23 de agosto de 2019

Algumas notas boas

 Apesar de o problema não estar resolvido, a greve dos motoristas de matérias perigosas terminou, terminando com ela a imposição da crise energética que vigorou no país durante alguns dias. Não obstante o transtorno que causou a alguns portugueses, em abono da verdade deve-se dizer que esta paralisação pouco se sentiu, se comparada com a que teve lugar em abril. Por estarmos todos mais preparados, por nos termos precavido melhor, porque a legislação em vigor acabou por ser cumprida apesar de algumas exceções. Pese embora o conflito não estar, ainda, completamente sanado, a perspetiva de novas greves como as duas anteriores não se vislumbra no horizonte, o que é muito positivo para o país. 
Se não for inédito, não estará muito longe. A colocação de professores – incluindo os contratados – a meio de agosto é algo de que não me recordo. Com governo nenhum, de qualquer espetro partidário. Especialmente os professores que serão contratados a partir do dia 1 de setembro, conhecem já a escola em que terão de se apresentar, com tempo para conhecerem o estabelecimento, transportarem o que necessitarem e encontrarem um sítio ao qual chamarão casa durante um ano letivo. Não é perfeito – longe disso – mas é o melhor que se tem visto nas colocações de professores desde há muitos anos. Muitos mesmo. Ainda não foi há muito tempo que os docentes conheciam a escola em que iriam ensinar um ou dois dias antes de terem de se apresentar. Com filhos para colocar na escola ou na creche, mobílias para transportar, casas para arrendar e muitos quilómetros para fazer. Está longe da perfeição, mas não deixa de ser bem melhor. 
A campanha para as legislativas nacionais ainda não começou oficialmente, mas os candidatos já há muito que andam na rua, nas instituições e no contacto com os seus possíveis eleitores. Recentemente, uma candidata socialista de que não me lembro o nome, numa visita a uma clínica veterinária, defendeu a necessidade de ser criada, na região, a figura do Provedor do Animal. À imagem de muitos municípios no continente, como acontece com Lisboa, esta figura tem por objetivo receber e encaminhar queixas, acompanhar processos relacionados com o bem-estar animal, conhecer as dificuldades de famílias que tendo animais nem sempre conseguem respeitar a legislação em vigor no que concerne à vacinação, chip e desparasitação. No fundo, o dinheiro nem sempre dá para tudo, e os animais por vezes acabam por ter uma quota deste sofrimento. O Provedor pode, e deve ajudar, funcionando como intermediário em relação às instituições formais do Estado, nomeadamente autarquias, governo central e governos regionais. Muito bem. 
O turismo continua a marcar pontos na região e no país. E se os barcos moliceiros navegam cheios pelos canais de Aveiro, a Ribeira dos Caldeirões na Achadinha funciona agora como um local de aventura, com descidas de capacete e fato de mergulho pela ribeira abaixo, as Furnas nunca conheceram tantos visitantes – nunca se venderam tantas maçarocas de milho – e até Steve Aoki teve de ir como os restantes visitar o Ilhéu de Vila Franca, pois os bilhetes são poucos para todos os que lá pretendem ir, quanto mais o ilustre DJ açambarcar os bilhetes todos. E até a chamada de atenção ao francês que deixou uma garrafa de vidro no banco de uma paragem de autocarro funcionou. Quando as coisas não correm bem, não há nada como levantar a voz. O respeito pela terra dos outros volta logo ao sítio.  

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Categorias: Opinião

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