À descoberta das ervas aromáticas e da sua importância para a saúde

 A história das ervas aromáticas remonta ao período Paleolítico, segundo investigadores. Desde sempre, o Homem procurou ervas com propriedades específicas que pudessem ser utilizadas para a gastronomia, mas também para a cura de doenças.
Numa escavação arqueológica em Shanidar, no Iraque, no início dos anos 90, foram encontrados vestígios da utilização de plantas medicinais na época do homem de Neandertal, ou seja, há cerca de 60.000 anos. Em placas de barro, escritas em caracteres cuneiformes, encontram-se os primeiros documentos escritos pelos sumérios – 3.000 A.C – fazendo referência a papoila e a mandrágora. Nos livros sagrados como a Bíblia, o Talmude e o Corão, são também mencionadas os usos de ervas para fins pessoais e cerimoniais.  No entanto, as ervas aromáticas ganharam uma maior dimensão devido à expansão marítima, a partir do século XV. Pode-se afirmar que a história das ervas aromáticas está interligada com a história dos meios de transporte e a imigração das populações, nomeadamente os europeus. Os portugueses, principalmente, tiveram um papel fundamental nesta divulgação. Um dos propósitos de descobrir um caminho para a Índia tinha como base adquirir especiarias. Mas há que ter atenção: ervas aromáticas e especiarias não são a mesma coisa. Já as especiarias foi um termo que surgiu no século XIV, na Europa, designando diversos produtos de origem vegetal – como as flores, frutos, sementes, cascas, raízes – de aroma e sabor devido à presença de óleos. Utilizadas para a culinária também, as especiarias utlizadas temperar e conservar alimentos, também eram utilizadas na preparação de determinados produtos como óleos, cosméticos, incensos e medicamentos. Canela e açafrão são das especiarias mais utilizadas.
Voltando novamente ao tema central, as ervas aromáticas, estas encontram-se ainda bastante presentes no nosso dia-a-dia. As ervas aromáticas são consideradas a alma dos cozinhados para profissionais de cozinha. Aliás, tendo em conta o sabor que transmitem para os pratos, as ervas aromáticas parece que surgiram mesmo com o propósito de tornar um prato de culinária muito mais enriquecedor e uma experiência única. É possível encontrar ervas aromáticas em lojas de venda própria e nos supermercados, fazendo com que seja acessível comprá-las em pequenas embalagens. No entanto, se houver a possibilidade de utilizá-las frescas e ter um jardim/quintal com as mesmas plantadas, melhor ainda pois algumas perdem as suas principais características estando secas, como a salsa e o manjericão. Uma boa opção, caso a pessoa tenha ervas frescas e em enorme quantidade, é congelar em pequenas quantidades.
Na gastronomia, a utilização das ervas aromáticas também tem os seus benefícios para além de realçar o sabor. Reduz, de uma forma significativa a adição do sal, contribuindo para quem sofre sobretudo de problemas de tensão arterial, algo bastante comum nos dias de hoje.
Para além de serem utilizadas no tempero dos pratos, hortelã-pimenta por exemplo, encontra-se também em fabrico de rebuçados e pasta de dentes, ao extrair o seu conteúdo. Muitos dos chás consumidos também são feitos a partir de ervas. Apesar de nos dias de hoje observarmos nas prateleiras das lojas muitos pacotes de chás à venda, a verdade é que ainda há quem siga pelo meio tradicional tendo lúcia-lima ou erva-cidreira no quintal.

Ervas aromáticas mais conhecidas

Um jardim aromático era algo que devia existir em todas as habitações e empresas. As cores que transmitem e a seu odor, beneficiam as pessoas em diferentes prismas.  Existem centenas de ervas aromáticas, mas não será por isso que não falemos um pouco sobre as que são consideradas mais populares.
O Funcho é muito utilizado em pratos com peixe, bem como sopas e vinagretes. Previne a azia e a indigestão, sendo uma das ervas aromáticas muito usadas para consumo de chá. O Tomilho, por vezes, é substituto do sal em algumas salas. Combate a acne e é um poderoso agente no combate a infecções. Intenso, amargo, forte e mentolado, é assim que se caracteriza o Poejo. Utilizado imenso como digestivo e no combate às gripes, sendo também utilizado para fazer chá.
A Lavanda é uma das ervas aromáticas mais apreciadas devido ao cheiro que liberta. Com propriedades relaxantes, estabiliza o sistema nervoso e diminui a ansiedade. O chá feito a partir das flores secas da Lavanda ajuda na digestão e há quem ponha esta erva aromática dentro das fronhas das almofadas.
Podendo ser utilizada para diversos fins, a Cavalinha ajuda no tratamento de problemas renais e urinários, diminui a queda de cabelo e a pressão arterial, bem como na retenção de líquidos. Bem conhecido pelas suas propriedades culinárias, o Louro é rico em minerais como cálcio, ferro, potássio e magnésio. Fonte de vitaminas, melhora a digestão e ajuda a tratar problemas respiratórios. Situação semelhante como o Manjericão e o Orégão, outras ervas aromáticas muito utilizadas na cozinha. A primeira possui propriedades antibacterianas, previne constipações e alguns tipos de cancro e faz bem à memória. A segunda, muito conhecida por estar presente em pratos como massas e pizzas, é um antioxidante, fazendo bem para os ossos e para o coração.
O Hibisco é muito utilizado para ajudar a emagrecer e a reduzir a gordura. Conhecida como Hortelã-das-Cozinhas, a Hortelã-Pimenta é usada no tratamento de problemas de estômago, bem como dores e inflamação dos músculos e não deve ser utilizada para emagrecer, ao contrário da erva aromática referida anteriormente.
A Lúcia-Lima, conhecida mais por Erva-Luísa ou Maria-Luísa, encontra-se em muitos jardins e quintais nos Açores, sendo muito utilizada para tratar problemas gastrointestinais e também ajuda a relaxar. O próprio aroma também é um factor para o sucesso entre as ervas aromáticas. Considerada como um dos melhores antibióticos naturais, a Cebolinha regula a pressão arterial, cura a acne e possui propriedades antibacterianas.
Estes são alguns dos exemplos de ervas aromáticas existentes no quotidiano em que as suas propriedades medicinais, principalmente, passam despercebidas, mas que a pouco e pouco, voltam novamente a entrar na vida das pessoas.
   

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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