durante cinco sessões, a sala do Centro de Congressos da Madeira.
“Uma História de Amor”, da autoria do experiente homem de teatro, Eduardo Gaspar, foi uma iniciativa do MADS – Madeira Dramatic Society, cuja uma das fundadoras é a madeirense Teresa Gedge que, durante muitos anos, foi atriz de teatro em Londres. Dinâmica, com muito sentido de iniciativa, ela, juntamente com as outras fundadoras do MADS, proporcionou, até hoje, centenas de espetáculos aos madeirenses e aos estrangeiros que visitam a Madeira.
“Uma História de Amor” é um musical bilingue, português-inglês, baseada na lenda de Ana D’Arfet e Roberto Machim, um casal de jovens ingleses que, contrariando os pais, deixam a Inglaterra e, num pequeno barco, enfrentando uma tempestade, chegam à Madeira. O espetáculo, que é de uma beleza extraordinária, foca os diferentes aspetos e acontecimentos da Madeira, no percurso dos seus 600 anos. Assim, o público pôde aperceber-se do infindável número de acontecimentos da sua história. Com 54 pessoas em palco, bailarinos, cantores e atores, tem como principais intérpretes dois jovens cujas vozes melodiosas, magníficas, encantaram os espetadores que, com prolongados aplausos, sublinharam os seus talentos e as suas vozes fantásticas. Micaela Abreu e Diogo Garcia, ambos com 18 anos, têm naturalmente um futuro garantido, caso queiram seguir a carreira teatral. Aliás, a jovem Micaela deixará a Madeira em breve, a fim de frequentar uma das melhores academias de música do mundo – a Royal Academy of Music de Londres.
Os figurinos e cenários são da autoria de Miguel Sá Fernandes e a direção de cena esteve a cargo de Katy Fernandes e colaboradores. É justo louvar o trabalho do autor do texto e ensaiador, Eduardo Gaspar, que, com a sua sensibilidade e experiência teatral, conseguiu pôr em palco um musical com um número tão elevado de figurantes e, sobretudo, soube inteligentemente conjugar os dois idiomas, tornando-os compreensíveis ao vastíssimo público. Aliás, há muito que ele colabora com o MADS, tendo demonstrado, sempre, eficiência.
Não posso deixar de relevar o nome da Teresa Gedge (para os amigos, a Teresinha) que, desde há anos, luta, com as suas amigas, como uma heroína, para manter o MADS vivo, tendo, com a sua Associação, dado um valioso contributo à cultura local. Entusiasmando os jovens a participar nos seus espetáculos, a maioria feitos no idioma de Shakespeare, proporciona-lhes novos conhecimentos e põe-nos a dominar o inglês na perfeição, exercitando-os na pronúncia e no desembaraço da linguagem. A interpretação da Teresinha Gedge neste musical foi excelente, pelo que a felicito vivamente. O seu à vontade testemunha da sua experiência e capacidade interpretativa.
Penso que os fortes aplausos do público e os repetidos “bravos” que se repercutiam na sala, com centenas de pessoas de pé, são não só a garantia da sua satisfação e do seu encanto pela excelência do musical, mas também, de certo modo, devido ao seu estrondoso êxito, uma exigência para que volte ao palco, dando, assim, a oportunidade a mais madeirenses de reverem, através do musical, aspetos interessantes da sua história.

 

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Categorias: Opinião

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