18 de agosto de 2019

Num cenário de incertezas

1 - Decorridos dez anos sobe a grande crise financeira de 2008/2009, a primeira deste segundo milénio, que arrastou bancos, seguradoras, empresas e famílias para a falência, provocando uma recessão geral, surgem agora sinais inquietantes sobre a desaceleração das economias mundiais que poderão indiciar a chegada de uma nova crise.
2 - É de recordar que a crise nasceu nos Estados Unidos da América devido ao chamado subprime e estendeu-se à Europa, tendo para ela contribuído o processo da globalização que política e economicamente dominou o mundo, e foi gerido de forma soberano pelos Estados Unidos da América.
3 - Com a crise de 2008 ficou provado que a teoria neoliberal, segunda a qual o mercado se auto -regula e só por si é capaz de gerir e distribuir a riqueza, não é fiável e obrigou, na altura, os EUA a porem em marcha um astronómico plano de resgate do seu sistema financeiro no montante de setecentos biliões de dólares.
4 - Durante os dez anos subsequentes à crise sistémica do capitalismo mundial, foram criadas novas formas de regulação, reforçando a responsabilidade e o controle do sistema financeiro, mas com custos muito elevados para economias débeis como a portuguesa e a grega, e com grandes sacrifícios sociais que não devem ser esquecidos, numa altura em que os sinais de instabilidade estão aí.
5 - A guerra comercial travada pelos Estados Unidos da América contra a vários países, e bloco económicos, entre eles a China e a União Europeia, é uma bomba que pode ter consequências mortíferas para várias economias.
6 - O crescimento da China está a recuar, assim como o do EUA, e desde Novembro do ano passado o sector industrial da Zona Euro está em queda, e, de acordo com os dados do Eurostat agora divulgados, constata-se que em Junho, a produção industrial recuou 2,6% comparado em termos homólogos com 2018.
7 - O crescimento calculado em todos os países União Europeia desceu de 1,6% nos primeiros três meses do ano para 1,3% entre Abril e Junho. A desaceleração da indústria é preocupante.
8 - Portugal manteve o crescimento de 1,8%, isto é, acima da média da zona euro, mas muito longe das quatro economias emergentes que são, a Hungria (5,1%), Roménia (4,6%) Polónia (4,1%), e a Lituânia (4%). 
9 - Apesar do crescimento português estar em linha com as previsões para 2019, a dívida mantêm-se elevada e o endividamento das famílias continua alto, o que revela uma fragilidade geral do sistema económico, só disfarçada pelo marketing político que encobre as mazelas e vende uma saúde aparente. 
10 - Nos Açores, de acordo com o SREA, temos uma população empregada estimada em cerca de 115 mil pessoas, isto é 47,3% da população residente que é de 243 mil pessoas.  
11 - De acordo com os dados da PRODATA, em 2018 a população activa da Região era de 135.700 pessoas, o que significa que a diferença entre a população activa e a população empregada apresenta um défice de 20 mil pessoas sem emprego. Onde param e quanto custam?
12 - O Indicador da Actividade Económica na Região apresenta um crescimento de 1,9% no segundo trimestre de 2019, impulsionado pelo Turismo, mas com quedas no sector primário, com -1,7% de leite entregue nas fábricas e com -61,5% de pesca descarregada. 
13 - O consumo de leite baixou -11,3%, a energia com -3,9%, a venda de automóveis -1,9%, a venda de cimento -24,0%. Todos estes indicadores são alertas a ter em conta.
14 - O consumo de bens alimentares cresceu, certamente impulsionado pela população flutuante que representa o fluxo turístico, mas em contraponto a taxa da inflação aumentou cifrando-se em +0,4% em termos homólogos.
15 - Os sinais que a economia aparenta como favoráveis encerram um perigo que deve ser acautelado. 
16 - Num cenário de incertezas para 2020, como tem sido anunciado pelos sábios da economia, e atentos aos sinais que nos chegam, é tempo de começar a “pôr trancas à porta”.

Print

Categorias: Editorial

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima