21 de agosto de 2019

Inquérito sobre o custo de vida nos Açores

Açorianos já começam a sentir que o turismo não traz só benefícios para a Região

“Sobrevive-se, mas não se vive”

José Farrica, 52 anos
Gerente comercial

O que pensa sobre o agravamento dos preços dos produtos e na habitação?
“É uma realidade que está a acontecer, principalmente com o aumento que temos vindo a registar no turismo. Nem tanto nos bens essenciais, mas tudo subiu, nomeadamente água, luz, gás, combustíveis, entre outros, incluindo a própria restauração”.

O turismo poderá encarecer a vida dos cidadãos e fazer com que quem ganha o salário mínimo não tenha dinheiro para habitação e alimentação?
“Para quem ganha o salário mínimo, as dificuldades já eram muitas, então imagine-se com o incremento do turismo, basta pensarmos num agregado familiar que tenha filhos e ambos recebem o salário mínimo, ou seja, sobrevive-se, mas não se vive”.

Considera que há uma tendência para que os pobres fiquem mais pobres?
“De certa forma sim. Mesmo a nível estatístico, essa disparidade tem vindo a crescer. Um aumento considerável do salário mínimo seria o essencial para que se pudesse viver melhor, aumentando-se o poder de compra das famílias”.

 

“Há ainda uma grande falta de visão”

Patrícia Carreiro, 33 anos
Directora de livraria

O que pensa sobre o agravamento dos preços dos produtos e na habitação?
“Infelizmente, o custo de vida tem vindo a aumentar e os ordenados nem por isso. As dificuldades surgem, com os mais jovens a sentirem na pele as dificuldades da vida, quer seja no acesso à habitação como nos gastos do dia-a-dia”.
 
O turismo poderá encarecer a vida dos cidadãos e fazer com que quem ganha o salário mínimo não tenha dinheiro para habitação e alimentação?
“O turismo é muito bom e é um público interessante, só que muitas vezes esquecem-se os locais e aumentam-se os preços para os turistas, para ser uma altura de boa nas vendas, mas depois, os locais que estão cá o ano inteiro e sustentam os serviços, acabam por ser penalizados e não são recompensados, surgindo focos de desmotivação”.

Considera que há uma tendência para que os pobres fiquem mais pobres?
“Sem dúvida. A água corre para a água e sem motivação e falta de reconhecimento, a qualidade do serviço prestado é menor. Há ainda uma grande falta de visão nesse sentido, porque as pessoas querem viver com um mínimo de qualidade possível, o ano inteiro”.

 

“Tem influenciado muito os preços”

Paulo Medeiros, 28 anos
Barbeiro

O que pensa sobre o agravamento dos preços dos produtos e na habitação?
“Tem sido uma realidade e penso que o turismo tem influenciado muito os preços, não só ao nível da habitação como ao nível do comércio também”.

O turismo poderá encarecer a vida dos cidadãos e fazer com que quem ganha o salário mínimo não tenha dinheiro para habitação e alimentação?
“Não tanto ao nível da alimentação, porque cada vez há mais poder de escolha e a preços acessíveis. Já ao nível da habitação, os preços dispararam porque também são os turistas, que com mais poder económico compram mais habitações, ficando mais difícil para os jovens adquirirem casa própria”.

Considera que há uma tendência para que os pobres fiquem mais pobres?
“De certa forma sim. Crescem as dificuldades para as pessoas com condições económicas mais desfavoráveis, dificultando o acesso aos bens essenciais”.

 

 

“É sempre um paude dois bicos”

Leandro Ribeiro, 28 anos
Barbeiro

O que pensa sobre o agravamento dos preços dos produtos e na habitação?
“O agravamento dos preços surge com o aumento do turismo, porque tenta-se tirar algum proveito desta realidade. No entanto, esse incremento também veio beneficiar alguns sectores do comércio e serviços”.

O turismo poderá encarecer a vida dos cidadãos e fazer com que quem ganha o salário mínimo não tenha dinheiro para habitação e alimentação?
“Sim, o turismo é sempre um pau de dois biscos e traz sempre outras realidades. O custo de vida sobe, no entanto, cada vez mais os Açores são uma referência a nível mundial e vai acabar por acontecer o que já se assistiu em Lisboa, Porto ou Faro, onde surgem preços muito castigadores para os residentes”.

Considera que há uma tendência para que os pobres fiquem mais pobres?
“Julgo que sim e um aumento considerável do ordenado mínimo no sector privado poderia aumentar o poder de compra dos cidadãos. O dinheiro não circula, estagna porque não abunda. Ao nível das oportunidades, dou um exemplo: “Conheço um azeite que se compra em Portugal por pouco mais de dois Euros, que depois é revendido em Espanha por cinco ou seis Euros”.

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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