18 de agosto de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! A política por cá foi a férias também… Vão-se conhecendo algumas investidas dos candidatos a deputados à Assembleia da República, batendo à porta das habituais instituições que estão já habituadas a tais visitas… e vão por si aproveitando para darem conta dos seus infortúnios, esperando que depois de eleitos os deputados não se esqueçam do que prometem. Cá por mim, vou seguir o que escreveu Domingo passado no seu Editorial o meu querido Director … Vou esperar para ler o “compromisso “ dos vários candidatos pelos Açores a deputados para ajuizar a valia das suas propostas e compará-las com as necessidades e anseios dos eleitores… E falando de necessidades, guardei em tempos uma promessa feita pelo Ministro do Ensino Superior do Governo de Portugal, anunciando em Janeiro de 2019 medidas para baixar as propinas do ensino superior de modo a extingui-las em dez anos. Fui a correr dar a notícia a uma sobrinha neta que vai entrar este ano para a Universidade, mas, daí para cá a promessa ficou no congelador… e depois só se ouviu o Ministro falar… que para acabar com as propinas seria preciso distribuir tal encargo por todos, isto é pelo Estado, pelas empresas e pelas famílias… É caso para dizer que assim eu também faria…Promessas e mais promessas…

Meus queridos! Nesta país anda toda a gente muito magoada com toda a gente. Como diz a minha sobrinha-neta, até nem parece que estamos na denominada silly season, que é a forma moderníssima e fina de dizer tempo de férias… Depois dos camionistas e da sua mediática greve, nem quero meter-me a dizer se foi justa ou não, e quem acaba por ganhar como ela,… o que sei é que quase não se falou da greve dos assoberbados trabalhadores dos postos RIAC que trabalham que se desunham e não conseguem sair da cepa torta …e continuam a ser considerados funcionários de segunda… No caso talvez haja um milagre para o ano, perto das eleições…. E pouco se fala também da greve do pessoal dos registos e notariado, porque agora está na moda é que as greves sejam boas ou más, conforme quem as promove… E no meio de tantos descontentes, a última que eu esperava ouvir era aquela dos Juízes do Tribunal Constitucional que se sentem muito magoados porque o meu querido Presidente Marcelo se esqueceu deles e nunca lhes manda nenhuma lei para fiscalização preventiva, nem para consulta. Olhem, meritíssimos! Pode ser que entre aquelas que Marcelo levou para a praia para assinar, haja alguma que resolva mandar para vossa apreciação. Por mim, não tenho saudades nenhumas… de ver leis a serem enviadas para vossas excelências, porque com as viseiras restritivas que sempre tiveram e conservam sobre a Autonomia dos Açores, espero que não haja nunca necessidade de vos consultar… Livra!


Ricos! Já muitas vezes disse aqui nos meus recadinhos que tinha saudades dos tempos em que nas nossas matas, grotas e ribeiras, era frequente ver a diligência e brio com que os Guardas-Florestais zelavam pela zona que lhes competia e informavam as autoridades competentes sobre as necessidades de limpeza ou de obras necessárias para evitar os abusos quase selvaticamente cometidos e que ainda acontecem, e que depois podem originar grandes catástrofes. Durante anos foi um ar que se lhes deu e folgo muito saber que agora, para as nove ilhas dos Açores já há 53 guardas ao serviço e para o ano serão mais 12, o que fará um total de 65 para todas as ilhas… É uma gota de água nas necessidades, mas é melhor que nada. Não vale a pena é embandeirar em arco por tão pouco, porque não falta por aí quem pouco se importe com a limpeza das ribeiras e com a pouca vergonha que fica para trás nos cortes de matas, para não falar nos desregramentos da caça clandestina que são uma verdadeira ofensa para os verdadeiros caçadores… Por isso mesmo, que mais doze guardas-florestais sejam fermento para mais outros tantos “vigilantes da natureza”… são os meus votos neste Agosto quente e húmido!


Ricos! Muito gostei de saber que A ATA – Associação de Turismo dos Açores – resolveu concretizar a ideia proposta na alteração dos seus estatutos, segunda a qual terá um director executivo que será recrutado do exterior, por concurso. Espero que isso não seja apenas uma operação de markting interno e estou cá para ver depois os resultados da promoção dos Açores no exterior… Depois dos episódios de todos conhecidos e que até fizeram com que o Governo do meu querido presidente Vasco, que era sócio da Associação … tenha saltado do barco quase a afundar… espero que depois de férias o Ministério Público possa dizer de sua justiça sobre a investigação que decorre à ATA, pois a Constituição da República obriga a que a justiça seja célere e não deixe os investigados a arderem em lume brando… Já basta a suspeição que recai em cada um por falta de respeito quanto à presunção da inocência e por violação das regras quanto ao segredo de justiça!.. 


