11 de agosto de 2019

Recados com amor...

Meus queridos! Ainda esta semana, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, um empresário de restauração afirmava que o centro histórico de Ponta Delgada está a ficar vazio de muitas das actividades que o caracterizavam e que hoje, em vez do comércio tradicional, estamos a transformar a cidade num “centro comercial de restaurantes, snacks, cafés e similares”. A gente sabe que a viragem abrupta para a indústria do turismo dá nisto e em zonas de turismo de massa é isto mesmo que acontece. Por isso mesmo tem razão a minha prima da Rua do Poço, já assustada porque em muitas ruas já são mais os alojamentos locais que os moradores, quando diz que a Câmara do meu querido Presidente Bolieiro tem de tomar medidas para que Ponta Delgada não se torne uma “cidade estranha com gente estranha”. Quem mora na cidade quase que não descansa, em grande parte da semana. Os barulhos, os gritos, os vândalos que saem de bares e discotecas e vão acordando toda a gente, destruindo recipientes do lixo, sujando as ruas e muitas vezes vomitando-as, tudo isto ao lado do calvário que é querer um lugar para estacionar ou descarregar frente à sua casa e não se consegue… Tudo isso faz com que seja um convite ao despejo do que resta dos moradores de Ponta Delgada. E a minha prima não acredita que entre tantos e competentes vereadores não haja quem veja e explane estas realidades. O que falta é coragem para tomar medidas… e não venham com a questão da falta de dinheiro, porque há coisas que se fazem sem ele e a falta de pilim não pode ser desculpa para tudo.

 


Ricos! Por cá, políticos e até a comunicação social passaram como gato em cima de brasas pela notícia de que o meu querido Presidente Marcelo já promulgou a nova lei da mobilidade aérea dos residentes na Região Autónoma da Madeira. 86 euros -  e 65 para estudantes -   é quanto os madeirenses vão pagar pelas viagens sem mais nada terem de embolsar para depois serem reembolsados. Como diz a minha prima Jardelina, mais uma vez ficámos para trás. Coisas da grande cooperação Lisboa/Açores... Ou então (Deus me livre fazer juízos temerários) … como na Madeira as eleições estão à porta, pois realizam-se em Setembro, a coisa veio mesmo a calhar … e quanto aos Açores vamos esperar pelo “sapatinho” lá para Outubro do ano que vem… isto é, um pouco antes das eleições de 2020… Pois! Quando chegam as eleições … há sempre quem goste de acenar com as viagens de avião…. Quem não se lembra da promessa de viagens a 100 euros feitas em 1996 pelo meu querido Primeiro-ministro António Guterres em visita aos Açores … e que catapultaram César para o poder? E já lá vão 23 anos…

Meus queridos! Telefonou-me esta semana a minha prima Maria da Praia para me dizer que o candidato laranja da Terceira, o meu querido deputado António Ventura, tinha escolhido Reis Leite para mandatário da campanha do PSD na Ilha de Jesus. Para quem, muitas vezes, pensa e diz que a política não é uma coisa feita de traquejo e experiência, o discurso do antigo governante regional, e Presidente da Assembleia Regional é a prova provada da clarividência e da categoria que não se desvanece com a idade. Reis Leite fez uma leitura clara, acutilante e equilibrada da situação nos Açores e no País, como poucos saberiam fazer e como há muito a minha prima não tinha ouvido, com críticas e verdades para dentro e para fora. É caso para dizer que muito têm os novos que aprender com os “velhinhos”…

Meus queridos! Esta semana foi notícia a tragédia que ia acontecendo na zona de banhos da Caloura com as chamadas “levadias, ou lavadias” de Agosto e que só não aconteceu pela pronta e corajosa acção dos nadadores salvadores e de alguns banhistas bons nadadores que se atiraram para salvar adultos e crianças “varridas” pelas ondas e que não sabiam nadar, nem tinham forças para lutar contra o impacto do bater da onda… No meio de muito disparate que se disse, fiquei para Deus me levar quando ouvi um emproado senhor dizer que era uma vergonha existir só dois nadadores salvadores para tanta gente. Vergonha o quê? Se os papás e os piquenos obedecessem aos sinais e às ordens dos que ali estavam e à bandeira que estava içada, nada disso acontecia. Mas como sempre, a educação e o gosto pelo “fruto proibido”, neste caso pelo mar proibido, é muito mais forte. E nisto de piscinas e praias haveria tanto a mudar… por exemplo aqueles que vão para a praia e levam brutos rádios e leitores de música que põem em altos berros, sem pensar que há gente que ali está para descansar e para ouvir o marulhar das ondas… E que tal proibir música alta nas praias?… Quem quiser, leve auscultadores. Bem faz a minha prima Teresinha que diz aos futebolistas de ocasião que “pancada com bola é bola picada”… Respeito precisa-se!

