Populares da Povoação manifestam-se contra a demolição da “Ponte Nova”

 A manifestação, agendada para o final do dia de ontem, serviu para a população, nomeadamente os moradores daquela zona, mostrarem o seu descontentamento perante a incerteza do que irá acontecer com as obras. 
Lisarda Franco, uma das moradoras e mobilizadoras da manifestação, explicou ao Correio dos Açores ‘,que um dos objectivos consiste “em defender o nosso património”. 
Durante o fim-de-semana, foram mobilizadas algumas pessoas, mas que “apesar de haver quem esteja contra a demolição das pontes, tem receio de aparecer porque estão a trabalhar em programas da Câmara ou têm filhos nesses programas. Muitos disseram que vinham, mas é sempre uma incógnita.” 
Acrescentou ainda que “foram contactados vários órgãos de comunicação para cobrir a manifestação e também para dar alguma força”.
Lisarda Franco afirmou “que não houve nenhuma reunião com a população sobre as obras de requalificação” e que “ninguém sabe o que realmente se vai passar ali. O Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal da Povoação não se reuniu com a população.” 
Sobre o projecto, refere que “não existe nenhuma placa de licenciamento de obras, como é usual haver. Nós (população) não tivemos acesso ao projecto, a não ser as pessoas que estão na obra. E essas não falam, têm medo de represálias, talvez”. Acrescenta que “foi prometido aos moradores do Bairro da Caridade, mais conhecido por Comissão, a construção de uma rotunda. Para quem conhece bem o cruzamento, todos dizem que se justifica ali a construção da rotunda.” No entanto, confirma não haver nenhuma rotunda no projecto, segundo fontes da moradora. 
Defende a solução que foi utilizada numa ponte na freguesia de São Brás, aquando da construção do eixo-norte das SCUT passando pela manutenção das pontes e construção de plataforma sobre as mesmas: “mantinha-se as pontes com a largura suficiente para passar duas viaturas e peões também!”
Relativamente à alternativa temporária encontrada pela Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, a ponte provisória que irá garantir a circulação de veículos e de peões enquanto a futura ponte não se encontrar funcional, Lisarda Franco referiu que já “na semana passada, apanharam um susto com as chuvas de 2.ª feira. Só quem vive aqui, é que tem ideia da quantidade de água que vem pela ribeira abaixo.” 
Para já, a ponte ainda se encontra vedada, não estando ninguém a circular nela. “Só quando procederem às supostas demolições, é que se vai começar a circular na ponte provisória”. 
A ponte temporária que irá estar aberta ao trânsito e às pessoas pode vir a constituir um perigo sobretudo na época de chuvas. “Quando chega o mês de Setembro, a população da Povoação fica sempre com receio. Lembramo-nos das cheias de Setembro de 1986. Quem mora aqui, sabe o que pode vir a acontecer. Sempre que chove muito, o caudal da ribeira aumenta, trazendo troncos e tudo o que vem lá de cima da mata, vem desaguar à Vila” conta a moradora Lizarda Franco
A demolição das pontes antigas foi a melhor solução encontrada pela Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, tal como havia referido Frederico Sousa, Director Regional de Obras Públicas e Comunicação ao Correio dos Açores.

                                              

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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