20 de agosto de 2019

Economia social corrige assimetrias

Na economia de uma democracia, o setor social tem uma importância muito grande, tendo em vista poder corrigirem-se assimetrias e apoiar e acompanhar aqueles que mais precisam, com a promoção e desenvolvimento de atividades na área social.
Por isso, importa que a economia social se desenvolvacom projetos sociais, permitindo melhorar desigualdades e em tempos de crise, as Misericórdias, cumpridoras da sua missão há mais de cinco séculos, bem como as Instituições de Solidariedade Social, as Mutualistas, as Cooperativas e as Fundações são peças fundamentais de uma economia social criadora de riqueza. Se não fossem estas Instituições, com o apoio aos mais necessitados, o grau de pobreza ter-se-ia acentuado com uma intensidade gravosa para uma sociedade já de si fragilizada, sobretudo nos períodos de crise grave que a sociedade portuguesa no seu todo atravessou.
No entanto, é obrigação do governo estabelecer protocolos mais adequados que permitam a subsistência destas Instituições, comparticipando as respostas sociais de acordo com os seus custos, pois estão a cumprir, em complementaridade com o Governo, ações de responsabilidade estatais, a bem de uma sociedade mais justa e equilibrada. Outrossim, sou de opinião que estas Instituições têm que se profissionalizar, independentemente do voluntariado que as carateriza, fortalecendo o setor social para gerarem receitas destinadas a equilibrar as suas contas e se tornarem menos dependentes do Estado, bem como requalificarem valências da área social ou fazerem novos investimentos em projetos necessários para ajudar a corrigir as assimetrias sociais.
O peso da economia social continua a crescer em Portugal e os números dão conta desta grande dimensão, ou seja, o sector social com cerca de 260 mil trabalhadores dedicados, faz dele o segundo maior empregador nacional, e movimenta anualmente mais de 15 milhões de euros de recursos.
A economia social integra o conjunto de atividades com expressão social e económica, geridas por entidades sem fins lucrativos e que visam a satisfação de necessidades não cobertas pelos mecanismos de mercado, ou seja, Misericórdias, IPSS, Fundações, Associações com fins altruísticos, compõem este setor de grande importância na economia do nosso país.
É na economia social que podemos encontrar a maior capacidade de responder aos novos desafios sociais, inovando, avançando, juntando recursos e vontades, em particular em áreas em que o combate às desigualdades e à exclusão e pobreza exigem soluções solidárias e de mobilização das comunidades.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) e a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social acabam de divulgar os resultados da terceira edição da Conta Satélite da Economia Social, relativos ao ano 2016. 
Em 2016, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Economia Social representou 3,0% do VAB da economia, tendo aumentado 14,6%, em termos nominais, face a 2013. Este crescimento foi superior ao observado no conjunto da economia (8,3%), no mesmo período.
A Economia Social representou 5,3% das remunerações e do emprego total e 6,1% do emprego remunerado da economia nacional. Face a 2013, as remunerações e o emprego total da Economia Social aumentaram, respetivamente, 8,8% e 8,5%, evidenciando maior dinamismo que o total da economia (7,3% e 5,8%, respetivamente).
Por grupos de entidades da Economia Social, as Associações com fins altruísticos evidenciavam-se em número de entidades (92,9%), VAB (60,1%), Remunerações (61,9%) e Emprego remunerado (64,6%).
Embora existam diferenças de natureza, missão, dimensão, modelo de gestão ou setor de atividade, todas as organizações que integram a Economia Social em Portugal têm algumas características em comum, nomeadamente a preocupação com as pessoas e com os aspetos sociais. O compromisso social destas entidades é encontrar respostas adequadas, soluções inovadoras para os desafios económicos, sociais e ambientais do nosso tempo, cujo objetivo primordial não é o lucro, mas sim o bem-estar das pessoas. 

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Categorias: Opinião

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