Meus queridos! Desde há muito tempo que o concelho da Povoação, que há pouco mais de um mês celebrou o seu feriado, se considera a capital do turismo de São Miguel. E os seus grandes cartazes eram as Furnas e a Ribeira Quente. Mas há dias fui com a minha sobrinha-neta à vila das sete lombas e fiquei deslumbrada com aquilo que vi. Contra muitos velhos do restelo, a velha urbe já deixou de ser lugar de passagem. Voltou-se para o mar, tem um belo porto de recreio à espera de barcos, tem um magnífico hotel, mesmo em cima do mar, piscinas novas e maravilhosas, num cenário quase tropical a que não falta um bom bar e não se pode esquecer o seu parque infantil que é do melhor que tenho visto por aí. Gostei… e um dia destes ainda peço ao charmoso director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio para mandar publicar uma reportagem sobre como fazer de uma velha vila um espaço de futuro…

Meus queridos! No velhinho e sempre renovado Diário dos Açores li esta semana um artigo do Dr. Mário Frota, um dinossauro da defesa do consumidor em Portugal, que se insurgia contra a lei das prioridades no atendimento de deficientes, idosos, grávidas e pessoas com crianças. E o articulista tem razão. Depois destes tempos de experiência, é bom que a lei seja revista. Em tudo, como em todas as coisas, há sempre quem se saiba aproveitar. Ainda há dias, nos CTT, lá para os lados da Antero de Quental, estava uma fila de pessoas para ser atendida… Entrou um senhor, desportivamente, como quem está de férias, e quando viu o número de pessoas à frente saiu, pensando os presentes que tinha desistido. Minutos depois volta a entrar, desta feita acompanhado de duas crianças e claro, foi tiro e queda… atendimento prioritário. Por isso mesmo até já há quem peça as crianças das vizinhas para não ter que esperar nas Finanças e outros lugares… Só falta criar um serviço de aluguer de crianças para se ter prioridade… Já esteve mais longe!.. E essa, hein?!

Ricos! Durante o verão semeiam-se festas por todo o lado com concertos e cantores que custam uma pipa de massa que servia para tapar alguns buracos das estradas… mas, isso não vem ao caso agora… O que não levo à paciência é o anúncio feito com pompa e circunstância pelo meu querido Secretário da Cultura Avelino Menezes… dando conta que as Filarmónicas dos Açores receberam nos últimos três anos um apoio de meio milhão de euros… A minha prima Maria da Praia que me telefonou por outras coisas… falou-me também do mesmo assunto, dizendo que temos mais de 100 filarmónicas em actividade nos Açores, e fazendo uma conta de dividir concluía ela…. que se esse dinheiro fosse distribuído equitativamente por cada uma das Bandas… daria cerca de 1.500 euros por ano, o que não chega sequer para pagar as palhetas que cada uma gasta… Cá por mim penso que é pena que não haja mais apoio às bandas de música pois elas  são importantes escolas para os jovens e poderiam ser aproveitadas e incentivadas pelos municípios para preencherem a animação de verão nas várias freguesias das nossas Ilhas…

Ricos! Toda a gente sabe que em Portugal se criou uma onda de políticos e “cabecinhas pensadoras” que querem destruir tudo para depois reinarem sobre a terra queimada de uma civilização morta. Mas olhem que eles estão aí e não dormem. Vejam só que na Maternidade Alfredo da Costa – e eu a pensar que uma maternidade era um lugar para se nascer – vai acontecer em Setembro uma acção, que eles chamam “cursos de hora e meia” para discutir o aborto após as dez semanas. Ou seja, conseguiram ordem para matar até às dez semanas quem ainda não viu a luz do dia… e agora já gritam: ao ataque, que dois meses e meio é pouco! Como diz a minha prima Teresinha, há gente que não dorme… pensando como é que irão conseguir o pleno… e pelos vistos ainda no meio de geringonças e contorcionismos vão conseguir levar “a água ao seu moinho” da pouca-vergonha e falta de humanidade! Tenham dó!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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