Futura ponte sobre a Ribeira do Purgar a nascente da Povoação vai ter uma via de sete metros de largura

   O Director Regional das Obras Públicas e Comunicações, Frederico Sousa, afirmou ontem ao ‘Correio dos Açores’ que se pretende com as obras de requalificação da zona nascente da vila da Povoação “melhorar a segurança rodoviária” e pedonal naquela via actualmente demasiado apertada para a pressão de viaturas e pessoas que ali circulam. Estas obras, adjudicadas à empresa Marques pelo valor de 1. 210 mil euros, incluem a intervenção em duas pontes.
O Director Regional explicou que se trata de uma intervenção sobre um troço da Estrada Regional com pouca largura que não permite “a circulação pedonal em condições de segurança, nem a passagem, em simultâneo nos dois sentidos de viaturas pesadas” tanto na zona da ponte sobre a Ribeira do Purgar (mais conhecida por ponte dos arcos) e como na ponte da Ribeira dos Lagos.
Segundo o projecto, as duas pontes em arco de pedra, visto limitarem a secção de vazão que já provocaram galgamentos de água no passado, irão ser demolidas e substituídas “por estruturas novas em betão armado, adaptadas a um novo perfil transversal da estrada, que comportará uma faixa de rodagem de 7 metros de largura ladeada por passeios de ambos os lados”, informou Frederico Sousa.
Frederico Sousa explicou que, “de forma a solucionar a área de vazão e as fragilidades de estabilidade das pontes, será executado um novo tabuleiro com recurso a vigas pré fabricadas de forma a minimizar o tempo de interrupção da via”.

Foram estudadas outras soluções,
explica Frederico Sousa

Como esclareceu,  no decurso dos estudos e projectos foram equacionadas diversas soluções, entre as quais de destaca a manutenção da actual estrutura com aumento do tabuleiro. No entanto, “esta solução não foi validada tecnicamente por não solucionar a reduzida área de vazão e as bases estruturais existentes não seriam suficientes”.
Outra solução estudada passaria pela execução do tabuleiro com configuração em arco, com recurso a pré-esforço, “no entanto pela morosidade do processo construtivo e não garantia de manutenção do aspecto das pontes actuais, optou-se por não avançar com essa solução”.
Para além das novas pontes, estão previstos, ainda, no domínio estrutural, a execução de muros de suporte em betão armado para alargamento da plataforma da estrada, numa extensão de 130 metros, onde de localiza a única moradia a demolir.

Vai ser reabilitado pavimento
em 1,5 kms na subida
da Lomba do Alcaide

Nesta mesma obra, está incluída a reabilitação do pavimento e sistema de drenagem de 1,5 quilómetros na subida da Lomba do Alcaide.
Com esta intervenção, a circulação pedonal e a circulação rodoviária “poderão ser feitas em dois sentidos em simultâneo, aumentando a segurança rodoviária naquela zona”, diz o Director Regional de Obras Públicas e Comunicações.
Acrescenta ainda o facto de que as novas pontes “estarão preparadas para permitir o normal escoamento, na única entrada rodoviária nascente à Vila da Povoação” caso haja um aumento significativo do caudal das ribeiras.
A conclusão das obras está prevista para o próximo mês de Outubro.
O Governo dos Açores pretende, assim, “dar cumprimento a uma promessa feita aos povoacences de reforçar as condições de segurança de circulação nas estradas regionais do concelho da Povoação”.
O Director Regional assegurou, por outro lado, que apesar destas obras, vai manter-se o edifício onde funcionam os serviços administrativos da Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas na Povoação e que fica localizado junto à ponte dos arcos.

Alguns populares descontentes
com demolição da ponte dos arcos
 
Em todo este empreendimento, não é pacífica a demolição da ponte sobre a ribeira do Purgar, por a população da vila da Povoação considerar que os seus arcos são um património que se devia preservar.
Alguns residentes na vila estão a movimentar-se no sentido de realizarem uma manifestação em defesa de uma solução de construção que passe pela manutenção da ponte dos arcos e construção de uma plataforma sobre ela, “tal como aconteceu com uma ponte na freguesia de São Brás durante as obras da scut”.
Os populares alegam também que uma ponte mais aberta a nascente da Povoação vai resultar no aumento do caudal de água na ribeira ao longo da vila, explicando que os muros de suporte da ribeira não irão suportar este caudal.
Esta solução que os populares defendem contraria um parecer do Laboratório Regional de Engenharia Civil que concluiu que a ponte não irá suportar a pressão da plataforma e da futura circulação de veículos sobre ela. Os populares, contactos pelo ‘Correio dos Açores’, não aceitam este parecer defendendo que, “tal como sucede com os túneis, quanto maior o peso, mais suporta os arcos”. Os populares entendem, por outro lado, que a ponte alternativa que estará aberta ao trânsito e pessoas enquanto se construir a futura via, poderá não aguentar as chuvas de Setembro, constituindo assim um perigo. Recordam, a propósito, as cheias de 1986 que aconteceram no início de Setembro. Já para a Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, esta foi “a melhor solução temporária para garantir a circulação de pesados enquanto a futura ponte não se encontra operacional”.

  Rita Frias/JP

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Autor: CA

Categorias: Regional

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