Câmara de Angra vai pedir novas análises à areia da Prainha depois de denunciados valores de E.coli acima do recomendado

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o delegado de saúde do concelho não vão interditar a zona balnear da Prainha, embora admitam que vão pedir novas análises à areia daquela zona balnear, por parte do Instituto Ricardo Jorge.
O Presidente da Câmara Municipal de Angra, Álamo Meneses, falava aos jornalistas após a divulgação de análises por parte da Associação Azulinvade e que informavam que os valores das bactérias coliformes, da bactéria Escherichia Coli e de enterecocos intestinais, estavam acima dos 201 por grama, quando os valores máximos admissíveis são de 100 por grama, no caso das bactéricas coliformes, e de 20 por grama no caso das restantes.
Álamo Meneses referiu que foi pedida nova análise ao Instituto Ricardo Jorge “que virá fazer a recolha. Aquelas são análises não são certificadas, porque não seguiram o protocolo que está estabelecido, nem quanto à recolha, nem quanto ao local de recolha, nem quanto ao manuseamento”, declarou Álamo Meneses.
Numa conferência de imprensa depois de uma reunião onde estiveram presentes as direcções regionais da Saúde e dos Assuntos do Mar bem como a delegação de saúde, a Câmara Municipal e a Capitania do Porto de Angra do Heroísmo, o Presidente da Câmara Municipal de Angra anunciou que em breve vai deslocar-se à ilha um técnico do Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, para recolher novas amostras da areia da Prainha.
“Com base naquilo que foi tornado público, não nos permite definir se a contaminação está circunscrita a determinada área, se é extensível a todo o areal. A informação é mais sensacionalista do que propriamente científica e temos que definir esse plano de amostragem para fazer as recolhas de forma organizada, sistematizada e com metodologia própria, para podermos decidir se há, ao fim ao cabo, alguma fundamentação para implementar a interdição total ou parcial do areal”, referiu na conferência de imprensa o Director Regional da Saúde, Tiago Lopes.
O governante declarou que não há registo de “problemas de saúde pública” nos centros de saúde nem no Hospital de Santo Espírito, na Terceira, ao mesmo tempo que precisou que “não têm sido detectadas manifestações clínicas junto da população, quer de transtornos gastrointestinais, quer de outra sintomatologia ao nível cutâneo, por exemplo”.
Por se lado, Álamo Meneses explicou que a bandeira verde na Prainha “vai continuar içada” e a praia vai continuar a funcionar normalmente. 
De acordo com a Associação Azulinvade as amostras de areia foram recolhidas a 6 de Agosto e enviadas para o Instituto Ricardo Jorge que, de acordo com relatório tornado público pela Associação, adianta que “os valores obtidos excedem os valores recomendados”. Os valores das bactérias coliformes, da bactéria Escherichia Coli e de enterecocos intestinais estão acima dos 201 por grama, quando os valores máximos admissíveis são de 100 por grama, no caso das bactéricas coliformes, e de 20 por grama no caso das restantes.
A associação ambiental Azulinvade já vem há mais de um ano a alertar para a possibilidade da zona balnear da Prainha estar contaminada.
O Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo já admitiu que quando chove com mais intensidade em Angra do Heroísmo são feitas descargas de emergência para o mar. No entanto, as análises feitas ao longo dos últimos 12 anos comprovam que as descargas que ocorrem junto ao Porto das Pipas não afectam a qualidade da água na Prainha. Álamo Meneses acrescentou que já entrou em funcionamento uma nova estação elevatória, que permitirá retirar cerca de 70% dos esgotos que eram encaminhadas para a que se encontra no centro da cidade.
A Associação Azulinvade acusou as entidades de se recusarem a fazer análises nos dias seguintes às descargas de emergência, no entanto, Álamo Meneses já referiu que as amostras são recolhidas por uma “entidade externa, devidamente certificada”, que segue as datas determinadas pela Direcção Regional dos Assuntos do Mar.
A Associação diz ter enviado o relatório das análises recebidas do Instituto Ricardo Jorge para a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, para a Secretaria Regional da Saúde, para a Inspecção Regional da Saúde, para a Direcção Regional dos Assuntos do Mar, capitania do Porto da Praia da Vitória, Polícia Marítima e para a Direcção Regional do Ambiente. A Azulinvade diz que nenhuma entidade respondeu.
A Azulinvade já apresentou, este ano, queixas no Ministério Público contra a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o Delegado de Saúde de Angra do Heroísmo e admite apresentar agora também uma queixa contra a Polícia Marítima por “inacção”.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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