Livro de Zilda França sobre vulcões é “quase um hino ao povo açoriano”

Com a inauguração da Casa dos Vulcões da ilha do Pico, foi lançado no dia 9 do corrente o livro cujo título aparece  em epígrafe. É um livro de mais de 420 páginas que para além de contar a história vulcânica de cada uma das ilhas dos Açores “enaltece a luta do povo açoriano face a todas as adversidades por que tem passado desde o momento em que decidiu para aqui vir”.  


O livro ‘Vulcões e a Humanidade. Açores: evocando a história vulcânica e humana’ da autoria de Zilda França, com a colaboração de Robert Tilling e Victor Hugo Forjaz, três vulcanólogos de renome internacional, e ilustrado com fotografias de alta qualidade da autoria do geólogo/ astrónomo e, também, fotógrafo japonês Motomaro Shirao, de reconhecido nível, pretende dar um contributo para um melhor conhecimento sobre a realidade vulcânica e humana das nove ilhas que formam o arquipélago dos Açores.
Estruturado com grandes preocupações pedagógicas, o livro apresentado no passado dia 9, na Casa dos Vulcões, por Raquel Soeiro de Brito, ilustre geógrafa Portuguesa, primeira a desenvolver trabalhos de investigação sobre o Vulcão dos Capelinhos, surge em versão bilingue para chegar ao maior número de leitores, utilizando uma linguagem descodificada, sem, no entanto, descurar o alto rigor científico. 
O livro apresenta conteúdos ilustrados quer pelas excelentes fotografias, como por mapas, gráficos e, integra, na sua parte final, um extenso glossário. Uma longa bibliografia é acessível através do endereço de uma página WEB, ou por leitor de código QR, que são disponibilizados no livro, o que poderá ser útil, sobretudo, para quem quiser aprofundar os seus conhecimentos sobre a problemática da Vulcanologia, quer de carácter geral ou dos Açores em particular. 
Ao longo de três capítulos o trabalho lança um desafio, a todos os interessados pela realidade vulcanológica e humana dos Açores, para integrarem uma espécie de ‘excursão’ fotográfica com início em Santa Maria, no extremo oriental, e término no Corvo, a ocidente.
Considerando que alguns dos eventuais leitores possam não estar familiarizados com a terminologia e conceitos vulcânicos, os autores optaram por introduzir um primeiro capítulo onde se analisam algumas noções basilares de vulcanologia. Num segundo capítulo, numa parte introdutória, é feita uma breve abordagem ao enquadramento geológico do arquipélago, à sua sismicidade e erupções vulcânicas em tempos históricas, entre outros assuntos. A parte principal deste capítulo faz uma reconstituição da história vulcânica de cada uma das ilhas, tentando contar como e quando terão surgido, e quais os principais processos que têm contribuído para as suas actuais configurações. 
O terceiro capítulo é dedicado à forma como os açorianos têm ultrapassado os inúmeros desafios que a natureza tem apresentado e, principalmente, como têm coexistido com os seus vulcões desde meados do século XV, altura em que ocorreu o povoamento das ilhas.
Dedicado a todos os leitores interessados nos fenómenos vulcânicos, e nos seus impactos, o livro poderá ter uma utilidade muito especial para os professores do ensino secundário, particularmente nos momentos lectivos em que terão de abordar a origem e evolução de cada uma das ilhas do arquipélago, bem como para alunos universitários do âmbito das Ciências da Terra.
Com estes objectivos em mente, segundo é possível ler no prefácio, fez-se um esforço especial para apresentar os fenómenos, e as suas implicações, numa linguagem não demasiado técnica, e, tanto quanto possível, facilmente compreensível.
Zilda França, vulcanóloga natural de São Roque do Pico, considera que o livro é “único” nos Açores e até em Portugal nesta área do saber, acrescentando que o terceiro capítulo é “quase um hino ao povo açoriano”. É, segundo ela, uma exaltação à convivência dos açorianos com os seus vulcões, à forma heróica e imaginativa com que foram sobrevivendo e erguendo-se sempre que a natureza os tentou derrubar. O povo açoriano encontrou na sua fé tudo o que necessitava para se soerguer no momento em que tudo colapsava e se reduzia a nada.” E continua dizendo “Com grande dignidade, muito esforço, muita garra, e sobretudo muita fé, este povo luta e continuará lutando tentando preservar o seu modo de vida. O encanto e a paixão dos açorianos pelas suas ilhas, percorre-lhes o seu corpo como rios de lava fluindo para o mar”.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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