O ‘barbeiro dos jogadores’ reforça presença em Ponta Delgada

João Rocha é natural da ilha Terceira e começou a trabalhar numa agência funerária quando ainda frequentava o 12.º ano. Mais tarde acabou por ter um stand de motos, que não chegou a bom porto devido à crise. Entretanto, com a mulher, foi a Lisboa e acabou por frequentar um curso de barbeiros, cujo formador lhe assegurou: “Não conheço nenhum barbeiro desempregado”. Foi o mote para tentar singrar na sua nova profissão, decidindo arriscar no negócio na sua terra natal. Abriu uma pequena barbearia com uma só cadeira e um espelho que lhe custou pouco mais de 30 Euros. Os clientes começaram a aparecer e o marketing foi, numa primeira instância, feito de boca a boca (sucesso). No presente a publicidade é alcançada através das redes sociais do Facebook e Instagram.
A sua ambição levou-o a estudar e trabalhar em diversos países, entre eles, França, Inglaterra, Itália, Estados Unidos ou Dubai e, em 2017, ficou entre os 10 primeiros profissionais de Portugal, na batalha dos barbeiros. “Sempre quis aprender cada vez mais, porque não quero que um cliente me peça um determinado corte que depois não saiba fazer”, de tal modo que agora está habilitado a dar formação.
 “Urban Trends Porto foi uma formação que demos no Porto, mais concretamente no Estádio do Dragão. Mais recentemente decorreu uma outra formação na ilha da Madeira, estando prevista ainda uma outra formação no próximo mês de Outubro, aqui em Ponta Delgada”, tal como no ano passado.
De referir que o Urban Trends Porto decorreu no mês de Junho e foi um Workshop de Barbeiro que ocorreu conjuntamente com um outro de Coloração/Descoloração, este a cargo do Master Stylist Paulo Tressmann. O Workshop de Barbeiro foi orientado pelos barbeiros João Rocha e Ernesto Blanco. 
O Urban Trends Porto foi o primeiro do género realizado num estádio de futebol, o que acabou por se distinguir por ter sido realizado num cenário diferente do habitual.

Tudo começou em 2013

João Rocha tirou o curso de barbeiro em 2013 e abriu a sua primeira barbearia no ano seguinte, ou seja, em 2014, na Vila das Lajes, ilha Terceira. O que parecia uma profissão à beira da extinção transformou-se num sucesso, e o barbeiro tem clientes para todas as idades, que procuram as suas barbearias.
Passado algum tempo, o nosso interlocutor participou em inúmeras formações em Portugal e no estrangeiro, mas são mais os workshops em que participa como formador.
Começou por vir dar aulas aqui em Ponta Delgada e abriu inclusivamente a sua primeira barbearia na Rua da Cruz. 
No entretanto, e para dar mais qualidade ao serviço prestado surgiu mais uma barbearia em Ponta Delgada, mais concretamente, na Rua Manuel da Ponte. “Abrimos primeiramente na Rua da Cruz, porque era um espaço pequeno e estávamos mais na expectativa, mas depois quando começamos a ver que as coisas estavam a correr bem, o espaço tornou-se pequeno. Tínhamos propostas para irmos para outros lados, mas não queríamos sair do centro da cidade e acabamos por arranjar este”, na Rua Manuel da Ponte.

Camisolas de jogadores: 
reconhecimento

The Barber Shop by João Rocha na Rua Manuel da Ponte surge uma decoração que prende a atenção de todos, desde uma moto, a produtos relacionados com a profissão de barbeiro, mas não só. “Um dia recebi uma mensagem a perguntar se podia ir a casa dele cortar o cabelo”. Na resposta, João Rocha respondeu que “ia, mas morava nos Açores, porque ele pensava que eu morava no Porto”. Concluindo, era o Felipe, o defesa que jogou no FC Porto, que no defeso foi transferido para o Atlético de Madrid, por uma quantia a avaliar os 30 milhões de Euros. João Rocha foi lá cortar o cabelo e atrás disso começou a ser muito solicitado por jogadores de futebol, inclusivamente do Santa Clara e até das equipas que cá vêm jogar com os “encarnados” de Ponta Delgada. No espaço podemos assim encontrar uma camisola do Sporting e outra do FC Porto. Por via disto, muitos chegam afirmar que João Rocha é o barbeiro dos jogadores e outras dez camisolas de outras tantas equipas de futebol vão estar em exposição, em breve, naquele espaço.
“Independentemente de cor clubística é uma forma de reconhecerem o meu trabalho”, valida. 

Três barbeiros 
com mais um a caminho

Aberto há pouco mais de três semanas, “o negócio está a decorrer bem e acabamos por ver que as pessoas continuam a aderir como na Rua da Cruz e até acho que estão a aderir mais ainda, porque temos agora mais um colaborador, mas no final deste mês vamos ter mais um barbeiro que vem do continente para trabalhar connosco e enquanto o negócio pedir mais vamos dar resposta”.
A terminar, João Rocha afirma que todos os cabelos são diferentes. “Cabelos iguais não existem. Num dos eventos que fiz em Lisboa conheci um rapaz que tinha um irmão gémeo. Eram iguais em termos físicos, fiz-lhes o mesmo corte e mesmo assim o tipo de cabelo não era igual e isso ficou demonstrado nesse evento”.

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