4 de agosto de 2019

Maria Corisca

Recados com amor...

Meus Queridos! Fiquei pasmada quando li  o seguinte: “ Seria absurdo uma interpretação literal da lei”. Esta é a frase da semana e saiu da boca do Ministro Augusto Santos Silva que tinha obrigação de fazer melhor… por ocupar o lugar que ocupa… Tal discurso curto e grosso, é uma tentativa tosca de branquear a teia de interesses do roseiral que envolve negócios e famílias… coisa que noutras circunstâncias tanto criticavam… e bem… mas que agora, por estarem enterrados até ao pescoço, tentam uma bóia de salvação… E vai daí, o meu querido Primeiro António Costa com a sua reconhecida habilidade, lá pediu um parecer urgente à Procuradoria-geral da República para ver se o Ministro Santos Silva tem razão… enquanto os negócios da família socialista vão fazendo manchetes na imprensa internacional. A minha prima Angélica diz que apesar de não ser uma letrada em Direito, sempre aprendeu que uma lei é para se cumprir e não interpreta-la à vontade do freguês ou dos agentes que a ela estão sujeitos… Ao ler o que disse o Ministro Santos Silva a propósito do caso das golas e dos negócios subsequentes… lembrei-me dos desgraçados arguidos por esse país fora… que caem nas malhas da Justiça precisamente porque polícias e investigadores têm “uma interpretação literal da lei”… Que dizer de um país que tem um governo que faz a lei e depois, quando a coisa lhes toca… anuncia que a lei não é para ser tomada à letra? No caso concreto até o meu rico presidente Marcelo se apressou a promulgar a lei que altera a anterior… Não sei quais são a alterações que ela encerra, e só espero que se for mais favorável aos titulares abrangidos… não seja com efeitos retroactivos, porque há muita gente já condenada por via de leis que depois foram mudadas… Ricos! O país parece viver numa grande festa, como aquela que aconteceu há anos atrás… e sempre com grande algazarra e proveitos chorudos para muitos… Minha prima Angélica diz que a alegria que reina na onda rosa onde todos participam no banquete… relembra a alegria e a partilha passada num filme de 1973, chamado “La Grande Bouffe” que foi uma produção cinematográfica Franco-Italiana dirigida por Marco Ferreri, e tendo como estrelas Marcello Mastroianni, Ugo Tognazzi, Michel Piccoli, Philippe Noiret e Andréa Ferréol… Assim vai Portugal e se eu disser que tudo isto é uma pouca-vergonha, também posso acrescentar que os meus recadinhos não são para ser “interpretados literalmente”? Passa fora!


Meus Queridos! As caravelas portuguesas e as águas vivas não dão sossego aos banhistas neste verão e foi por isso que a minha prima Josefina resolveu ir a banhos até aos Poços de S. Vicente, porque ali a situação deveria estar mais calma. No entanto, não é que o outro dia, apareceu uma caravela portuguesa no meio da piscina e o alevante foi tão grande que os nadadores salvadores tiveram que mandar toda a gente sair da água. A Josefina ficou em pulgas para saber a razão por que não se tirava aquela “Physaliaphysalis” da água, pois bastava um simples camaroeiro para fazer o servicinho sem dificuldades. Josefina ficou para Deus a levar, ao ouvir um dos nadadores salvadores responder-lhe que não estavam autorizados a proceder à retirada da caravela portuguesa, porquanto ela estava no seu habitat natural e não se poder incomodar os seres vivos marinhos, e isto apesar de sabemos os efeitos que picadelas provocam nos banhistas, como sejam as dores intensas, lesões na pele e, em casos mais graves, problemas cardiorrespiratórios. As caravelas portuguesas e as águas vivas incomodam as pessoas, mas as pessoas não as podem incomodar… E lá se foi mais uma tarde de verão. Aonde isto chegou!

Ricos! Estamos no mês de Agosto e para se cumprir o ditado segundo o qual “primeiro de Agosto é primeiro de inverno”, lá São Pedro mandou umas orvalhadas nalguns pontos da ilha. Estamos quase a meio de Verão, com as suas festas e festivais por todo o lado. No meio desse verdadeiro arraial em que se tornam todas as ilhas, há quem não perceba que as coroações, impérios e mordomias têm o seu tempo, para serem genuínas. Ainda na semana passada, aqui pelos arredores da minha cidade-norte vi uma coroação, a rivalizar com uma festa de Verão, mesmo ao lado. E já que estou a falar de coroações, e porque agora até as transmitem em directo pelas “internetes”, vejam lá se ganham juízo em tratar aquilo que é símbolo do Divino. Pegou de moda levar pombas brancas, vivas, amarradas e presas a almofadas vermelhas… Bichinho sofre! Mas o pior é que chegados ao palanquim que serve de Triato, houve quem pegasse na pobre pombinha que tinha as asas dormentes de estar amarrada, e a lançasse ao ar duas vezes. A coitada nem conseguiu voar. Caiu desamparada, com um baque, naquele chão… E riram! Fiquei danada e perguntei a mim mesma se o Espírito Santo (o verdadeiro) gosta mesmo daquilo!

