Mais uma baixa de vulto na minha equipa

Pedro Galvão partiu. Muito cedo. Inesperadamente, mesmo tendo em conta que a saúde não estava ultimamente muito famosa.
A equipa que se foi formando no desporto do jornal Correio dos Açores e mais tarde no Jornal do Desporto e na RTP-Açores sofreu mais uma baixa de vulto. Três meses e meio depois de ter partido o mestre João de Brito Zeferino, agora foi, o Pedro Galvão.
A equipa que construí durante vários anos vai-se desmoronando consoante as idades vão avançando. O que não foi o caso do Pedro.
Num período de interregno entre o final da prática do futebol federado e o começo, muito cedo, da carreira de treinador, Pedro Galvão juntou-se à equipa que se formou no Correio dos Açores a partir do ano de 1975.
Pedro Galvão, neto do dr. Ruy Galvão de Carvalho, enfatizava as crónicas dos jogos de futebol que escrevia com sentidos poético e filosófico. Eram análises diferentes. Um estilo muito próprio em textos jornalísticos únicos, citando muitas vezes Eugénio de Andrade, poeta que apreciava.
Sobre futebol era minucioso no que escrevia, porque sabia pelos vastos conhecimentos que foi adquirindo.
Nas cavaqueiras que se seguiam ao fecho das edições do jornal e até altas horas, Pedro Galvão era um dos dominadores pelo dom da palavra e pelo conteúdo dos assuntos que abordava. Lia muito, fortalecendo a vasta cultura que possuía.
Tinha uma visão futurista do futebol da ilha. Bem procurou aplicar algumas ideias mas nunca conseguiu porque, talvez para os dirigentes da altura, tratava-se de um jovem sem os conhecimentos suficientes para dar o safanão que o futebol necessitava.
Ao longo dos anos algumas das suas ideias para a formação dos atletas foram sendo aplicadas, nomeadamente no clube do coração, o União Micaelense.
Anos mais tarde, quando deixou a carreira de treinador, Pedro Galvão foi comentador no programa Teledesporto, na RTP-Açores. Um reencontro de proximidade comigo que durou 2 anos. 
Os comentários que apresentava mantinham o estilo de comunicação próprios do Pedro Galvão. Directo e frontal, polémico mas sempre educado, marcou um tempo no comentário televisivo.
Bem disposto, bem humorado, com piadas oportunas e jocosas, granjeava a estima e a amizade. A panóplia de amigos era vasta e abrangia um leque de todos os extratos sociais. Nunca diferenciou quem se sentava a seu lado para as longas tardes e noites de convívios.
Pedro Galvão junta-se aos discípulos que já partiram: Paulo Jorge Raposo, Teófilo Ponte e Maurino Cardoso.

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Categorias: Opinião

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