Meus Queridos! Como sabem, não sou mulher de me meter em políticas, mas agora que há-de ser lançado um concurso internacional para a ATA, e à semelhança do que acontece por exemplo com os reitores das Universidades… ou outras empresas… numa óptica da globalização em que vivemos, acho que esse exemplo devia ser seguido em muitas outras instituições… Estou a lembrar-me de um editorial assinado pelo meu querido Director e publicado há tempos no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, em que se preconizava precisamente isto para a SATA: a contratação de um gestor, do exterior e através de um concurso público. Nos tempos que correm, para grandes negócios grandes gestores e ao contrário do que acontece com muitas nomeações políticas, quando a gestão é profissional e independente, todo o dinheiro que se gasta é investimento… E era hora da SATA seguir o exempla da ATA!

Ricos! Esta semana resolvi ir com a minha comadre Amelinha jantar a uma esplanada das Portas do Mar, coisa que já não fazia há algum tempo, e quando lá ia, pegava-me sempre com o empregado que nos servia por causa da miscelânea de cadeiras e guarda sois cheias de cores e anúncios, manchando a estética e o agradável ambiente que uma esplanada deve proporcionar aos clientes… Desta feita fui surpreendida com a mudança da decoração e felicitei o empregado por tal mudança, ao que ele me respondeu que ela se deveu a uma norma da Câmara Municipal de Ponta Delgada que regulamentou o uso de mobiliário nas esplanadas da cidade…. Acho que é uma medida de aplaudir e felicitar quem ordenou…


Ricos! A gente sabe que o direito de opinião é coisa sagrada, mas já o direito à asneira nem tanto. E foi isto que pensei quando li no único jornal da cidade património, no passado dia 14, véspera da Senhora dos Anjos, um artigo assinado por um “não me chateiem”, a verberar uma peça local publicada no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio sobre as más condições de acesso à lagoa do Congro. O homem (ou mulher) classifica de estupidez o arranjo do trilho e vai ao ponto de escrever que só falta quererem um escorrega da Senhora da Paz até à Vila, ou um teleférico do cume do Pico até ao Faial e São Jorge… E para disfarçar frustrações lá meteu a serra do Mourão pelo meio. Descanse o rico ou rica… que ninguém está a pedir mais cimento, porque por aqui as coisas cimentam-se com trabalho, muito trabalho e iniciativa, sem esperar que tudo seja dado de mão beijada. O que se pretende para a lagoa do Congro é o arranjo do atalho que noutros tempos era mesmo um verdadeiro jardim ladeado de azáleas e sempre primorosamente limpo. Nada de popós, nem outros embonecamentos. Como diz a minha prima Maria da Vila, aqueles que tudo exigem todos os dias, até que lhes limpem as cagadelas de pomba à porta das aerogares, não podem ver ou ouvir que em São Miguel se faça uma simples sugestão do arranjo de um atalho… E depois os outros é que são bairristas! Passa fora!


Meus queridos! A minha sobrinha-neta que não perde pitada do que se passa nessa coisa das redes sociais, onde eu já não tenho paciência para andar, mostrou-me um barco de recreio a arder na marina de Angra, mesmo em frente ao Angra Marina Hotel – não sei se é o nome certo porque sempre o conheci como Hotel da barreira…. Mas, continuando, a questão, o que vi do que me mostrou a minha sobrinha – neta, foi além do barco a arder, um destemido praticante de jet ski que em manobras arriscadas, mas de grande efeito, conseguiu, atirando água para o barco a arder, extinguir o incêndio que levantou uma nuvem negra de fumo tão alta como o hotel. Quando chegou o carro dos bombeiros, já o fogo estava quase extinto, graças à coragem do jovem desportista. Uma prova de presença de espírito e de solidariedade que é bom registar. Para ele, aqui vai o meu ternurento beijinho.


Ricos! Essa coisa da ideologia do género dá cabo de mim, porque quanto mais se querem afirmar, mais discriminação criam. Ainda há dias é condenada uma mulher que matou o marido que foi vítima de violência doméstica. E lá vieram as feministas dizer que foi uma excepção… como se nos homens fosse regra. E no meio disso tudo há coisas que dariam para rir se não fossem sinal de algo que vai muito mal na cabeça de muita gente. Basta ver a cada vez mais entranhada moda de dizer Portugueses e Portuguesas ou Açorianos e Açorianas… E a este propósito, ofereço uma rosa a quem adivinhar qual é a candidatura que anda a mandar mensagem política pré eleitoral com um envelope… onde se pode ler cara(o) amiga(o)… Uma questão de primazia do género… Não quero crer que esteja tudo doido, ou será o calor  do Verão a toldar a mente?
 

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Autor: CA

Categorias: Opinião, Maria Corisca

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