Meus queridos! Quero mandar um ternurento beijinho ao povo das Furnas e aos responsáveis pelas festas de Sant’Ana pelo brilho da sua procissão muito participada e pelos caminhos magnificamente enfeitados, sobressaindo o azul das hortênsias, ou novelões, como muita gente diz. E fica bonito porque o azul é mesmo a cor que se atribui a Nossa Senhora e, por extensão, a sua Mãe Sant’Ana. Por isso mesmo fiquei com muita pena de ver o andor com a imagem, a tal que foi restaurada no meio de muita polémica, sem o seu secular e muito lindo manto azul bordado que lhe dava uma aura e um ar de solenidade tão característico. Há coisas que se devem manter pelo que significam… Imaginem, por exemplo, que lá por terras dos Fenais da Vera Cruz, se lembravam de fazer sair a imagem da Senhora da Ajuda sem o seu baldaquino azul? Podem parecer pormenores sem valor, mas isto de tradição é mais ou menos como a comida: os olhos também comem!

Ricos! Fiquei para Deus me levar quando li, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, as reacções de alguns produtores de café, lá para os lados de São Jorge que têm medo de que a Delta – desculpem a publicidade – se aproveite do nome dos Açores para promover outros cafés. Tenham dó. Primeiro comecem a produzir e depois pensem no resto. Ninguém neste mundo obriga alguém a vender seja o que for a quem quer que seja… Já passou o tempo disso. E no negócio, como se costuma dizer, “quem tem unhas é que toda viola”. E por isso mesmo também não cabe na cabeça de ninguém que andem a discutir se o café deve ser café dos Açores ou café de São Jorge ou da Terceira, nem vale a pena reclamar porque a associação nasceu na Ilha de Jesus Cristo que até tem muitas vezes mais café que São Jorge. Já viram alguém de São Miguel se importar que o chá seja chá dos Açores, ou que o ananás seja o fruto rei dos Açores? Vamos aprender a ser uma Região? Sem complexos de pequenez?

Ricos! E já que falo de complexos de pequenez, não levo à paciência que se tenha feito um alarido na Terceira por ter aparecido, num sítio ou plataforma da União Europeia, que Ponta Delgada é a capital dos Açores. Além de esconjurarem tal facto, e exigirem que o Governo mandasse alterar a coisa... veio logo de seguida o papão do centralismo de São Miguel… como se isso fosse verdade e, como se alguém em São Miguel defendesse que Ponta Delgada devia ser a capital dos Açores… Cá por mim e pelo que conheço e ouço, em São Miguel as pessoas “borrifam-se” para esses títulos majestáticos… Se calhar é pela inveja terceirense que a Ilha não medra pelos seus próprios meios como é desejável…. Mas, disso culpem-se os próprios terceirenses porque apoios não têm faltado… Meus queridos deixem de ver fantasmas onde não existem… e façam por si o que outros não podem fazer…

Meus queridos! Depois de toda a turbulência e “poços de ar” que a SATA tem apanhado, eu penso sempre que já ouvi tudo sobre ela, mas a verdade é que aparece sempre alguém para me surpreender. Esta semana foi o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil que disse em comunicado que foi divulgado na imprensa, que “a SATA é odiada por todos! Malfadada e incompetente?”. Fiquei danada. Odiada por todos? Mas quem é que odeia a SATA? Só se forem os mercenários que se infiltram com outros fins que a gente não sabe…mas pelo andar da carruagem… quase adivinhamos quais sejam. Ricos, os Açoreanos (estou a escrever açoreanos com um E, de propósito) amam a SATA e gostam da sua companhia aérea, criada por um escol de gente de fibra, coragem e aventura, e por isso a SATA é a mais velha companhia de Portugal. Não gostam, protestam e lutam é contra o que fizeram dela. E querem acima de tudo é que se encontre o caminho certo para outros voos. Dizer que a SATA é odiada por todos é disparate de alguém que não pode ser açoriano, pelo menos de coração!

Meus queridos! E já que aqui falo de mobilidade aérea (gosto tanto destas expressões da moda), também não entendo aquele grande protesto pelas más condições da Aerogare da Terceira, de que não falo porque o pilim não tem dado para andar de avião, e por isso não sei como é que está. Mas fiquei de boca aberta quando um dos argumentos é que os bandos de pombas estavam a sujar as imediações e entrada da dita cuja. Olhem, ricos, bandos de pombas há em todo o lado. O que parece não haver é vontade de trabalhar e todos os dias, se preciso for, dar uma mangueirada para deixar o chão livre da caca… É que muita gente também tem bandos de pombas junto às suas casas e vai resolvendo com uma vassoura e um balde com água, isto sem falar nos bandos de pombos torcazes que deixam grandes bostas nas viaturas e nas casas onde poisam, além de danificarem os telhados quando levantam voo… Fazer política com caca de pomba é mesmo coisa da silly season!

Ricos! Toda a gente sabe que se criou no país uma onda de políticos e “cabecinhas pensadoras” que querem destruir tudo para depois reinarem sobre a terra queimada de uma civilização morta. Mas olhem que eles estão aí e não dormem. Vejam só que na Maternidade Alfredo da Costa – e eu a pensar que uma maternidade era um lugar para se nascer – vai acontecer em Setembro uma acção, que eles chamam “cursos de hora e meia” para discutir o aborto após as dez semanas. Ou seja, conseguiram ordem para matar até às dez semanas e agora já gritam: ao ataque, que dois meses e meio é pouco! Como diz a minha prima Teresinha, esta gente não dorme e vai conseguir no meio de geringonças e contorcionismos levar “a água ao seu moinho” da pouca-vergonha e falta de humanidade! Isso para já não falar da falta de nascimentos capazes de reporem a população que vai partindo…

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Autor: CA

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