Há cada vez mais açorianos a comprar ervas aromáticas nas lojas de Ponta Delgada

 Catarina Janeiro, funcionária do ‘Mercado das Ervas’, um centro dietético com mais de 60 anos de existência, em declarações ao Correio dos Açores, conta que Tília, Cidreira, Cavalinha, Hortelã-pimenta, Lúcia-lima são algumas das ervas aromáticas mais procuradas. “Para relaxar e para problemas de estômago são alguns dos motivos que fazem com que os clientes venham ao Mercado”.
Para além da procura das plantas, os suplementos também são outros produtos alvo. “Muitos dos clientes já cá chegam informados, com uma ideia daquilo que querem. Outros querem saber para o que servem, quais os benefícios das ervas aromáticas”, como refere Catarina Janeiro.
Colesterol, estômago, diabetes, tensão também se juntam ao grupo de factores da procura. “Existem pessoas com colesterol que preferem chás do que a medicação propriamente dita”. A nível benéfico, o efeito é a longo prazo. Entre mais velhos e mais novos, a idade dos clientes que ali se deslocam é heterogénea.
Na Rua do Castilho, encontramos a loja Bioforma, que tem também mais um espaço no Centro Comercial do Parque Atlântico. A procura das ervas aromáticas é constante, como referiu uma das funcionárias, Helena Dias. “Existe muita variedade. Na altura do Verão, vendemos muito Hibisco e Cavalinha. Os clientes procuram muitas plantas para os problemas digestivos.” Acrescenta que aconselham os clientes conforme a necessidade e a necessidade e que actualmente, muitos preferem plantas medicinais do que o medicamento químico: “é uma opção boa e viável. Funciona realmente. Existem pessoas que preferem começar por aí e só depois passar para os suplementos alimentares, após os resultados obtidos.” Relativamente à faixa etária, as gerações mais novas estão a aderir cada vez mais derivado à informação que pesquisam.
Situado perto do Campo de São Francisco, a Cigarra Natur já está a caminho de celebrar o seu 40.º aniversário. Rogério Moitoso, gestor do espaço, afirmou que são vendidas várias ervas aromáticas, como Poejo, Funcho e Marcela, “não tanto para fins culinários, mas sim medicinais, sendo utilizadas para chá. Vendemos as plantas mais como um complemento e é isso que é referido aos clientes. Não vendemos como se fosse um medicamento naturopata, ou seja, um medicamento substituto. As pessoas também têm que ter consciência daquilo que vão tomar”. Acrescenta que se alguém tiver uma dor de estômago, por vezes, basta tomar um chá e passa. Na sua experiência pessoal, confessa ser raro tomar medicação química. Sobre os clientes, diz haver uma grande variedade, tendo clientes já da casa e aqueles que ao entrarem na loja por curiosidade, tornam-se clientes também. Acrescenta que os clientes procuram muitas plantas nos dias de hoje”.

Benefícios e alternativas

No passado mês de Julho, o Jardim HDES Green foi inaugurado no Hospital Divino Espírito Santo, conforme noticiado por este órgão de comunicação. Este é o primeiro jardim terapêutico existente no arquipélago dos Açores. Joana Coutinho, responsável pela empresa Hortelã-Pimenta, fez parte do projecto inovador no arquipélago.
Sobre o uso das ervas aromáticas na culinária, refere que estas aumentam e muito o valor nutricional das refeições, fortalecendo o sistema imunitário. Deu um exemplo: “é mais saudável beber água misturada com folhas de hortelã do que as garrafas de águas com gás que encontramos nos hipermercados. Além do mais, conseguimos treinar o paladar”.
Para outros fins, “as ervas aromáticas são uma boa adição para os jardins pois equilibram os ecossistemas”, refere Joana Coutinho. Com uma vasta experiência na jardinagem terapêutica e na jardinagem pedagógica, Joana Coutinho conta que está comprovado cientificamente que o contacto com as plantas faz bem às pessoas. “Há empresas que criam este tipo de jardim. Para além de serem bonitos, aumentam o bem-estar e a produtividade dos trabalhadores, conseguindo-se muito com tão pouco. É um investimento barato e os escritórios, por exemplo, deviam ter plantas aromáticas”.
No norte da Europa, o trabalho no exterior é perfeitamente normal consolidando ainda mais a ideia de que “o contato com a natureza é essencial para o nosso bem-estar, embora na realidade a sociedade encontra-se um pouco afastada desta”.

Quer seja para fins culinários, quer seja para fins medicinais, a verdade é que as ervas aromáticas nunca passam de moda. Para além do sabor que incutem em diversos pratos, quer sejam utilizados sozinhos ou misturados, como o Açafrão, o Manjericão, Orégão e o Tomilho, estas ervas também têm propriedades benéficas ao nível da saúde. Para além de fazer bem à memória e à pele, o Açafrão é uma excelente fonte em carboidratos; e o Orégão, por exemplo, tem um papel fundamental na desintoxicação do corpo.
Há que ter em conta e perceber realmente a utilidade de cada uma das plantas, nunca fazendo com que estas percam o seu valor nutricional. 

Print
Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima